Varíola dos macacos não tem potencial de causar surtos no Ceará, afirma secretária executiva da Sesa

Transmissão ocorre principalmente por contato físico com pessoas infectadas, logo os possíveis casos tendem a ser pontuais.

Escrito por Nícolas Paulino , nicolas.paulino@svm.com.br

Ceará
Legenda: Paciente infectado apresenta lesões na pele e precisa seguir em isolamento.
Foto: Shutterstock

A secretária executiva de Vigilância e Regulação da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), Sarah Mendes, afirmou em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (30) que a varíola dos macacos não tem potencial para gerar surtos no Ceará. O Estado confirmou o primeiro caso da doença na última quarta (29).

Epidemiologista e especialista em Vigilância em Saúde, ela explica que, como a principal via de transmissão da condição da “monkeypox” é através do contato com as lesões na pele, a disseminação se torna mais difícil de acontecer em relação a outras doenças.

“A gente ficou muito sensibilizado com a Covid porque ela é de transmissão respiratória e tinha muitos grupos suscetíveis, mas na varíola dos macacos não pensamos nela como um potencial causador de surtos”, argumenta.

O epidemiologista Antônio Lima, da Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza (SMS), emenda: “é uma possibilidade muito remota porque é outro mecanismo de transmissão e os casos são esporádicos. Mesmo na Inglaterra, você não teve grandes surtos localizados”.

Para ele, o ineditismo do fenômeno é a doença ter saído de suas áreas endêmicas, no Congo e na África Ocidental, mesmo havendo vacinas e antivirais específicos para combatê-la.

Manejo dos casos

Segundo Sarah Mendes, a referência estadual para o tratamento de possíveis infectados é o Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ). A secretária executiva garante que todas as regiões de saúde estão orientadas a como proceder diante de um caso suspeito: reconhecer o paciente, notificá-lo e encaminhá-lo para o hospital de referência para a coleta de material para testagem.

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notificações da varíola dos macacos foram registradas no Ceará; três casos foram descartados e mais 10 seguem em investigação.

Além do isolamento, a médica infectologista Tânia Coelho, Secretária Executiva de Atenção à Saúde e Desenvolvimento Regional, orienta aos pacientes infectados a usar máscara porque “ele pode ter lesão na boca, tossir e transmitir”, embora o principal modo de transmissão seja o contato físico.

Conforme a especialista, na evolução da doença, o paciente apresenta lesões na pele e precisa ficar em isolamento até a cura. Porém, a doença geralmente se complica em recém-nascidos, crianças e pacientes com imunodeficiência. 

Estado do paciente

Durante a coletiva de imprensa, as autoridades de saúde informaram que o primeiro paciente infectado do Ceará, de 35 anos, mora em Fortaleza, mas se deslocou entre São Paulo e Rio de Janeiro, estados com casos já confirmados da doença. Ele recebeu atendimento médico e está atualmente isolado em casa. 

A titular da Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza (SMS), Ana Estela Leite, disse que a Pasta está atuando no rastreamento e monitoramento das pessoas que tiveram contato com o homem.