UFC decreta luto oficial de três dias pela morte do professor Assis Filho
Veja horários das cerimônias de despedida do profissional, referência na gestão de recursos hídricos no Brasil.
A Universidade Federal do Ceará (UFC) decretou luto oficial de três dias, de 25 a 27 de março de 2026, em respeito à memória do professor Francisco de Assis de Souza Filho. Referência na gestão de recursos hídricos no Brasil, o docente morreu nesta quarta-feira (25), aos 59 anos, em decorrência de complicações de um câncer raro.
As cerimônias de despedida terão início nesta quinta-feira (26), no Espaço Cultural Bergson Gurjão Farias, localizado na Reitoria da UFC. O velório começará às 16h30, seguido de uma missa de corpo presente às 17h30.
Na sexta-feira (27), uma nova missa de corpo presente será celebrada às 11h no mesmo local. O sepultamento ocorrerá às 16h de sexta-feira, no cemitério Parque da Paz.
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Trajetória de excelência e compromisso público
Professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da UFC, Assis de Souza Filho, construiu uma carreira que uniu o rigor acadêmico a uma profunda veia humanista. Ex-líder estudantil e presidente do DCE da UFC na década de 1980, ele se consolidou como um dos maiores nomes da ciência hídrica no País.
Ao longo de sua jornada, presidiu a Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRHidro) entre 2008 e 2009 e a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Como Cientista-Chefe de Recursos Hídricos, teve papel fundamental na criação de políticas públicas integradas para o Ceará.
Entre seus legados mais recentes está a criação do Centro Estratégico de Excelência em Políticas de Águas e Secas (CEPAS) e o desenvolvimento do Plano de Gestão Proativa de Seca, que transformou o planejamento estratégico dos 157 açudes do Estado.
Para o reitor da UFC, Custódio Almeida, Assis foi um homem "justo, humanista e profundamente dedicado à construção de uma sociedade mais equilibrada e sustentável".
A luta contra um câncer raro
O falecimento do professor ocorreu após uma batalha de cerca de seis anos contra um leiomiossarcoma, um tipo raro de câncer. Devido à complexidade da doença, o tratamento era realizado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, unidade que abriga um dos poucos especialistas brasileiros nesse tipo de tumor.
Porém os altos custos fizeram o professor retornar para Fortaleza para dar continuidade ao tratamento aqui. Recentemente, porém, o agravamento de seu estado de saúde exigiu uma transferência de emergência para a capital paulista por meio de uma UTI aérea.
A mobilização em torno de sua saúde gerou a campanha de solidariedade "Todos por Assis", organizada por amigos, alunos e colegas para auxiliar nos altos custos do transporte especializado e do tratamento hospitalar, refletindo o impacto humano e profissional que o mestre deixou em todos que o cercavam.