Neste Dia do Trabalhador, o que significa o fim da escala 6x1?

No Congresso, avança proposta que pode dar ao trabalhador um direito mínimo ao seu próprio tempo.

Escrito por
Beatriz Jucá ceara@svm.com.br
(Atualizado às 06:11)
Legenda: Sete a cada dez brasileiros são favoráveis ao fim da jornada 6x1, segundo pesquisa.
Foto: Zamrznuti Tonovi/Shutterstock.

São vários os países que celebram, em 1º de maio, o Dia do Trabalhador. A história do feriado é uma história de luta: em 1886, trabalhadores de Chicago, nos Estados Unidos, realizaram uma manifestação que reivindicava a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. O ato teve apoio de milhares de pessoas e gerou, depois, uma greve geral. Quase dois séculos depois, o Brasil comemora o 1º de maio com uma luta semelhante: a redução da jornada de trabalho de seis para cinco dias da semana.

O fim da escala 6x1 — modelo em que o funcionário trabalha seis dias na semana e folga um — voltou à tona com as movimentações legislativas nos últimos dias. Na quarta-feira, 29 de abril, foi instalada na Câmara Federal a comissão especial que vai analisar as propostas de emenda à Constituição (PECs) que preveem a redução da jornada de trabalho. Os textos já tiveram a constitucionalidade aprovada na semana passada e, agora, a comissão especial vai discutir o mérito das iniciativas. A expectativa é que o texto, ajustado pelos parlamentares, seja aprovado na comissão até o fim de maio.

Mas, afinal, o que significa essa redução da jornada de trabalho? Se por um lado há quem tema impactos na economia já desmentidos por estudos, por outro é preciso lembrar os impactos da medida para a vida de uma grande fatia de trabalhadores brasileiros, que poderão ter um pouco mais de tempo com suas famílias e para o lazer num país marcado por alto impacto de saúde mental acometendo trabalhadores. Vale lembrar que, neste mês, dados exclusivos do Ministério da Previdência Social sobre afastamentos do trabalho revelaram que, em 2024, foram quase meio milhão de afastamentos, o maior número em pelo menos dez anos.

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A redução da jornada deixa de ser uma temática sindical para virar ponto de interesse do eleitor neste ano eleitoral. Isso porque muita gente se reconhece nesta pauta. Trabalhar um dia a menos na semana, sem redução de salário, significa a chance de ter algumas horas a mais para questões pessoais, um tempo curto, mas que pode trazer qualidade à vida das pessoas.

Tempo é artigo de luxo ao trabalhador, que muitas vezes precisa equilibrar o único dia de folga semanal para resolver pendências da vida, ajudar familiares ou, em muitos casos, fazer um ou outro bico para complementar a renda. Estamos falando de uma parcela da população brasileira que  não tem tempo para ócio ou lazer. Gente que se acostumou a estar ocupada quase o tempo todo com um emprego que, muitas vezes, nem uma estabilidade real consegue trazer.

É este o cenário que faz sete em cada 10 brasileiros serem favoráveis ao fim da jornada 6x1, segundo pesquisa do Datafolha. Ouvimos as trombetas de prejuízos na economia quando a luta foi pelas férias ou pelo 13º. Sobrevivemos, com alguns direitos a mais. Este é apenas mais um degrau em uma luta histórica do trabalhador para ter o mínimo de direito sobre o próprio tempo. De que lado você está?

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião da autora.