Pacientes internados em nova onda da Covid-19 passam menos tempo ocupando leitos, diz secretária

Idosos e pessoas com comorbidades continuam sendo os principais grupos de risco para complicações da doença

Escrito por Nícolas Paulino , nicolas.paulino@svm.com.br

Ceará
Hospital Leonardo da Vinci, em Fortaleza
Legenda: Pacientes de nova onda têm sintomas respiratórios menos graves, afirma gestora.
Foto: Camila Lima

A quarta onda da Covid-19 já é uma realidade no Ceará, como confirmam as autoridades de saúde do Estado e do município de Fortaleza. Os casos confirmados cresceram cerca de 8 vezes entre os meses de maio e junho. Porém, a demanda por internações e o tempo de permanência dos pacientes nos hospitais têm feito o movimento contrário.

A médica infectologista Tânia Coelho, secretária executiva de Atenção à Saúde e Desenvolvimento Regional, informou na última quinta-feira (30) que os indivíduos que precisam de atendimento especializado, majoritariamente, ficam "pouco tempo" nas unidades de saúde.  

Ela comunicou que há dois tipos de pacientes com maior necessidade de atenção especializada. “O que temos observado é que são pacientes que têm comorbidades - sempre é o paciente que mais complica -, e a maioria idosos”.

Eles não estão evoluindo para necessidade de ventilação mecânica ou de suporte de oxigênio mais intenso, como o capacete Elmo. O que temos visto é que eles não têm demorado”
Tânia Coelho
Médica infectologista

A secretária executiva informou ainda não ser possível definir uma quantidade média de dias de ocupação de leitos, visto que o crescimento da demanda ainda é recente.

De acordo com boletins epidemiológicos da Pasta, o tempo médio de permanência em leitos subiu de 7,1 dias, em maio de 2020, para 13 dias ao longo de 2021. Neste ano, até meados de abril, a média de dias de internação diminuiu para 11 dias.

No entanto, há registro de pacientes que demoraram mais de 20 dias ou até meses para sair das unidades - segundo os registros, houve paciente com até 166 dias de internação.

Os dados dos boletins cearenses também corroboram os apontamentos de Tânia Coelho: até 22 de junho, das 5.424 internações por Covid causadora de síndrome respiratória aguda grave (Srag), 62% se concentrou nas faixas etárias acima de 60 anos. 

Além disso, do total de hospitalizados:

  • 1.710 (32,1%) apresentavam doença cardiovascular
  • 1.157 (21,7%) diabetes
  • 92 (1,7%) asma
  • 263 (4,9%) doença renal crônica
  • 280 (5,2%) doença neurológica
  • 230 (4,3%) pneumopatias
  • 238 (4,5%) eram imunodeprimidos
  • 184 (3,4%) obesos

Covid incidental

Mesmo com mais de 17 mil casos registrados neste mês de junho, houve apenas 12 óbitos por causa da doença. A secretária municipal de saúde de Fortaleza, Ana Estela Leite, destaca a importância da vacinação como motivadora de uma baixa letalidade, atualmente.

Porém, a gestora reconhece que há subnotificação de novos diagnósticos, pois o resultado de muitos autotestes não chegam à rede oficial, e as pessoas estão apresentando apenas sintomas mais leves, como arranhões na garganta, diminuindo a procura pelos exames. 

Nesse sentido, ela alerta para os chamados casos de “Covid incidental”.

“Ainda não sofremos tensionamento nas demandas por internação. Hoje, há muitos casos de Covid incidental: o paciente se internou num hospital por causa de um trauma, é testado e se identifica a positividade para a Covid. Por isso, precisamos redobrar cuidados e nos proteger”, relata.