Nível de instrução no CE aumenta, mas analfabetismo ainda é um dos mais altos do Brasil

Parcela de adultos que concluiu o Ensino Médio e o Ensino Superior aumentou no Estado.

Escrito por
Nícolas Paulino nicolas.paulino@svm.com.br
Legenda: Análises do IBGE apontam manutenção da pobreza em camadas com menor instrução.
Foto: Thiago Gadelha.

O Ceará tem apresentado uma melhoria no nível de escolaridade da população adulta, com um aumento importante na proporção de pessoas com Ensino Médio e Ensino Superior completos. Contudo, apesar do avanço, o Estado ainda lida com uma das taxas de analfabetismo mais elevadas do país, superando a média nacional.

É o que apontam os dados da Síntese de Indicadores Sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira 2025, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (3). 

O percentual de cearenses maiores de 25 anos sem nenhuma instrução teve queda acentuada, passando de 15,1% em 2016 para 11,6% em 2024. Essa redução é acompanhada pelo aumento no acesso a níveis mais altos de ensino:

  • Ensino Médio completo: subiu de 23,3% em 2016 para 28,6% em 2024.
  • Ensino Superior completo: de 8,9% para 13,7%, no mesmo período.

Em relação à população adulta sem instrução, o Ceará ficou ligeiramente acima da média da região Nordeste, que em 2024 tinha 10,7%. No entanto, tem o dobro da média nacional, que é de 5,5%.

A maior proporção de adultos ainda está concentrada no Ensino Fundamental incompleto, com 29,3%. Isso representa uma diminuição de seis pontos percentuais em relação a 2016, que marcou 35,7%.

Para o IBGE, o nível de instrução alcançado pela população adulta de um país “é um legado do investimento em educação feito em décadas passadas”.

A formação intelectual tem relação direta com a pobreza: em 2024, os maiores níveis de pobreza no Brasil foram encontrados entre as pessoas que não possuíam instrução ou tinham até o Ensino Fundamental incompleto (23,3%), e menor entre aquelas que apresentavam Ensino Superior completo (1,6%).

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Analfabetismo persiste como desafio

Apesar dos ganhos na escolaridade, a luta contra o analfabetismo na população de 15 anos ou mais de idade continua sendo um desafio estrutural.

O Estado conseguiu reduzir a taxa de analfabetismo de 14,4% em 2016 para 11,8% em 2024. No entanto, esse ainda é o quarto maior percentual do país, atrás somente de Alagoas (14,2%), Piauí (13,8%) e Paraíba (12,7%).

Em 2024, a taxa de analfabetismo no Brasil era de 5,3%, ou seja, o índice cearense é mais que o dobro da média nacional.

O panorama indica que, embora o Ceará esteja qualificando progressivamente sua força de trabalho jovem e adulta, refletido no aumento do Ensino Superior e Médio completo, os esforços de erradicação do analfabetismo entre a população mais velha (15 anos ou mais) ainda precisam ser intensificados.

Fortaleza, por exemplo, apresentou estabilidade ao longo de oito anos na taxa de analfabetismo, mantendo-se em 5,1% tanto em 2016 quanto em 2024.

Legenda: Desafio de alfabetização continua principalmente entre a população idosa, segundo o IBGE.
Foto: Kid Júnior.

Veja o ranking nacional de Taxa de Analfabetismo (População de 15 anos ou mais), em 2024:

1. Alagoas: 14,2%
2. Piauí: 13,8%
3. Paraíba: 12,7%
4. Ceará: 11,8%
5. Maranhão: 11,2%
6. Sergipe: 10,8%
7. Rio Grande do Norte: 10,5%
8. Pernambuco: 10,1%
9. Bahia: 9,9%
10. Acre: 9,4%
11. Pará: 6,6%
12. Tocantins: 6,6%
13. Amapá: 5,4%
14. Rondônia: 5,2%
15. Amazonas: 4,8%
16. Minas Gerais: 4,3%
17. Espírito Santo: 3,9%
18. Roraima: 3,8%
19. Mato Grosso: 3,8%
20. Mato Grosso do Sul: 3,7%
21. Paraná: 3,6%
22. Goiás: 3,6%
23. Rio Grande do Sul: 2,4%
24. São Paulo: 2,2%
25. Rio de Janeiro: 2,0%
26. Santa Catarina: 1,9%
27. Distrito Federal: 1,8%

A Meta 9 do Plano Nacional de Educação (PNE) estabeleceu o objetivo de erradicar o analfabetismo na população com 15 anos ou mais de idade, até 2024. O documento foi prorrogado até o fim deste ano, mas não atingiu o objetivo. O IBGE aponta que “as pessoas não alfabetizadas se concentram, principalmente, entre os idosos”.

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