Fortaleza deve ter 3 casas de apoio para prevenção às drogas; veja locais

Espaços terão foco em acolhimento e inclusão profissional.

Escrito por
Paulo Roberto Maciel* e Nícolas Paulino ceara@svm.com.br
Cena noturna mostrando um indivíduo sentado em silhueta, sob luz ambiente fraca, com árvores e uma parede coberta de grafite como pano de fundo, sugerindo uso de drogas.
Legenda: Escolha dos locais para as Casas Fortaleza envolveu registros de cenas de uso de drogas e tráfico.
Foto: Bruno Gomes.

Em 2026, três novos equipamentos públicos devem auxiliar no acolhimento a usuários de drogas e a ampliar estratégias de prevenção por meio de parcerias com os governos estadual e federal, universidades e o setor privado. As chamadas “Casas Fortaleza” serão abertas em três bairros da Capital.

Segundo Técio Nunes, titular da Coordenadoria Especial de Prevenção à Violência e Políticas sobre Drogas, as Casas Fortaleza serão centros de atendimento social e de acesso a direitos, focados na juventude, em pessoas em situação de rua e em drogadição.

Os equipamentos previstos serão instalados na Grande Messejana, no Grande Bom Jardim e na Praia de Iracema. O coordenador afirmou que a expectativa é que os equipamentos comecem a ser entregues a partir de março.

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Técio, que conversou com o Diário do Nordeste durante a primeira Reunião do Secretariado da Prefeitura, no último dia 30 de janeiro, destaca que os equipamentos oferecerão serviços de psicologia, assistência social, cultura, esporte, lazer, orientação jurídica, capacitação profissional e inclusão produtiva.

A escolha dos locais, explica, “tem a ver com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), índices de violência e, a partir dos estudos que a gente implementou, cenas de uso de drogas e tráfico que precisamos combater”.

As Casas serão viabilizadas por meio de uma parceria que envolve a Universidade Federal do Ceará (UFC), responsável pela gestão técnica e pelo monitoramento, e recursos federais de R$ 6 milhões do programa Centro de Acesso a Direitos e Inclusão Social na Política sobre Drogas (Cais), da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad). 

Novo Observatório em Fortaleza

Além disso, a gestão municipal firmou uma cooperação com a UFC para realizar o Diagnóstico Municipal do Uso de Drogas, uma pesquisa inédita para entender o perfil de uso e o mercado de drogas na capital cearense. 

O estudo também vai incluir uma tecnologia de epidemiologia baseada em esgoto com a Universidade de Fortaleza (Unifor), para identificar padrões de consumo de entorpecentes a partir de resíduos urbanos.

Haverá ainda a implantação do Observatório Nacional de Prevenção à Violência e Drogas de Fortaleza, com aporte federal de R$ 1 milhão. O espaço terá como função integrar dados e pesquisas para orientar a formulação de políticas públicas, apontando o que funciona, onde intervir e quem precisa de apoio.

O Observatório também promoverá capacitação de gestores, técnicos e pesquisadores de todo o País.

As iniciativas integram a nova Política Municipal de Prevenção à Violência e Drogas, lançada em outubro de 2025, que foi estruturada sobre três pilares: Cuidado, Prevenção e Inteligência.

Atendimento mais preciso

A advogada Vanessa Venâncio, presidente da Comissão de Políticas Públicas sobre Drogas da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Ceará (OAB-CE), avalia que a nova política municipal ainda carece de dados para uma análise definitiva, mas já sinaliza um avanço ao integrar saúde mental e assistência social. 

Ela propõe um modelo de acolhimento focado na inclusão produtiva, diferenciando-se de equipamentos como o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD) e os Centros de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP).

No que diz respeito ao diagnóstico da cidade, a especialista aponta que dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) indicam um aumento expressivo nas apreensões de cocaína e crack – 2024 e 2025 tiveram os maiores valores da série histórica –, além do "crescimento para uso de substâncias sintéticas". 

Além disso, ressalta que muitos indivíduos em vulnerabilidade são detidos por tráfico mesmo portando pequenas quantidades, devido a um “limbo jurídico” entre usuário e traficante. “Existem muitas pessoas em situação de rua, situação de vulnerabilidade extrema, que são presas com pequena quantidade enquadrada como tráfico”, sublinha. 

Para garantir que a reintegração social seja permanente e vá além de auxílios temporários, a advogada defende a criação de instrumentos legislativos que incentivem a contratação desse público por empresas prestadoras de serviço ao setor público, tendo as Casas Fortaleza como porta de entrada.

“Essas pessoas estarão aptas a se candidatarem a vagas de empregos, a cotas específicas de empregos em empresas que prestam serviço, por exemplo, para a Prefeitura ou para o Governo do Estado”, explica, reforçando que todo o processo deve ser devidamente supervisionado para garantir a efetividade do modelo.

Expansão da rede de prevenção

No eixo da Prevenção, a Coordenadoria está desenvolvendo Comitês Escolares de Prevenção ao Uso de Drogas junto com a Secretaria Municipal de Educação (SME). O objetivo é ocupar os territórios a partir das escolas e avançar numa campanha de conscientização e não uso, junto à juventude. 

A perspectiva é começar com 15 escolas nas mesmas regiões de Fortaleza que receberão as Casas Fortaleza. Técio Nunes destaca que, em 2025, a Coordenadoria captou cerca de R$ 12 milhões em investimentos para viabilizar as ações.

Outras frentes de atuação incluem a chegada do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) Juventude à capital, com 500 bolsas mensais de R$ 500 para jovens de periferias, de 15 a 24 anos, em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

Executado em parceria com o Instituto Federal do Ceará (IFCE), com investimento anual de R$7,7 milhões, o programa oferecerá suporte social e psicológico, qualificação profissional, auxílio permanência e oportunidades de inserção no mercado de trabalho formal.

Para o coordenador, o conjunto dessas ações representa mais um passo para consolidar uma política pública que une governos e sociedade civil para oferecer “caminhos reais de transformação social” em Fortaleza.

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