El Niño pode elevar temperatura em até 2°C no Ceará no segundo semestre

Há uma probabilidade grande de que o fenômeno figure entre os cinco maiores da história.

Escrito por
Luana Severo luana.severo@svm.com.br
(Atualizado às 19:12)
Sombra de mulher debaixo de sol escaldante.
Legenda: O segundo semestre, historicamente, já tem temperaturas mais elevadas no Ceará.
Foto: Fabiane de Paula.

Modelos climáticos analisados pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) apontam que os meses de julho, agosto e setembro deste ano devem ser até 2°C mais quentes do que o "normal" no Ceará. Isso se deve a uma probabilidade acima de 50% de se configurar um El Niño forte nesse período.

O El Niño é um fenômeno provocado pelo aquecimento anormal das águas do oceano na região tropical do Pacífico. Em geral, no Ceará, está associado à diminuição da precipitação durante a estação chuvosa.

O diretor técnico da Funceme, Francisco Vasconcelos Júnior, afirma que, provavelmente, o fenômeno deste ano ficará "entre os cinco maiores da história". "Nós temos, hoje, condições bem aquecidas na região do [oceano] Pacífico equatorial central leste, águas em torno de 200 metros de profundidade bem aquecidas", explicou.

O desenvolvimento deste El Niño tem sido acompanhado com preocupação por diferentes centros meteorológicos no mundo. No Estado, há chance de que o evento impacte ainda este primeiro semestre, próximo à conclusão da quadra chuvosa. "Podemos ter impacto no final da estação, em maio", aponta Vasconcelos.

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Segundo os meteorologistas, há uma probabilidade grande, também, em torno de 80%, de que, no segundo semestre, o El Niño impacte a temperatura. "O que é preocupante porque, aqui, na nossa região, já temos temperaturas bem elevadas", dimensionou o diretor da Funceme.

Os modelos sugerem um aumento de temperatura acima da média climatológica, entre 1,5°C e 2°C, de julho a setembro.

Isso deve acontecer porque o El Niño libera uma grande quantidade de energia no Pacífico, o que altera a circulação do ar e reduz a formação de nuvens sobre a região. "A menor cobertura de nuvens, somada ao excesso de energia térmica na atmosfera, favorece a incidência de radiação solar, elevando as médias térmicas em todo o Estado", conclui a fundação cearense.

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