Ceará registra março menos chuvoso desde 2019
Historicamente, março é o mês com maior volume de chuvas na quadra chuvosa.
A impressão de muitos cearenses de que choveu menos em março deste ano se confirmou. Em 2026, o mês foi o menos chuvoso desde 2019 no Ceará.
Historicamente, março é o período de maior volume de precipitações dentro da quadra chuvosa, que vai de fevereiro a maio. Mas, neste ano, o acumulado ficou abaixo do esperado: a média histórica é de 206,5 milímetros (mm), mas, até a manhã desta terça-feira (31), foram registrados apenas 180,7 mm.
O cenário foi diferente de fevereiro, quando o acumulado de chuvas ficou acima da média.
Os dados são da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e foram coletados na manhã desta terça-feira, portanto, ainda podem ter alguma alteração, conforme a atualização do sistema do órgão, que recebe informações dos municípios. Eles indicam que, em termos proporcionais, o acumulado em março foi 12,5% inferior ao esperado.
Nos últimos anos, março vinha registrando bons volumes. Entre 2019 e 2024, o mês teve, na maioria das vezes, chuvas acima do esperado no Estado.
Em 2025, o índice já havia ficado levemente abaixo, mas a diferença foi pequena. Em 2026, a queda foi mais acentuada, marcando o pior resultado para o mês desde 2019.
Em fevereiro, as chuvas acima do esperado, segundo a Funceme, foram ocasionadas, principalmente, pela atuação de vórtices ciclônicos de altos níveis ao longo do mês. Mas, apesar desse cenário positivo para quem aguardava chuva, houve irregularidade espacial e temporal na distribuição das precipitações, o que é comum em territórios do semiárido.
Enquanto para março a média histórica de precipitações (tomados como referência os dados de 1981 a 2010) é de 206,5 milímetros, nos demais meses, os acumulados esperados são menores: 121,3 mm em fevereiro, 190,7 mm em abril e 90,7 mm em maio.
Histórico de chuvas em março no Ceará
Acumulado esperado para março: 206.5
- 2019: registrado 234 mm (13,3% acima do esperado);
- 2020: registrado 275,1 mm (33,2% acima do esperado);
- 2021: registrado 206,5 mm (9% abaixo do esperado);
- 2022: registrado 265,4 mm (28,5% acima do esperado);
- 2023: registrado 300,6 mm (45,6% acima do esperado);
- 2024: registrado 233,2 mm (12,9% acima do esperado);
- 2025: registrado 206 mm (0,3% abaixo do esperado);
- 2026: registrado 180,7 mm (12,5% abaixo do esperado).
Segundo a gerente de meteorologia da Funceme, Meiry Sakamoto, o principal sistema que influencia chuvas em março, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), não se posicionou sobre o Ceará em 2026. Ao longo do mês, ela permaneceu mais sobre o oceano, aproximando-se do litoral em alguns momentos, mas sem avançar pelo Estado.
Onde mais choveu?
Se considerado o balanço dos dois primeiros meses da quadra chuvosa, as cidades de Baixio e Penaforte, ambas no Cariri, tiveram os maiores desvios positivos, com, respectivamente, acumulados de 108,6% e 90,9% acima do esperado.
Cidades como Ipaporanga, Ararendá, Ipaumirim e Assaré tiveram 70% ou mais 70% de desvio positivo, o que resultou em bons acumulados de chuvas.
Na outra ponta, Jardim, Porteiras, Jati e Jucás, todas no Cariri, foram as cidades que tiveram desvio negativo no acumulado de chuvas no decorrer de fevereiro e março.
Em Fortaleza, o cenário também foi de redução. A Capital registrou 249,9 mm de chuva, abaixo do esperado de 337 mm. O resultado interrompe uma sequência de marços chuvosos na Capital, já que desde 2019 os volumes registrados eram acima do esperado.
Histórico de chuvas em março em Fortaleza
Acumulado esperado para março: 337 mm
- 2018: registrado 228,8 mm (32,1% abaixo do esperado);
- 2019: registrado 519,8 mm (54,2% acima do esperado);
- 2020: registrado 401,3 mm (19,1% acima do esperado);
- 2021: registrado 451,8 mm (34.1% acima do esperado);
- 2022: registrado 638,4 mm (89,4% acima do esperado);
- 2023: registrado 391,2 mm (16,1% acima do esperado);
- 2024: registrado 507,5 mm (50,6% acima do esperado);
- 2025: registrado 429,8 mm (27,5% acima do esperado);
- 2026: registrado 249,9 mm (25,9% abaixo do esperado).
Balanço dos açudes
Em relação aos açudes, dos 144 monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), 11 estão sangrando e outros 11 apresentam volume acima de 90% até esta terça-feira (31). Na outra ponta da lista, 32 reservatórios estão com menos de 30% da capacidade.
No total, o volume acumulado dos 144 açudes é de 43,73%. No início de março, esse índice era de 39,32%, enquanto antes do começo da quadra chuvosa estava em 38,30%.
Entre os quatro maiores açudes do Estado, o Castanhão registra 24,48% da capacidade; o Orós, 84,15%; o Banabuiú, 28,56%; e o Araras, 68,61%