Comeu carne na Sexta-Feira Santa? Entenda a orientação da Igreja Católica

As diretrizes da abstinência e as alternativas à quebra do jejum são disciplinadas no Código Canônico.

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 12:14)
As datas da Semana Santa variam a cada ano conforme o calendário lunar adotado pela Igreja.
Legenda: As datas da Semana Santa variam a cada ano conforme o calendário lunar adotado pela Igreja.
Foto: Freepik.

A vedação ao consumo de carne vermelha durante a Sexta-Feira Santa, às vésperas do Domingo de Páscoa, é uma das tradições mais respeitadas pelos católicos. Mas como proceder se o fiel eventualmente ingerir esse tipo de alimento e descumprir o jejum religioso? 

Conforme havia explicado Dom Gabriel Alves do Amaral, do Mosteiro de São Bento de Fortaleza, ao Diário do Nordeste, a Igreja Católica vê a abstinência como um ato de penitência, devido à carne ser associada à festa.

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As normas que disciplinam a tradição estão previstas no Código de Direito Canônico. De acordo com o Cânon 1252, “estão obrigados à lei da abstinência os que completaram catorze anos de idade; à lei do jejum estão sujeitos todos os maiores de idade até terem completado sessenta anos”. 

Há exceções para quem comeu carne em alguns casos

Apesar da recomendação, há exceções previstas. Pessoas com problemas de saúde, gestantes, trabalhadores submetidos a esforço físico intenso e indivíduos em situação de vulnerabilidade que recebem carne como doação estão dispensados da prática. Nesses casos, a Igreja considera as condições individuais dos fiéis.

Contudo, o texto orienta que, mesmo nesses casos, as pessoas dispensadas do sacrifício sejam incentivadas a compreender o sentido da penitência.

Obras de caridade como substituição da abstinência

Por isso, uma eventual quebra desse “contrato espiritual” preocupa católicos. Nesses casos, a Igreja prevê reparação. O Cânon 1253 estabelece que outras formas de penitência podem substituir a abstinência. 

“A Conferência episcopal pode determinar mais pormenorizadamente a observância do jejum e da abstinência, e bem assim substituir outras formas de penitência, sobretudo obras de caridade e exercícios de piedade, no todo ou em parte, pela abstinência ou jejum”, determina o texto.

Entre as práticas recomendadas estão a realização de obras de caridade, como doações ao próximo, além de momentos de oração e reflexão. A própria Igreja incentiva que o jejum não seja apenas alimentar, mas também espiritual. 

Segundo a doutrina católica, o consumo deliberado de carne nesse dia é considerado pecado grave e deve ser confessado. Ainda assim, a Igreja reforça que o período da Semana Santa vai além de uma regra alimentar, sendo um convite à vivência da fé, à reflexão e ao compromisso com valores como solidariedade e sacrifício.

Semana Santa

Em 2026, a celebração ocorre em 3 de abril e marca a Paixão de Cristo, período em que a Igreja recomenda práticas de penitência, como a abstinência de carne.

Tradicionalmente, o alimento é substituído por opções mais simples, como peixe, ovos, legumes e grãos, em sinal de sacrifício e reflexão. A prática tem caráter simbólico e espiritual.

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