Cearense viraliza ao mostrar dupla jornada entre estudos e maternidade
A jovem Dandara Guerra, de 23 anos, compartilha nas redes sociais a dupla jornada que foi cuidar do filho e fazer faculdade ao mesmo tempo
O dia começa às 04h50. Ela se arruma primeiro para otimizar o tempo. Às 05h15 acorda o filho e segue em busca do sonho. Na bolsa, além do caderno e das canetas, leva as fraldas para trocar o pequeno Luiz Davi, de 3 anos. Essa era a rotina da estudante Dandara Guerra, de 23 anos, por um bom tempo. Graduanda em Enfermagem na Universidade Regional do Cariri (URCA), Dandara viralizou ao compartilhar o cotidiano nas redes sociais.
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Muitas vezes invisibilizado, o ato de cuidar é um dos trabalhos mais desvalorizados atualmente. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres dedicam, em média, quase dez horas a mais aos afazeres domésticos e de cuidados do que os homens.
Para Dandara é evidente que a experiência é distinta quando um homem se torna pai enquanto realiza um sonho, cercada por diversos fatores sociais, econômicos e culturais, “a maternidade e sonho não são opostos. Só que mulheres ainda precisam provar isso o tempo todo”, comenta Dandara sobre as questões sociais que a cercam.
Levar o filho para a faculdade foi, para Dandara, a prova da quebra de um estigma, visto que a maternidade e os sonhos são frequentemente encarados como caminhos opostos. No entanto, na realidade da estudante, eles se encontram.
“Levar meu filho junto comigo foi uma prova de adaptação, amor e persistência para mostrar que maternidade e sonho não são opostos. Só que as mulheres ainda precisam provar isso o tempo todo”, afirma.
“Todo homem precisa de uma mãe”, canta Zeca Veloso na música “Todo Homem”, mas o questionamento que fica é: e a mãe, precisa de quem? No caso de Dandara, o diferencial foi a rede de apoio formada por colegas de turma, familiares e amigos, uma realidade que, infelizmente, nem sempre é compartilhada por todas as brasileiras que enfrentam a dupla jornada.
O peso do cansaço e a rede que sustenta o sonho
Dandara conta que enfrentar uma jornada dupla é estar sempre negociando o tempo, e que, para além do cansaço físico, o que mais dificulta esse trabalho árduo é o esgotamento mental e o conflito constante de escolher entre estudar ou estar com o filho.
“Quando eu estava estudando, sentia que poderia estar com meu filho; quando estava com ele, pensava nas responsabilidades que me esperavam.”
A balança que nunca está na medida certa e a cobrança que pesa nos ombros, estar com o filho ou estudar, são dilemas que martelam e dificultam ainda mais o processo cansativo da graduação, segunda a estudante de enfermagem. A jovem apresentou seminários ao lado do filho, trocou fraldas no banheiro da faculdade e fez a introdução alimentar ainda na sala de aula.
A estudante conta ainda que não sentiu discriminação de perto. Na verdade, foi encorajada por sua iniciativa, recebendo sempre palavras de apoio e carinho, “As pessoas sempre me encorajaram pela minha iniciativa, sempre recebi palavras positivas relacionada a essa minha tomada de decisão”, compartilha Dandara.
O processo não foi nada fácil, mas Dandara ressalta que a rede de apoio foi indispensável durante o percurso. Cada um ajudava como podia; o acolhimento em um momento como esse se faz mais que especial, tornando a jornada mais leve e diminuindo o pesar das escolhas.
Recentemente, Dandara tirou as fotos de formatura ao lado do filho. Em um vídeo postado nas redes sociais, ela relembra o início: “Um dia você está levando seu bebê com você para a faculdade e, no outro, estão fazendo as fotos de conclusão do curso” mostrando assim que o apoio transforma trajetórias. Dandara faz jus ao sobrenome, não apenas sobreviveu a uma Guerra, ela a venceu com louvor.
Estagiário sob supervisão da editora Aline Conde*