CE tem 44 cidades em situação de emergência por seca ou estiagem; veja locais
Dados mais recentes do Monitor de Secas revelam que a seca extrema atinge 13,79% do território estadual.
As chuvas que atingiram a capital cearense e parte do interior do Estado neste ano não chegaram a todas as regiões igualmente. Prova disso é que atualmente o Ceará tem 44 cidades em situação de emergência por seca ou estiagem, e muitos desses decretos estão vigentes até os meses de julho, agosto e setembro deste ano.
Os dados são do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), levantados pelo Diário do Nordeste. Dos 44 municípios, 11 estão em emergência por seca e 33 por estiagem.
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Os dois fenômenos são similares, mas possuem durações distintas. Enquanto a estiagem é um período prolongado de baixa ou nenhuma pluviosidade em que a perda de umidade do solo é superior à sua reposição, a seca é uma estiagem prolongada durante período de tempo suficiente para que a falta de precipitação provoque grave desequilíbrio hidrológico.
As situações de emergência são oficializadas por meio de decretos municipais ou estaduais, e as solicitações são analisadas pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), que avalia a necessidade do reconhecimento federal. Quando aprovado, o município pode acessar recursos para socorro, assistência humanitária e recuperação de áreas atingidas.
Portanto, o reconhecimento da situação de emergência permite a obtenção de ajuda financeira para medidas emergenciais, como envio de kits de assistência, restabelecimento de serviços essenciais e recuperação de pequenas infraestruturas.
Veja lista das cidades afetadas:
Estiagem:
- Aiuaba
- Alto Santo
- Araripe
- Arneiroz
- Assaré
- Boa Viagem
- Campos Sales
- Canindé
- Caririaçu
- Catunda
- Caucaia
- Choró
- Deputado Irapuan Pinheiro
- Ererê
- Ibaretama
- Independência
- Irauçuba
- Itapajé
- Itatira
- Jaguaretama
- Jaguaribara
- Jaguaribe
- Limoeiro do Norte
- Milhã
- Mombaça
- Monsenhor Tabosa
- Paramoti
- Pereiro
- Potengi
- Quixadá
- Salitre
- Tabuleiro do Norte
- Tauá
Seca:
- Acopiara
- Ibicuitinga
- Madalena
- Morada Nova
- Pedra Branca
- Piquet Carneiro
- Potiretama
- Quixeramobim
- Saboeiro
- Senador Pompeu
- Solonópole
Seca extrema atinge 13,79% do Ceará
Além de ser a causa de decretos de emergência em algumas cidades, o fenômeno também é constantemente monitorado no território cearense: segundo os dados mais recentes do Monitor de Secas da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), a seca extrema permaneceu estável no Estado no mês de março e atinge 13,79% do território estadual.
O fenômeno se concentra especialmente na porção Leste do Estado, na região Jaguaribana e em municípioos litorâneos, como Aracati. Em março, 36 municípios cearenses registraram condição de seca extrema e enfrentaram problemas como escassez generalizada de água, restrições no abastecimento e perdas de culturas e pastagens.
A seca grave, no entanto, apresentou redução de cerca de 6% em relação ao mês de fevereiro; já a seca fraca aumentou de 8,88% para 15,13%, de acordo com a Funceme.
Os dados comparativos do mês de abril ainda não foram divulgados.
Regiões do CE tiveram volume acima da média em abril
No mês passado, sete das oito regiões acompanhadas pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) registraram chuvas acima do esperado. O período foi considerado o segundo mês de abril mais chuvoso dos últimos cinco anos no Ceará, com 209,5 milímetros (mm) registrados, volume quase 10% acima do esperado.
O período ficou atrás apenas de abril de 2024, quando foram registrados 224,9 mm, e bem acima de 2025, quando o Estado acumulou apenas 119,2 mm, cerca de 37% abaixo do esperado.
A única região com chuvas abaixo do esperado foi a região do Sertão Central e Inhamuns, que registrou 147,5 mm. A média esperada para o período é de 160,6 mm.
O maior volume foi registrado no Litoral Norte, com 348,9 mm acumulados, cerca de 44,3% da média de 241,8 mm para o mês.
Entre os municípios, Miraíma (no Litoral Norte) e Ararendá (na Ibiapaba) tiveram os maiores aumentos em relação ao esperado, com volumes 123,2% e 108,9% acima do esperado, respectivamente.
Cidades como Jijoca de Jericoacoara e Cruz também registraram volumes 90% ou mais acima do esperado.
Na outra ponta, Brejo Santo, Porteiras e Jardim, no Cariri, lideram as maiores quedas no volume de chuva, com cerca de 40% a menos que o esperado para o mês.