Aterro sanitário em Baturité tem cães em situação de abandono, denunciam protetores ambientais

Prefeitura informou que o caso está sendo apurado.

Escrito por
João Gabriel Tréz joao.gabriel@svm.com.br
(Atualizado às 15:32)
A imagem apresenta uma montagem com dois registros de cães em situação de abandono em um ambiente precário. Na esquerda, um filhote caramelo dorme sobre sacos de ráfia sujos, enquanto na direita, dois cãezinhos espiam de dentro de pneus empilhados em um terreno de terra.
Legenda: Laudo técnico da situação dos cães abandonados em aterro sanitário será produzido para nortear ações.
Foto: Reprodução.

Uma denúncia sobre cachorros vivendo em condições precárias em um aterro sanitário em Baturité será apurada por técnicos de secretarias da Prefeitura do município cearense.

A informação foi confirmada ao Diário do Nordeste pelo titular da Autarquia Municipal de Meio Ambiente de Baturité, Artur Emílio, nessa terça (7). Ações emergenciais estão sendo previstas para resolver a situação e incluem vacinação e castração.

Nas redes sociais, protetores de animais têm partilhado denúncias sobre o caso desde o final de março. Monara Uchoa, representante do movimento de proteção ambiental Salvem Guaramiranga, explica que inicialmente recebeu a informação de uma cadela filhote em situação de vulnerabilidade.

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"Centenas" de cães em condições de precariedade 

“Me desesperei, peguei algumas orientações com alguns profissionais e fui por conta própria da minha cidade, que é Pacoti, até Baturité. Chegando lá, infelizmente, ela tinha acabado de morrer. Além disso, o que mais me surpreendeu foi a quantidade de animais”, narra.

Conforme a protetora, ela foi informada no local que centenas de cachorros que viviam num lixão recentemente desativado tinham ocupado o terreno do aterro

Todas as condições que você possa imaginar de precariedade eu vi lá. Muitos urubus, lá é uma zona aberta e não tem área nem para eles se abrigarem, dormem na lama”, lista. A partir da situação, protetores da região e responsáveis pelo aterro buscaram o poder público.

Visita técnica inicial identificou 50 cães no local

No último dia 1º, representantes do setor de endemias e da Autarquia do Meio Ambiente foram ao local para averiguação do panorama. Segundo Artur Emílio, os agentes identificaram no local a presença de 50 cães. As denúncias iniciais afirmam que seriam pelo menos 400 animais na situação.

Na noite desta terça-feira (7), uma nova visita da equipe técnica foi realizada, inclusive com a presença do gestor, para a produção de um laudo aprofundado do panorama dos cães no aterro. Um drone foi utilizado para conseguir aumentar o alcance da contagem dos animais.

Após a conclusão dos laudos técnicos, Artur Emílio partilha que os passos posteriores incluem diálogo com diferentes instâncias e priorização de ações, cuidando primeiro dos animais com maior vulnerabilidade, como fêmeas grávidas.

“Primeiramente a gente está pensando em fechar com a secretária de endemias pra correr com a vacinação dos animais — vou conversar com eles a partir do laudo — e (também) conversar com o governo do Estado para fazer uma iniciativa de castração dos machos”, adianta.

Mutirões de adoção e pleito por centro de zoonoses

Após os cuidados que estão previstos para serem tomados a partir do laudo, o gestor aponta que outro passo futuro será estabelecer parcerias com instituições de acolhimento de animais para realizar mutirões de adoção.

Além das práticas mais emergenciais, Artur Emílio também partilha o plano de pleitear a instalação de um centro de zoonoses em Baturité ou algum município vizinho para atender demandas da região.

Os passos adiantados pelo gestor vão ao encontro das demandas da causa animal. “Nossa expectativa é que o município consiga dar assistência a esses animais com o mínimo: vacinação, coleira antiparasitária, atendimento veterinário”, diz Monara.

“Mesmo que não consigam pegar logo todos, mas que façam por etapas, cuidar, castrar e dar para feirinha de adoção responsável”, finaliza.

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