Prazeres do viver

Marco Antonio de Biaggi lançou seu livro "A Beleza da Vida", em Fortaleza. A obra destaca a doença que afastou o internacional hair stylist das tesouras, o caminho da superação e sua trajetória de sucesso no mundo das celebridades

Legenda: Para Marco Antonio de Biaggi, a beleza da vida está no presente, no agora. Sem preocupações com o futuro. A recomendação do cabeleireiro é faz o que gosta, com muito amor e intensidade
Foto: André Schirilo

 

Pela primeira vez no Ceará, o cabeleireiro das estrelas Marco Antonio de Biaggi apresentou sua biografia, intitulada "A Beleza da Vida", na 29ª edição da Feira Regional da Beleza, realizada de 13 a 15 de outubro, no Centro de Eventos do Ceará.

Quem participou da palestra se emocionou com os relatos do famoso coiffeur sobre sua luta para neutralizar o câncer e o aprendizado no processo de superação. Disposto e bem-humorado, Biaggi correspondeu às expectativas do público, com um sorriso largo e o brilho no olhar, de quem está preparado para viver com intensidade as surpresas da vida que ainda estão por vir.

A força explícita no vozeirão do cabeleireiro se repetia na firmeza da fala sobre o diagnóstico do linfoma não-Hodgkin. A descoberta da doença aconteceu em 2015, quando o menino, de origem pobre, nascido em Pirituba, São Paulo, vivia no topo da tão sonhada fama.

Contudo, o "Rei das Loiras", como Biaggi ficou conhecido no mundo das celebridades, não se deixou abater com a notícia. Fez punção, retirou líquido da medula e se internava três a cada 21 dias para as sessões de quimioterapia. Mesmo no período do tratamento, o coiffeur revela ter trabalhado todos os dias. "

Meu conselho para quem está em tratamento é tirar o foco da doença. Quem aguentar trabalhar vá, ficar em casa é desesperador, não ajuda em nada".

Segundo o hairstylist, as quimioterapias ocorreram sem muitos transtornos, o que mais o incomodou foi a queda do cabelo. "Sou vaidoso, trabalho com beleza. Quando começou a cair o meu cabelo, fiquei assustado. Mas cortei, usava boné e ficou tudo certo. No início da doença, não falava a verdade com medo de perder cliente, inclusive os contratos, que a exemplo de uma marca de cosméticos quando soube não renovou", desabafa.

Com a medicação que continua diariamente, Biaggi conseguiu neutralizar o linfoma. Porém, quando pensou que estava curado, sentiu uma falta de ar. Internado às pressas, o cabeleireiro passou seis meses no hospital. Nesse período, foram 45 dias de coma, uma cirurgia cardíaca de alto risco, 40 quilos a menos, uma escarre de 13 centímetros na região sacra, pernas cadavéricas e ainda numa traqueostomia.

Devoção

A fé e o pensamento positivo foram fundamentais na recuperação do coiffeur. "Em nenhum momento, pensei que fosse morrer. Só pensava em Deus e mentalizava coisas boas. Quando você está doente assim, não são apartamento de luxo, viagens a Nova York ou obras de artes. Eu só pensava em coisas simples, andar no calçadão de Copacabana, comendo acarajé e a comida da minha mãe".

Outra experiência que ficará para sempre na memória de Biaggi será a sede sentida quando estava entubado. Para evitar complicações nos pulmões, a água que recebia era a embebida em gazes. "Hoje, sempre que tomo um copo com água gelada, eu digo: 'Deus muito obrigada'. Gente daria tudo que conquistei por um copo de água gelada, porque eu sei o que é não poder beber".

Aprendizado

Para muitos pode ser assustador, mas a evolução espiritual, no processo de superação da doença, levou Biaggi a agradecer por ter sido diagnosticado com linfoma. "

No ritmo em que estava, não tinha volta. Trabalhava sem um domingo de descanso. Após o diagnóstico, descobri os prazeres da vida. Aprendi a viver o aqui, o agora, envolvido com o presente, com a mensagem que passo e com a que recebo de vocês. Hoje, vejo beleza nas coisas antes nunca enxergadas".

Após esses relatos, Biaggi alertou os profissionais da beleza, presentes em sua palestra, para que evitem excessos de trabalho. Consciente da rotina desacelerada, o coiffeur segue direitinho as recomendações do fisioterapeuta e os resultados dos exercícios para se recuperar de uma lesão medular são visíveis, Biaggi já está andando de bengala e andador. O retorno às atividades profissionais exige cautela.

"Voltei a trabalhar apenas no fim da tarde, mas agora converso com os amigos na rua, respiro. Posso dizer que é um novo despertar. Estou muito mais feliz. Descobri o prazer de palestrar, estou uma pessoa melhor. E posso dizer, você pode ser o melhor profissional do mundo, o mais poderoso, mas se não acreditar em Deus, está fadado a declinar", confessa.

Marco Antonio diz que se sentiu mais fortalecido com o apoio dos fãs, depois que tornou pública a doença. "Antes, eu passava nas ruas, e as pessoas falavam, olha o cabeleireiro da Galisteu (Adriane). Hoje, eles falam: força, eu te amo, estou rezando por você, vai sair dessa. Toquei milhões de pessoas com minha história na revista, no meu Instagram e no livro. Se você tocar na vida de uma pessoa, já valeu a pena. Por isso, assuma a doença e bola para frente, força em Deus e se aguentar, vá trabalhar", aconselha.

Conquista

Trinta anos de profissão, sendo 17 deles à frente do salão MG Hair Design, em São Paulo, registram a conquista da tão sonhada fama, perseguida por Marco Antonio de Biaggi, mesmo antes de se tornar cabeleireiro.

"Eu sempre quis fazer parte do mundo de celebridades, mas não sabia como. Um dia, passando em uma banca de jornal, vi uma revista com a Rosana Prado na capa. Daí tive um despertar. Vou me profissionalizar e ser famoso produzindo capas de revistas", revela.

Na primeira capa, Biaggi não foi feliz, era uma modelo de muito sucesso, o trabalho do coiffeur foi superelogiado, porém a moça morreu de overdose no dia em que a revista chegaria às bancas.

O melhor disso é que o contratempo cedeu lugar para o crescimento profissional do hairstylist que se consagrou como o "Rei das Capas", produzindo aproximadamente 1000 capas, incluindo famosas como Luma de Oliveira, Cláudia Raia, Sabrina Sato e Adriane Galisteu.

O cabeleireiro dividia o tempo entre o trabalho no salão e as produções das capas. Segundo ele, o convite para produzir Adriane Galisteu foi um divisor de águas na ascensão da carreira. Ela amou o resultado do look para a capa da revista Nova. No fim, ela falou: "

Se eu fechar com a Playboy hoje, te levo para Grécia. Três dias depois, eu estava embarcando com ela para fazermos a capa que mudou a vida dela e a minha".
Ao voltar para o Brasil, passou de cinco cortes para 30 por dia e se tornou o "Mago das Navalhas".

"A Sabrina é outra querida, no início, eu falei: Sabrina, você tem um corpo escultural, não gaste com bolsa ou vestido, isso sai da loja e perde o valor. Você é cheia de vida, coloca uma regata e um jeans e arrasa. Compre imóveis na planta. Um dia você vai lembrar disso. E ela conta isso no livro, achei muito bonitinho".

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