Confira lista de filmes e séries que debatem o racismo no terror
Filmes de terror ou horror com a temática racial têm se tornado uma tendência no universo cinematográfico
O racismo tem dividido espaço com monstros, espíritos e zumbis nas telas de cinema nos últimos anos. Isso porque esse problema social tem se tornado um tema recorrente nos filmes e séries dos gêneros horror e terror.
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"Recentemente as empresas de streaming estão percebendo que isso (filmes de terror com a temática racial) é um bom produto. Isso vende bem. A evidência do tema racial ligado a linguagens de gêneros cinematográfico mais conhecidos como o terror e o suspense se tornou um produto bom e vendável", atribui o crítico de cinema e professor da Academia Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, Juliano Gomes.
De olho nessa tendência, o Diário do Nordeste elencou uma lista de filmes e séries que tratam da questão racial não só no terror e horror, mas também em outros gêneros, como o suspense. Confira:
Corra! (Jordan Peele)
"Corra!" (2017) é um filme de suspense e terror psicológico do norte-americano Jordan Peele. A trama gira em torno de um casal interracial formado por Chris (Daniel Kaluuya) e Rose (Allison Williams), que viaja pra o interior para que ele seja apresentado à família dela.
Ao chegar na casa dos sogros, Chris, que é negro, descobre um segredo sombrio da família aparentemente amigável da namorada.
Lovecraft Country (HBO)
Com história adaptada do livro "Território Lovecraft", a série traz a história do ex-soldado Atticus Turner (Jonathan Majors), que deixa a Flórida para retornar para sua casa em Chicago após o desaparecimento de seu pai. Ao chegar em Chicago, Atticus reencontra a amiga de infância Letitia Lewis (Jurnee Smollet-Bell) e seu tio, George (Courtney B. Vance). O trio parte em uma viagem para Ardham, cidade para onde o pai de Atticus partiu em busca de pistas de sua esposa.
Durante a aventura, os personagens se deparam com estranhas mortes, envolvendo relatos de criaturas misteriosas. A história se passa na década de 1950, no contexto das leis segregacionistas, o que significa que o trio também precisa enfrentar a violência em meio à opressão racial. A produção tem Jordan Peele e J.J. Abrams como produtores executivos.
O curioso é que a obra é baseada na mitologia do horror cósmico, subgênero de terror criado pelo autor H.P. Lovecraft, autor de cunho racista, conhecido pela criação de monstros famosos, como o "Cthulhu". A ideia da série é adotar a metalinguagem ao criticar o racismo a partir de um subgênero desenvolvido por um autor que demonstrava em suas obras um racismo nada sutil.
O que ficou para trás (Netflix)
O mais novo filme de terror da Netflix aborda a crise imigratória na Europa. "O que ficou para trás" conta a história do casal de imigrantes Bol (Sope Dirisu) e Rial Majur (Wunmi Mosaku), que fugiu da guerra no Sudão do Sul para se refugiar no Reino Unido.
Após uma longa e dura travessia em alto mar, os sudaneses passam meses na detenção da imigração de Londres, enquanto aguardam asilo no país europeu. Ao serem transferidos da detenção para uma residência cedida pelo governo inglês, eles se deparam com um lugar sujo e inóspito, em uma vizinhança majoritariamente branca não receptível com a presença de negros e refugiados.
O casal sudanês também terá que conviver com uma ameaça sobrenatural no novo lar. Fatores que os fazem questionar se eles devem ficar em Londres custe o que custar ou se eles devem voltar para o Sudão.
Them (Amazon Prime Videos)
A série da Amazon Prime Video traz uma nova trama sobre a injustiça racial nos Estados Unidos a cada temporada. Na primeira, a produção audiovisual acompanha a história de uma família negra que se muda da Carolina do Norte em 1953, onde são vigentes leis segregacionistas de Jim Crow, para Los Angeles na perspectiva de uma vida melhor.
Ao se estabelecerem no novo bairro, inteiramente branco, o casal Henry (Ashley Thomas) e Lucky Emory (Deborah Ayorinde) precisa enfrentar, além das manifestações sobrenaturais na nova casa, o racismo estrutural e explícito existente nos Estados Unidos no contexto da década de 1950.
Ao longo de dez episódios, a série, que tem direção de Nelson Cragg, é repleta de vários tipos de demonstração de crime de ódio, desde o vocabulário carregado de ofensas às retratações racistas como blackface, e até gráficas cenas de tortura e violência física.
The Underground Railroad (Amazon Prime Video)
O seriado de dez episódios conta a história de Cora (Thuso Mbedu), uma escrava em fuga de uma vida de violência física e sexual sofrida em uma fazenda de plantação de algodão no Estado da Geórgia. Durante o trajeto, a protagonista precisa enfrentar o legado de sua mãe e da sua luta.
Ao longo da primeira temporada, a série se ambienta em uma "ferrovia subterrânea" - clandestina e verídica - utilizada pelos abolicionistas para ajudar escravos a fugirem do sul dos Estados Unidos para o norte. A história se passa no século XIX, anos antes da Guerra Civil norte-americana.
"The Underground Railroad" é baseada no livro homônimo de Colson Whitehead e tem direção de Barry Jenkins, diretor de "Moonlight: Sob a Luz do Luar". Embora não trate explicitamente do gênero terror ou horror, a série, lançada em maio de 2021 pela Amazon Prime, evidencia a tendência de discussão do racismo em produções cinematográficas.
Two Distant Strangers (Netflix)
O curta vencedor do Oscar 2021 traz em sua narrativa a história de um jovem negro que é assassinado todos os dias por um policial branco. Na produção, o personagem acorda sempre no mesmo dia com o objetivo de voltar para casa, onde está seu cachorro, mas no meio do caminho é ele morto pelo mesmo policial.