Com Silvero Pereira e Lorena Nunes, produtora cearense lança série documental sobre a Umbanda

O projeto estreia nesta quinta-feira (21), Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, no Youtube

Legenda: Ponto-Cantado celebra a musicalidade da Umbanda e as raízes africanas
Foto: Divulgação

Numa comunhão de vozes e sons, o projeto audiovisual ‘Ponto-Cantado’ estreia nesta quinta-feira (21), Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, para manter viva as histórias dos povos de terreiro de Umbanda. A série documental da produtora Peixe-Mulher reúne os artistas cearenses Silvero Pereira, Lorena Nunes, Gil Pereira, Telma Lima, Vic Andrade e Bruno Esteves.  

Ainda hoje, será realizada uma live, às 20h, com o antropólogo Jean dos Anjos para debater o tema 'Umbanda no Ceará - Histórias e Narrativas' que será transmitida no Instagram da produtora. 

Em cinco episódios, que serão lançados semanalmente, a série remonta com entrevistas e sessões sonoras as relações desses artistas com as entidades e falanges espirituais umbandistas. O escolhido para a estreia traz Silvero cantando para Exus e Pombagiras.  

“Não só a data de estreia foi escolhida propositalmente, mas o vídeo também. Começamos com os Exus, que são as figuras mais marginalizadas da Umbanda, associadas por muitas pessoas ao diabo”, explica a jornalista Renata Monte, diretora do projeto que foi fomentado com recursos da Lei Aldir Blanc.  

Legenda: No primeiro episódio, Silvero Pereira canta para Exus e Pombagiras
Foto: Divulgação

Nos seguintes, Mãe Maria, Preta Velha, que guarda Lorena Nunes é retratada pela cantora por sua calmaria e afago. Já Gil Pereira, mestre do Ukilombo Capoeira, vem na força dos Caboclos. O terceiro traz a força de Oxalá pela artista, sucateira e mãe de santo Telma Lima. Por último, a dupla Vic e Bruno festejam a alegria dos Erês, cantando para a pequena índia Tapúia. 

As mais de 15 horas de gravação em apenas um dia rendeu um trabalho gratificante, segundo Renata.

"Tava todo mundo muito envolvido com a energia do ambiente, existiam forças ali se movimentando pra propiciar que tudo acontecesse o melhor possível. Foi emocionante ouvir os relatos dos artistas", declara. 

Para preservar a cultura 

De acordo com Renata, essa série já era algo bastante idealizado por ela e pela percussionista Luana Caiubi, que assina a direção musical, mas não havia nada concreto. A ideia era realizar uma ferramenta de auxílio para manter esse registro vivo.  

“Eu sou mulher de terreiro e vejo que muitas das contações de histórias da Umbanda vão se perdendo e mudando, porém, uma vez que essas narrativas são musicalizadas elas conseguem permanecer vivas”, afirma.  

Em um país historicamente racista e intolerante com as religiões de matrizes africanas, o projeto tem um apelo didático para ajudar a desmistificar os pré-conceitos atribuídos à Umbanda. “As pessoas ainda têm medo, acreditam ser algo ruim, por isso quisemos mostrar também as vivências desses artistas”, pontua Renata.  

“A gente quer que as pessoas percebam a Umbanda como algo cultural também, porque as ritualísticas dessas religiões envolvem performance, teatro e música. É um trabalho de cena, de trilha sonora. Já que não aceitam a Umbanda como religião, que seria o ideal, queremos que enxerguem ela pelo menos como um ritual artístico pra mudar um pouco desse olhar”, acrescenta a jornalista.  

Vivências nos terreiros  

As diretoras escolheram cinco falanges para guiar os episódios e, dessa forma, levantaram os possíveis nomes de artistas que participariam do projeto. "Todos foram escolhidos a partir da própria relação que eles têm com a Umbanda e eles mesmos foram se encaminhando pra qual linha tinham mais afinidade, foi um trabalho muito coletivo", relata a diretora. 

Lorena Nunes tem a Umbanda como um caminho de conexão, um templo de força. Para ela, os Pretos Velhos são guias ancestrais. “Esse projeto é de uma relevância, pois precisamos cada vez mais falar sobre isso pra trabalhar o preconceito que existe e reforçar nossos direitos. Me sinto feliz e privilegiada de fazer parte da construção dessa narrativa antirracista", diz. 

Legenda: Bruno e Vic contam um pouco sobre as vivências com a Umbanda
Foto: Divulgação

A cantora Vic Andrade, que participa do quinto episódio, conta que a relação com a  espiritualidade afroindígena brasileira emergiu a partir do contato com a arte. Foi cantando, dançando e batucando que o desejo de se aproximar da Umbanda e Candomblé despertou. Há anos, ela frequenta diferentes terreiros de Fortaleza e toca em dois afoxés.  

“Eu vejo a umbanda como um arcabouço cultural e espiritual do Brasil. Um território onde nós honramos nossos ancestrais, os donos dessa terra pindorâmica que chamamos de Brasil. Participar desse projeto foi uma alegria. Eu gosto de estar junto de projetos artísticos que tem força, razão de ser”, explica Vic que integra a banda Viramundo.  

Serviço 

Lançamento Ponto-Cantado
Hoje (21), às 21h, no Youtube

Live de lançamento com o antropólogo Jean dos Anjos
Hoje (21), às 20h, no Instagram

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