Cinema feito por Mulheres (CE) promove mostra audiovisual on-line infantojuvenil

Exibição de curtas-metragens e contação de histórias em libras acontece gratuitamente pelo Canal do YouTube Cinemul do Ceará

Escrito por Roberta Souza , roberta.souza@svm.com.br
Cena do filme
Legenda: “O Som da Floresta”, uma realização coletiva Casa Amarela, será transmitido hoje na programação do Cine Pipa

Olhar para quem está em processo de formação e oferecer um conteúdo alinhado com questões como respeito à infância,  à natureza, à  diversidade, às diferenças e aos direitos humanos é a bússola do Cine Pipa, Mostra Infantojovenil de Cinema para todas as idades. Viabilizada com recursos da Lei Aldir Blanc, a programação gratuita e virtual começou ontem (18) e prossegue hoje (19), por meio do Canal do YouTube Cinemul do Ceará.

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A curadoria da mostra é da Cinemul (Cinema feito por Mulheres) do Ceará, atualmente composta por quatro integrantes: Emilly Guilherme, 25, bacharel em audiovisual, curadora, cineclubista e produtora cultural; Lia Mota, 28, comunicadora e multiartista; Marina Holanda, 26, comunicadora multilinguagem; e Lorena Soares, 33, administradora e produtora cultural. 

Juntas desde 2019, elas iniciaram 2020 realizando uma pesquisa de filmes de animação feitos por mulheres, buscando animadoras cearenses, mas, também rompendo com o território do Ceará e adentrando outros estados do País e até fora dele. Com a oportunidade dos editais da Lei Aldir Blanc, veio a ideia de estruturar uma mostra para o público infantojuvenil.

Construção

“Nos guiamos por um desejo de curar diferentes perspectivas de uma mesma fase da vida de todes nós: a infância; ao mesmo tempo que transformamos esse discurso em uma programação aberta e assistida por um público de todas as idades. Assim trazemos um debate horizontalizado para adultos e jovens  entenderem o mundo em que vivem com todas suas especificidades: sociais, raciais , inclusivas , mágicas e territoriais”, destacam as idealizadoras. 

Cena do filme
Legenda: "Mãos de Vento Olhos de Dentro”, de Susanna Lira, também está na seleção da Mostra

No primeiro dia de Cine Pipa já foram exibidos os filmes “A mais bela sonhadora” e “Evoluindo”, ambos uma realização coletiva Casa Amarela; “Por que Heloísa”, de Cristina Soares, e “Os Cabelos de Yami”, de Luizete Vicente e Rebeca Barbosa. Hoje (19), é a vez de conferir “Mãos de Vento Olhos de Dentro”, de Susanna Lira, “O Som da Floresta”, realização coletiva Casa Amarela, e “Guerra dos Bárbaros”, de Júlia Manta.

As diferenças acompanham os processos criativos das curadoras, cuja conciliação de interesses parte também do respeito pelas respectivas vivências e olhares.

“Quando a gente surgiu, não existia nenhuma coletiva com esse recorte específico de curadoria voltada a um Cinema feito por Mulheres no Ceará, sobretudo, atentando para mulheridades interseccionais, abraçando como pautas centrais questões de raça, classe, territórios, mulheres cis e trans, homens trans, não-binárias. Também é uma questão cara para nós, ser mais uma janela para produções não-hegemônicas urgentes”, detalham.

Além da seleção de curtas, a contação em libras é uma contrapartida do projeto Cine Pipa, e será feita pela professora, tradutora e contadora de histórias Lyvia Cruz, que traz duas histórias para o público infantojuvenil: “Maria e o Peixinho” e “A menina do Leite”. A sessão terá narração para público ouvinte e acontecerá após a exibição dos filmes.

Projetos

A conquista do recurso de R$12.200,00, pelo inciso III da Lei Aldir Blanc por meio da Secultfor, na categoria de grupos artísticos foi significante para as integrantes da Cinemul. “Além de nos remunerar por um trabalho que já realizamos de maneira independente, muitas vezes não-valorizado, também estamos redistribuindo esse incentivo, investindo na contratação de mais três profissionais para a realização do projeto: Nerice Esteves na Assessoria de Comunicação, Lux Farr na Direção de Arte e Clara Capelo, na construção do site que irá comportar nosso histórico de atuação, além das janelas de exibição deste e possíveis projetos futuros”, explicam.

Foto das integrantes da Cinemul
Legenda: Emilly Guilherme, Lia Mota, Lorena Soares e Marina Holanda são as atuais integrantes da Cinemul Ceará
Foto: Acervo pessoal

As curadoras observam, porém, que o processo de execução da distribuição do recurso federal na pandemia foi conturbado desde o início, considerando os prazos pré-estabelecidos. “Enquanto coletiva contemplada por este fomento pela primeira vez, enfrentamos o desafio de executar segundo prazos apertados, que comprometem a qualidade das realizações. Endossamos, juntamente com vários segmentos da classe artística, a necessidade de ampliação do prazo de execução dos projetos culturais aprovados pela Lei Aldir Blanc”, reforçam.

Além do Cine Pipa, a Cinemul também teve outro projeto aprovado por essa legislação emergencial. “Estamos no processo de pré-produção de uma ação formativa virtual chamada Curadoria por Mulheres. Iremos compartilhar nossas experiências na composição de sessões para mostras e cineclubes, pensando sobretudo, em quais imagens estamos a perpetuar”, finalizam as integrantes.

Serviço:

Cine Pipa - Mostra Audiovisual Infantojuvenil
Hoje (19), a partir das 16h
Exibição de curtas-metragens e contação de histórias em libras no Canal do YouTube do Cinemul: https://www.youtube.com/channel/UC4_18zMVwcBd-Ufi3Xk0IGQ. *Cem inscritos no canal permitirão a personalização do link.
Gratuito. Mais informações no site da Cinemul do Ceará.

 

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