Hoje é Dia do Maracatu: origem, curiosidades e onde celebrar a data em Fortaleza

Praia de Iracema será palco da festa, com participação de várias agremiações

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Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: Dia do Maracatu é comemorado no dia 25 de março porque é a data em que se celebra a libertação dos escravos no Ceará, em 1884
Foto: Thiago Matine

Cultura, tradição e ancestralidade. Celebrado neste sábado (25), o Dia Municipal do Maracatu evoca esse tripé enquanto desfila pelas ruas da Capital. A programação para festejar a data acontece na Praia de Iracema, a partir das 16h, realizando o clássico cortejo pelo calçadão.

Ao todo, serão 14 agremiações partindo do Centro Cultural Belchior em direção ao Estoril. A realização é da Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor).

O evento deseja promover a valorização dessa manifestação, registrada como Patrimônio Imaterial de Fortaleza em 2016. Integrando o cortejo, estarão os maracatus Solar, Rei do Congo, Nação Baoba, Nação Palmares, Obalomi, Vozes da África, Rei Zumbi, Nação Pici, Axé de Oxossi, Nação Iracema, Rei de Paus, Nação Fortaleza, Az de Ouro e Leão de Ouro.

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Quais são as origens do Maracatu 

Em Fortaleza, pelo menos, o Dia do Maracatu – criado oficialmente pela Lei Municipal nº 5.927 de 1984 – é comemorado no dia 25 de março porque é a data em que se celebra a libertação dos escravos no Ceará, em 1884. 

Não à toa, por ser o primeiro estado a abolir a escravatura, quatro anos antes da Lei Áurea, o escritor José do Patrocínio batizou o Estado como Terra da Luz.

Por outro lado, falando-se de Brasil, o Maracatu surgiu em meados de XVIII no estado de Pernambuco durante o período em que pessoas negras ainda eram escravizadas. 

É um movimento da cultura popular que envolve música, dança e história – além de figurinos extravagantes, que remetem à cultura africana, indígena e portuguesa.

Com a abolição da escravatura no Brasil, no fim do século XVIII, o Maracatu passou gradualmente a ser caracterizado como fenômeno típico dos carnavais recifenses, como ocorreu com o Frevo e outras práticas populares brasileiras.

Contudo, após intenso processo de decadência dos maracatus de Recife durante quase todo o século XX, ocorreu nos anos 1990 o que podemos chamar de “Boom do Maracatu”.

A prática adquiriu uma notoriedade que nunca havia conquistado antes, resultado, entre outras coisas, da ação do Movimento Negro Unificado (MNU) junto a Nação Leão Coroado (uma das nações mais tradicionais de Recife), do movimento Mangue Beat e do grupo Nação Pernambuco.

Curiosidades

Entre as principais curiosidades da manifestação está a espiritualidade. Ela é um dos traços mais característicos, sobretudo pela relação com as religiões de matriz africana.

Outro atributo que merece atenção são as danças, repletas de semelhanças com o candomblé. Bem elaboradas – especialmente as das baianas e das damas do paço – chamam o público para mais perto e promovem um verdadeiro espetáculo de cor e movimento.

Há também dois tipos de maracatu: o maracatu nação e o maracatu rural. A expressão mais antiga é o Maracatu Nação, também chamado de Baque Virado. Ele é feito em cortejo, em que são conduzidas bonecas negras feitas de madeira e ricamente vestidas, as chamadas calungas.

Legenda: Evento deseja promover a valorização dessa manifestação, registrada como Patrimônio Imaterial de Fortaleza em 2016
Foto: Chico Gomes

Os dançarinos do maracatu nação representam personagens históricos, sendo o rei e a rainha títulos conquistados de forma hereditária. A composição do cortejo, por sua vez, é formada entre 30 e 50 componentes, seguindo sempre uma ordem específica.

Por outro lado, o Maracatu Rural ou Baque Solto é típico de Nazaré da Mata, município localizado na Zona da Mata de Pernambuco. Apareceu posteriormente ao Maracatu Nação, despontando por volta do século XIX.

Os participantes são basicamente trabalhadores rurais. Há uma figura bastante importante nesse tipo de vertente, que é o caboclo de lança. Ele se veste de forma bastante característica, com um grande volume de fitas coloridas na cabeça, uma gola coberta de lantejoulas e uma flor branca pendurada na boca.

Diferentes formas, mas tudo e sempre Maracatu.


Serviço
Cortejo em comemoração do Dia do Maracatu
Neste sábado (25), com concentração a partir das 15h. Saída - Centro Cultural Belchior (Rua dos Pacajus, 123 - Praia de Iracema)/ Chegada -  Estoril (Rua dos Tabajaras, 397 - Praia de Iracema)

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