Abdulrazak Gurnah vence Prêmio Nobel de Literatura 2021, quarta pessoa negra a receber a distinção

Anúncio foi feito nesta quinta-feira (7) pela Academia Sueca; desde 2012 a honraria não premia um autor que não fosse europeu ou norte-americano

Legenda: O autor não possui obras publicadas no Brasil; no total, sua produção consiste em dez romances publicados e alguns contos
Foto: Divulgação

O africano Abdulrazak Gurnah é o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura deste ano. O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira (7) pela Academia Sueca, durante conferência de imprensa transmitida de forma virtual. O literato é a quarta pessoa negra a receber a cobiçada distinção.

A instituição justificou o prêmio concedido ao escritor "por sua penetração intransigente e compassiva dos efeitos do colonialismo e do destino do refugiado no abismo entre culturas e continentes". Desde 2012 que a Academia Sueca não dedicava a honraria a um autor que não fosse europeu ou norte-americano.

Abdulrazak Gurnah nasceu em 1948, no arquipélago de Zanzibar, na Tanzânia, África. O autor se mudou para a Inglaterra aos 20 anos de idade para estudar, retornando ao continente africano no começo dos anos 1980 para ensinar Literatura na Universidade de Kano, na Nigéria. 

Logo retornou ao Reino Unido para finalizar o doutorado na Universidade de Kent, onde se tornou diretor do departamento de Inglês. Gurnah se especializou em literatura pós-colonialista, especialmente de países africanos, caribenhos e da Índia. 

O autor não possui obras publicadas no Brasil, apenas uma traduzida em Portugal - "Junto ao Mar", editada em 2003 pela Difel. No total, sua produção consiste em dez romances publicados e alguns contos.

O tema da vida dos refugiados permeia cada um dos trabalhos, não à toa foi um dos elementos destacados pelo júri do Nobel da Literatura na defesa de sua distinção.

Histórico

Entre uma lista de 200 autores nomeados (por entidades e academias literárias de vários países e por escritores que receberam o Nobel) foram neste ano escolhidos cinco candidatos finais.

Durante o verão europeu, todos os membros da Academia Sueca — composta agora por 18 membros, sete deles nestas funções há três anos —, leram as obras desses cinco candidatos, já que este é um prêmio dado ao conjunto de obras de determinado autor. 

Depois, para o nome ser o escolhido, é preciso recolher pelo menos um voto a mais do que a metade das indicações do júri. O prêmio, assim, é atribuído a um autor pelo mérito literário. 

No ano passado, o prêmio foi atribuído à norte-americana Louise Glück. A escritora também não tinha até então livros publicados no Brasil, mas um volume com poemas escritos entre 2006 e 2014 por ela saiu neste ano pela Companhia das Letras.

Em 2016, a honraria foi concedida a Bob Dylan. Depois, ficou suspensa e foi entregue em dose dupla à polaca Olga Tokarczuk​, que recebeu o prêmio relativo a 2018, e ao austríaco Peter Handke, a 2019. 

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