Paciente com ELA trava batalha judicial para deixar hospital e ficar em home care

Mulher de 63 anos foi diagnosticada com Esclerose Lateral Amiotrófica em 2024.

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Redação producaodiario@svm.com.br
Exames especializados são cruciais para diagnosticar a ELA. Foto de apoio ilustrativo.
Legenda: Exames especializados são cruciais para diagnosticar a ELA. Foto de apoio ilustrativo.
Foto: Gorodenkoff/Shutterstock.

Há meses, a família de uma mulher de 63 anos diagnosticada com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) trava uma verdadeira luta contra um plano de saúde após a operadora negar à paciente o serviço de home care.

Diagnosticada com a doença em 2024, Izabel Peralta Fortunato está em uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), em São Paulo, há mais de 150 dias e teve o quadro agravado pela ausência de estrutura adequada no hospital, de acordo com a família.

Segundo a apuração do g1, a necessidade de cuidado especializado fora do equipamento de saúde já foi aprovada por peritos judiciais, que atestaram a importância do home care. Por outro lado, o plano de saúde da paciente, afirma que ela não tem condições de alta.

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Atualmente, Izabel já não fala e se comunica unicamente por um dispositivo que capta o movimento dos olhos. Por meio dele, ela concedeu entrevista ao g1 e afirmou, com lucidez, que ainda tem muito a viver.

"Não quero morrer. Ainda preciso brincar com meu neto Gael. Ficar mais um pouco com o meu amor. Ver minha filha Munique se casar com o Lucas. Ver minha filha Natália ser muito feliz com seu marido. Estou à espera da cura, se Deus quiser", declarou à reportagem.

Segundo a família de Izabel, o home care foi concedido após o diagnóstico, mas interrompido no fim de 2024. Para continuar com o serviço, familiares fizeram empréstimos para conseguir arcar com os custos por conta própria.

No entanto, em outubro do ano passado, Izabel começou a ter agravamentos no quadro de saúde e apresentou desconforto respiratório. Por isso, em novembro, foi levada a um hospital de emergência e, desde então, não conseguiu deixar o hospital por não ter mais a possibilidade do home care. 

O processo judicial que busca garantir o direito da paciente ao home care novamente tramita desde 2024, ainda sem uma solução efetiva entre as partes.

O que é ELA?

Conhecida pela sigla ELA, a Esclerose Lateral Amiotrófica é uma condição neurodegenerativa que destrói os neurônios motores, células responsáveis por enviar ao cérebro os comandos de movimento. Por isso,  pacientes da doença perdem, de forma progressiva, a capacidade de se mover.

Os primeiros sinais da doença podem ser confundidos com outros problemas de saúde e incluem fraqueza na mão, alterações na voz e dificuldade para caminhar.

A doença não tem cura, mas tratamentos especializados podem desacelerar a progressão do quadro, preservando as funções vitais do paciente por mais tempo.