Operação prende ex-estagiário do MP e chefe de investigadores suspeitos de serem infiltrados do PCC

Foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária.

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Redação producaodiario@svm.com.br
1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) participou de operação.
Legenda: 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) participou de operação.
Foto: Arquivo/Reprodução/Instagram.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deflagrou, nesta terça-feira (9), a Operação Infiltrados, novo desdobramento das Operações Pronta Resposta e Off White, que investiga a suposta infiltração de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em órgãos públicos.

A ação também apura esquemas de corrupção, vazamento de informações sigilosas e extorsão. Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), com apoio do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) de Campinas, da Corregedoria da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Penal estão a frente do caso.

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Ao todo, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior paulista.

Entre os alvos estão um ex-estagiário do Ministério Público, um chefe de investigadores da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (DISE) de Campinas e um ex-policial civil já expulso da corporação anos atrás por envolvimento em extorsão mediante sequestro.

As investigações tiveram origem na Operação Pronta Resposta, deflagrada em agosto de 2025 para apurar a atuação de uma organização criminosa ligada ao PCC que estaria planejando um atentado contra o promotor de Justiça do GAECO Amauri Silveira Filho.

Encontro com criminoso

Durante o avanço das apurações, o GAECO descobriu que um dos principais suspeitos de coordenar o plano para assassinar o promotor se reuniu, dias antes da operação policial, com o chefe dos investigadores da DISE de Campinas. Vídeos apreendidos pelos investigadores mostram o encontro entre os dois, ocorrido às vésperas da ação que acabou frustrando o suposto atentado.

A suspeita é de que informações privilegiadas e sensíveis sobre as investigações tenham sido repassadas ao integrante da facção criminosa.

Outro núcleo investigado revelou um esquema ainda mais preocupante. Segundo o Ministério Público, um estagiário lotado em uma Promotoria Criminal de Campinas teria se infiltrado propositalmente na instituição para acessar bancos de dados e sistemas internos. Com as informações obtidas, ele teria identificado criminosos com elevado poder financeiro e passado a exigir dinheiro em troca de suposta proteção contra investigações.

De acordo com o GAECO, o esquema contava com a participação de outros agentes públicos, incluindo um policial penal e um ex-policial civil. As investigações também apontam que parte das extorsões pode ter sido praticada utilizando a conexão de internet de um escritório de advocacia.

Por envolver integrantes da Polícia Civil e da Polícia Penal entre os investigados, a operação contou com a atuação das corregedorias das duas instituições. A Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também acompanhou o cumprimento dos mandados realizados em escritório de advocacia.

As investigações prosseguem para identificar a extensão da atuação do grupo e esclarecer a eventual participação de outros agentes públicos no esquema criminoso.