‘Tia adotiva’ de cearense que se passou por criança foi responsável por descobrir golpe
Amanda Maria alegava falsamente ser portadora de autismo e de outras condições clínicas.
Amanda Maria Souza de Oliveira, a cearense de 37 anos que se passou por uma criança de 12, foi descoberta por uma "tia adotiva", segundo a Polícia Civil de Santa Catarina ao jornal Folha de São Paulo, nesta terça-feira (9).
A "tia" seria uma amiga da família que acolheu a mulher e conviveu com Amanda, que se apresentava como Gabriele. A amiga estranhou o comportamento da suspeita e encontrou matérias sobre golpes similares aplicados no Rio de Janeiro, em 2023.
Ao notar a semelhança dos casos e imagens, resolveu mostrar ao pai adotivo as reportagens. Foi então que a família resolveu levar o caso à polícia. A denúncia foi apresentada no dia 29 de maio, e a cearense presa em 2 de junho.
O advogado de defesa disse à Folha que aguardará a conclusão da perícia médica para comentar o mérito do caso.
Quem é Amanda Maria Souza de Oliveira?
Amanda chegou ao estado procurando uma igreja, afirmando ter fugido do Pará após sofrer maus-tratos. Ela foi acolhida por uma família durante 14 meses, recebendo ajuda financeira da comunidade religiosa.
“Para sustentar o disfarce ao longo desse período e ganhar a confiança da família, a mulher alegava falsamente ser portadora de autismo e de outras condições clínicas. Ela justificava sua aparência física adulta argumentando que seus traços eram decorrentes do uso forçado de hormônios durante a infância”, informou a PCSC.
Além disso, para reforçar o papel de criança, a suspeita mantinha comportamentos infantilizados, utilizando rotineiramente chupetas, mamadeiras e objetos lúdicos.
Cearense tinha histórico de golpes
Diligências policiais apontam que a autuada é reincidente nessa modalidade criminosa, acumulando antecedentes penais por golpes idênticos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
Durante o interrogatório formal, a conduzida confessou integralmente a autoria dos fatos. Após a lavratura do auto de prisão em flagrante e os procedimentos de polícia judiciária, a suspeita foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville, onde permanece à disposição do Poder Judiciário.
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Como ela enganava a família em Santa Catarina?
De acordo com a Polícia Civil de Santa Catarina, para sustentar o disfarce, Amanda dizia ter sido diagnosticada com autismo e outras condições clínicas.
Além disso, ela alegava que os traços adultos eram consequência do uso forçado de hormônios na infância, quando teria sido abusada.
A suspeita também adotava comportamentos infantilizados, como uso de mamadeiras, chupetas e um "cheirinho" para dormir.
Outro ponto é que a família relatou que era acordada constantemente, à noite, com crises forçadas de pânico para ela conseguir atenção.
"O pai e a mãe adotivos ficavam com ela e a tratavam como criança porque ela se fazia passar como criança. Tentaram matricular ela numa escola, só que ela não aceitava, dizia que tinha medo, inventava uma história de que o pai biológico iria descobrir e retirar ela da família adotiva", explicou o delegado.