Ex-enteada de Jairinho detalha agressões que sofria aos 5 anos: 'Ele me afogava com o pé'
Ex-verador foi condenado a mais de 43 anos pela morte de Henry Borel.
Uma jovem de 18 anos protagonizou um dos momentos mais marcantes, e sensíveis, dos 11 dias de julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros, acusados pela morte de Henry Borel, aos quatro anos de idade.
Em depoimento perante o 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, a mulher afirmou ter sido vítima de agressões de Jairinho quando tinha apenas cinco anos.
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Segundo ela, os episódios ocorriam tanto na casa onde vivia com a mãe e o ex-vereador carioca quanto em motéis, onde era levada por ele para sofrer violências dentro da piscina.
"Ele ficava me afundando até eu encostar no chão. Aí me soltava, eu respirava e ele me afogava de novo com o pé dele me empurrando até o chão várias vezes", disse.
A testemunha também relembrou quando precisou usar um gesso no braço após Jairinho agarrá-la com muita força.
Ela ainda afirmou que nunca contou nada à mãe porque não queria preocupá-la. "Eu falava que, se eu contasse para minha mãe, ela ia ficar muito triste", desabafou.
Violências só foram descobertas após o fim da relação
Também ao júri, a mãe da jovem afirmou que só descobriu o que a filha sofria mais de um ano após o fim do relacionamento dela com Jairinho. Segundo ela, a filha revelou os episódios enquanto assistia a uma reportagem sobre violência infantil.
"Ela começou a chorar e falou que ele fazia isso comigo. Ela falou que ele batia, batia na cabeça dela, torcia o braço dela", relatou.
Ambas as testemunhas foram utilizadas pela acusação para sustentar a tese de que Jairinho mantinha um histórico de violência contra crianças.
Jairinho condenado pela morte de Henry Borel
Na madrugada da última quinta-feira (4), Jairinho foi condenado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo pela morte do enteado. A pena total fixada para o ex-parlamentar foi de 43 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão.
Já a acusação de homicídio doloso contra Monique Medeiros, mãe do menino, foi desclassificada pelos jurados. O Conselho de Sentença entendeu que houve negligência em sua conduta, reconhecendo a prática de homicídio culposo.
Ao justificar a decisão, a magistrada afirmou que Monique foi submetida, ao longo dos últimos cinco anos, a uma reação social que classificou como desproporcional e marcada por questões de gênero.