Legista descarta tese de acidente doméstico no caso Henry Borel

Julgamento dos réus Jairinho, padrasto do menino, e Monique Medeiros, mãe da vítima, continua neste sábado (30).

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Redação producaodiario@svm.com.br
Foto de uma sala de visualização de julgamentos no 2º Tribunal do Júri, no centro do Rio de Janeiro. Sala tem parede de vidro que dá para assistir a sessão. Contém cadeiras com pessoas sentadas.
Legenda: Quinto dia de julgamento durou 19 horas.
Foto: Brunno Dantas/TJRJ.

O médico-legista Luiz Carlos Leal Prestes descartou a tese de acidente doméstico no caso do menino Henry Borel, morto em 2021 aos 4 anos de idade. Segundo o especialista, ouvido durante o quinto dia de julgamento do caso nesta sexta-feira (29), as lesões foram feitas antes da morte. 

“Essa versão de acidente doméstico é totalmente fantasiosa. As 14 lesões encontradas foram feitas antes da morte. Fora essas, outras três que vimos no laudo cadavérico são compatíveis com as manobras cardíacas e ele já estava sem vida”, disse em depoimento.

Os depoimentos técnicos ocuparam boa parte da sessão, que começou por volta das 9 horas de sexta-feira e terminou às 4h20 da madrugada deste sábado (30), durando cerca de 19 horas.

Os réus são Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, padrasto do menino, e Monique Medeiros, mãe da criança. 

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Segundo a denúncia do Ministério Público, o menino foi vítima de agressões praticadas por Jairinho, enquanto Monique teria se omitido diante dos sinais de violência.

Os dois respondem por homicídio triplamente qualificado e outros crimes relacionados ao caso. Eles são julgados pelo 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio.

Conforme Prestes, o corpo da criança apresentava múltiplas lesões em diferentes regiões, incompatíveis com uma única queda. Os ferimentos teriam ocorrido em momentos distintos de agressão.

Colagem mostra imagens de Jairinho, Henry Borel e Monique Medeiros para ilustrar matéria sobre julgamento do caso.
Legenda: Casal é acusado de assassinar criança de 4 anos, em março de 2021.
Foto: Divulgação/PCRJ e reprodução.

Monique passou mal e foi liberada da sessão

Durante o depoimento dos legistas, fotos do cadáver de Henry foram apresentadas. Monique Medeiros passou mal e precisou ser atendida pela equipe do tribunal. Ela foi dispensada do restante da sessão de julgamento. 

Horas depois, Jairinho também deixou o tribunal. De acordo com seus advogados, o ex-vereador não se sentia bem e precisou receber medicação. Nenhum dos dois acompanhou o depoimento de Leniel Borel, pai da criança.

Pai do menino atribuiu responsabilidade da morte à Monique

Leniel Borel afirmou, em depoimento, que Monique Medeiros ignorou sucessivos sinais de que o filho estaria sofrendo violência. Por esta razão, o pai da criança considera Monique também responsável pela morte de Henry.

Segundo Leniel, antes de deixar Henry na casa da mãe pela última vez, o menino chorou, teve ânsia de vômito durante o trajeto e se agarrou ao pai ao ver Monique. 

Questionado pela juíza Elizabeth Machado Louro sobre o motivo de ter devolvido a criança mesmo assim, Leniel disse que temia perder a guarda compartilhada caso descumprisse o acordo com a ex-mulher.