Antes de morrer, Gabriel Ganley revelou usar insulina para ganho de massa
Utilização da substância por pessoas sem diabetes é contraindicada e oferece riscos à saúde.
Antes de ser encontrado morto em São Paulo (SP), no último sábado (23), o fisiculturista Gabriel Ganley revelou que usava insulina para aumentar a massa muscular. Contraindicada para não diabéticos, a substância oferece riscos à saúde e, em uma ocasião anterior, teria feito o influenciador passar mal.
O estudante de Educação Física, de 22 anos, ganhou notoriedade nas redes sociais na época em que defendia um fisiculturismo sem o uso de hormônios. No entanto, o posicionamento dele mudou após um quadro de pneumonia. Então, em junho do ano passado, após se recuperar, Gabriel contou aos seguidores que teria começado a tomar insulina para ganhar massa magra.
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No entanto, o medicamento teria causado um mal-estar no criador de conteúdo: "Começou a me dar muita confusão mental", detalhou nas redes sociais, conforme informações do Fantástico.
No último sábado, o fisiculturista foi encontrado sem vida por um amigo no apartamento onde residia, na Zona Leste de São Paulo. Segundo o atestado de óbito, a causa da morte foi cardiomiopatia hipertrófica no coração.
Por que fisiculturistas usam insulina?
Essencial para levar a glicose do sangue para dentro das células, a insulina é indicada para pessoas com diabetes, pois age para controlar os níveis de glicose no corpo. No entanto, no fisiculturismo há pessoas que recorrem ao hormônio para aumentar o armazenamento de nutrientes no músculo.
"No chamado 'fisiculturismo moderno', muitas vezes existe uso ilícito de insulina", destaca o endocrinologista Bruno Geloneze, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "Muitas vezes ela é combinada com esteroides anabolizantes e hormônios do crescimento", explica ao jornal Folha de S. Paulo.
No entanto, uma dose inadequada de insulina pode reduzir a glicose a níveis perigosos, podendo causar um quadro de hipoglicemia. A condição acontece quando a concentração de açúcar cai para valores inferiores a 70 miligramas por decilitro de sangue. Em quadros leves, pode provocar sintomas como confusão mental, tontura, taquicardia, visão embaçada, entre outros; já em casos mais graves, pode levar ao óbito.
O uso irregular de insulina por não diabéticos também eleva o risco de arritmias cardíacas e, quando realizado por tempo prolongado, pode fazer o organismo desenvolver resistência à substância, provocando, no futuro, um quadro de diabetes.