Caso Igor Peretto: investigadores negam crime premeditado e triângulo amoroso
Depoimentos afastam versão do Ministério Público e apontam crime cometido por impulso; delegado é o único a sustentar premeditação
Quase um ano após a morte do empresário Igor Peretto, de 27 anos, em Praia Grande (SP), investigadores responsáveis pelo caso negaram a tese de premeditação e também descartaram que houvesse um trisal entre os acusados — hipótese levantada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).
As declarações vieram à tona durante audiência que pronunciou Mário Vitorino — apontado como autor das facadas — e Marcelly Peretto, irmã da vítima, para serem julgados por júri popular.
Já Rafaela Costa, esposa de Igor e separada na época do crime, foi solta na última sexta (17), após o juiz entender que não há provas suficientes que a liguem ao homicídio. Mesmo assim, o MPSP recorreu da decisão.
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Polícia descarta premeditação
Em juízo, os policiais que atuaram diretamente na investigação foram categóricos: não houve planejamento para matar Igor.
O investigador José Carlos Salvador afirmou que “não foram encontradas mensagens, conversas ou provas” que apontassem para um crime premeditado.
Segundo ele, a motivação foi passional, marcada por ciúmes e descontrole. Salvador também negou a versão de trisal, explicando que “tratava-se de um triângulo amoroso, com relações distintas, não simultâneas”.
O chefe dos investigadores, Marcelo Ferreira da Silva Pereira, reforçou a conclusão: “O que ficou claro foi o descontrole, não um plano”. A investigadora Katherine Verburg Cramer, que analisou dados dos celulares dos acusados, confirmou que nenhuma conversa entre eles indicava qualquer combinação prévia.
Perícia reforça versão de crime por impulso
Para o psicólogo criminal Christian Costa, que avaliou Mário Vitorino, o assassinato foi consequência de um surto de emoção e não de cálculo.
Ele observou que o número de golpes e a confusão da cena indicam “uma briga intensa, não uma execução”.
O médico legista Luiz Belmonte Netto, responsável pela necropsia, concordou. Segundo ele, as marcas de luta no corpo da vítima apontam que houve reação e confronto físico, sem sinais de premeditação.
Apesar disso, o perito destacou que Marcelly não pediu socorro enquanto o irmão era morto em um dos cômodos do apartamento.
Delegado mantém tese de premeditação
Único a divergir, o delegado Renato Magazão Júnior, responsável pelo inquérito, acredita que o crime foi planejado.
Para ele, as conversas e a movimentação dos réus antes do assassinato indicam que “havia um acordo prévio”. Mesmo assim, o delegado também descartou o termo “trisal”, atribuindo-o à imprensa.
“Eles viviam relações paralelas, mas não ao mesmo tempo”, explicou.
O crime
Na madrugada de 31 de agosto de 2023, o grupo havia saído de uma festa e seguiu para o apartamento de Marcelly, no Residencial Vogue, em Praia Grande. Câmeras de segurança registraram cada movimento.
Rafaela deixou o local às 5h40; 13 segundos depois, Mário e Igor chegaram juntos. Minutos depois, uma discussão se transformou em tragédia. Mário atacou Igor com uma faca, matando o empresário no local.
Em seguida, Mário e Marcelly fugiram pelas escadas, seguiram de carro até o interior paulista e se encontraram com Rafaela em um posto de gasolina, antes de seguirem viagem até Campos do Jordão.
Poucos dias depois, Marcelly e Rafaela foram presas preventivamente. Mário foi capturado em Torrinha, no interior do Estado.
Com a recente decisão da Justiça, Rafaela responde em liberdade, enquanto Mário e Marcelly aguardam o julgamento no tribunal do júri, que deverá ocorrer nos próximos meses.