STF não aceitará 'coação' ou 'obstrução' da Justiça, diz Moraes no julgamento de Bolsonaro
O ministro é o relator do processo que imputa ao ex-presidente da República o crime de liderar organização criminosa que tentou abolir o Estado Democrático de Direito
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou, nesta testa terça-feira (2), no início do julgamento do "núcleo crucial" ou "núcleo 1" da recente tentativa de golpe de Estado no Brasil, que a Corte não aceitará "coação" ou tentativa de "obstrução" da Justiça — seja ela interna ou externa. O discurso do ministro foi feito após uma fala introdutória do presidente da Primeira Corte do Supremo, Cristiano Zanin, e abriu as sustentações orais da audiência.
Relator do processo que imputa ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) o crime de liderar uma organização criminosa que atentou contra o Estado Democrático de Direito, Moraes declarou, também, que as instituições não devem se acovardar ou se omitir na busca pela pacificação do País.
"A história nos ensina que a impunidade, a omissão e a covardia não são opções para a pacificação. A pacificação do País, que é o desejo de todos nós, depende do respeito à Constituição, da aplicação das leis e do fortalecimento das instituições", alegou o magistrado.
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Julgamento de Bolsonaro
O STF julga, desta terça até o próximo dia 12, a ação penal 2668, aberta pela Corte ao aceitar denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR). São acusados 31 réus, divididos em quatro núcleos:
- Núcleo 1: envolve oito réus, incluindo Bolsonaro, e é considerado o núcleo "central" ou "crucial" da articulação golpista.
- Núcleo 2: conta com seis réus que são acusados de disseminar informações falsas e ataques a instituições democráticas.
- Núcleo 3: é formado por dez réus associados a ataques ao sistema eleitoral e à preparação da ruptura institucional.
- Núcleo 4: sete réus serão julgados por propagação de desinformação e incitação de ataques às instituições.
Quem são os réus do 'núcleo 1'?
- Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
- Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
- Almir Garnier Santos (almirante), ex-comandante da Marinha;
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
- Augusto Heleno (general da reserva), ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República;
- Mauro Cid (tenente-coronel), ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
- Paulo Sérgio Nogueira (general), ex-ministro da Defesa;
- Walter Braga Netto (general da reserva), candidato a vice-presidente na chapa de 2022 e ex-ministro de Bolsonaro.
O grupo responde por cinco crimes:
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Tentativa de golpe de Estado;
- Participação em organização criminosa armada;
- Dano qualificado;
- Deterioração de patrimônio tombado.
Entenda o caso
Em novembro de 2024, o STF recebeu da Polícia Federal o relatório final sobre a investigação de uma tentativa de golpe de Estado no Brasil. Foram coletadas provas ao longo de dois anos, por meio de quebras de sigilos telemáticos, telefônicos, bancários e fiscais, além de colaboração premiada, buscas e apreensões, entre outras medidas.
Ao todo, 37 pessoas foram apontadas como integrantes do grupo. Os autos foram encaminhados à PGR, e 34 pessoas foram denunciadas em fevereiro deste ano.
Conforme a PGR, Bolsonaro era o chefe da organização criminosa que planejou, inclusive, o assassinato ou a prisão de autoridades, como o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes. No entanto, o Supremo acatou a denúncia contra apenas 31 dos 34 acusados.