Camilo Santana nega articulação para assumir o Ministério da Justiça
Aliados do petista avaliam que ele reúne credenciais políticas e administrativas para ocupar o cargo.
O ministro da Educação, Camilo Santana (PT), negou qualquer articulação para ele assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Nesta quinta-feira (8), questionado pelo PontoPoder sobre a possibilidade, ele disse que tomou conhecimento da especulação apenas no momento da entrevista.
A movimentação nos bastidores do Palácio do Planalto ganhou força após o anúncio da saída de Ricardo Lewandowski do comando da pasta. Paralelamente, o Planalto estuda uma reestruturação da área, com a possibilidade de desmembrar a atual pasta, mantendo o Ministério da Justiça e criando outro voltado exclusivamente para a Segurança Pública.
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Apesar da negativa pública, o nome do ex-governador do Ceará tem circulado com força nos bastidores do Palácio do Planalto. Conforme apurou o PontoPoder, na noite de quarta-feira (7), uma reunião comandada pela ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, discutiu cenários para a sucessão de Lewandowski. Na conversa, Camilo foi um dos nomes mais citados.
Aliados do governo avaliam que o ministro da Educação reúne credenciais políticas e administrativas para ocupar o cargo, considerado estratégico no governo Lula.
Um dos principais entusiastas da ideia é o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT). A leitura do deputado é que, com Camilo no Ministério da Justiça, ficaria aberto o caminho para sua própria candidatura ao Senado no Ceará em 2026.
Gleisi Hoffmann vê com simpatia a possibilidade de Camilo assumir a Justiça e pretende levar o nome ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A área de Justiça e Segurança Pública figura entre os principais desafios do PT para o ciclo eleitoral deste ano. Tanto nacionalmente quanto no Ceará, preocupa o avanço das facções criminosas, que ampliam sua capacidade financeira e buscam influência no sistema político.
Governo do Ceará
Em meio a essas tratativas, a indefinição sobre a disputa pelo Governo do Ceará atua como fator de contenção.
Interlocutores do Planalto ponderam que, caso a oposição avance nos próximos meses, Camilo poderia ser chamado a disputar novamente o Executivo estadual como candidato de Lula — cenário que exigiria sua desincompatibilização em tempo hábil.