Brasil decide deixar representação da embaixada da Argentina na Venezuela
Mudança teria relação com o apoio de Javier Milei à operação militar dos Estados Unidos no território venezuelano.
O governo Lula (PT) decidiu deixar de administrar a embaixada da Argentina na Venezuela. Os presidentes dos dois países já foram comunicados da decisão brasileira nesta semana, conforme informações divulgadas pelo jornal La Nácion.
O Brasil assumiu a representação diplomática da Argentina na Venezuela em agosto de 2024, a pedido do governo de Javier Milei. Naquela época, o presidente Nicolás Maduro havia determinado a expulsão de diplomatas argentinos do país.
A recente decisão do governo brasileiro teria relação com a postura de Javier Milei sobre a operação dos Estados Unidos na Venezuela, que culminou com a captura de Maduro na semana passada.
Enquanto o governo brasileiro tem condenado a ação, Milei elogiou o presidente Donald Trump e mostrou apoio à operação. O mandatário argentino também publicou um vídeo em que Lula aparece abraçado com Maduro, o que teria irritado a gestão do petista.
Por outro lado, uma fonte do Ministério das Relações Exteriores indicou ao jornal O Globo que a avaliação é que o Brasil já cumpriu a missão de representação diplomática e que outros países podem exercer a função.
Em paralelo, há avaliação de que o cenário é propício para a mudança após a intervenção dos Estados Unidos.
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Ainda segundo o La Nácion, a Itália deve assumir a embaixada da Argentina na Venezuela, a pedido de Milei. Não houve manifestação oficial do Itamaraty sobre o caso até a última atualização.
ASILO POLÍTICO
Sob a custódia brasileira, a embaixada da Argentina atuou na defesa de seis opositores de Maduro, todos ligados à líder da oposição María Corina Machado. Eles ficaram abrigados na representação diplomática argentina.
O Itamaraty teria, inclusive, auxiliado os seis a deixarem o país rumo aos Estados Unidos em maio de 2025, cerca de um ano após receberem asilo na embaixada.
Todos tinham recebido ordens de prisão por “ações violentas”, “terrorismo” e “desestabilização” do regime da Venezuela, de acordo com O Globo.