De José de Alencar a Stênio Gardel: cearenses estão em lista de leitura de Bolsonaro
Acervo específico do DF pode ser lido e resenhado para reduzir a pena.
A defesa de Jair Bolsonaro, condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito, solicitou a diminuição da pena por meio da leitura. Na lista pré-selecionada do sistema penitenciário do Distrito Federal, há mais de cinco livros escritos por cearenses como José de Alencar, Rachel de Queiroz e Stênio Gardel.
O pedido foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, nesta quinta-feira (8). Caso seja aprovado, será possível abater quatro dias da pena para cada obra lida e avaliada. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão.
Além de clássicos como "Quarto de Despejo", de Carolina Maria de Jesus; "O Processo", de Kafka; "Crime e Castigo", de Dostoiévski, a lista está recheada de obras brasileiras e cearenses.
O Nordeste concentra nomes de escritores como Ariano Suassuna, Jorge Amado, Aluísio Azevedo, Graciliano Ramos e José Lins do Rêgo.
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Patativa do Assaré
O escritor Patativa do Assaré, reconhecido como Patrono da Cultura Popular do Ceará, aparece na lista com a obra "Aqui tem coisa". O livro aborda a realidade nordestina, destacando "o sofrimento da pobre classe operária e do agregado sem nome que vive sofrendo fome, pedindo reforma agrária".
Patativa nasceu em 5 de março de 1909, em Assaré, na região do Cariri cearense. Em julho de 2002, morreu aos 93 anos. Ele se consolidou como um dos principais nomes da literatura popular brasileira, deixando um legado que lhe garantiu a conquista de títulos honoríficos e prêmios internacionais.
Rachel de Queiroz
A jornalista e escritora Rachel de Queiroz aparece com o livro "O Quinze", que constrói um retrato da seca no Nordeste. Neste romance, publicado em 1930, os leitores acompanham o vaqueiro Chico Bento, assim como o fazendeiro Vicente e sua prima Conceição.
Existe uma evidência das desigualdades no Nordeste, assim como a luta pela sobrevivência naquela época.
Aos 26 anos, Rachel de Queiroz tomou posse como a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras (ABL). Posteriormente, abriu postar para contemporâneas suas, como a carioca Nélida Piñon.
Stênio Gardel
O escritor Stênio Gardel representa o Ceará com o livro "A Palavra que Resta", lançado em 2021 pela Companhia das Letras. A obra aborda a trajetória de Raimundo, um homem analfabeto de 71 anos. Em sua juventude, ele viveu um amor secreto com um homem e, por cinquenta anos, guardou uma carta que nunca pôde ler.
Quando há uma virada de chave, Raimundo se vê diante do seu passado, atravessando conflitos familiares e a dor de ocultar sua sexualidade. Com essa obra, venceu o prêmio National Book Award na categoria tradução para a língua inglesa.
José de Alencar
Já o escritor José de Alencar aparece na lista com três obras:
- Senhora (quadrinhos)
- O Guarani (quadrinhos)
- Iracema (adaptação)
O cearense é conhecido como um dos principais nomes do romantismo brasileiro, conseguindo abordar a miscigenação brasileira ao explorar a história. Ele considerava tanto aspectos do campo urbano, quanto a presença de indígenas.
Ronaldo Correia de Brito
Em "Galileia", obra de Ronaldo Correia de Brito presente na lista, são abordados debates sobre os imigrantes, a vida no Nordeste e a busca por melhores condições de vida. Neste livro, três primos atravessam o sertão do Ceará para visitar o avô Raimundo Caetano.
Apesar de ser o patriarca de uma grande família, ele está em estado de decadência. Os três primos tentaram fugir da vida no campo, buscaram reconstruir a sua vida em Recife, São Paulo e Noruega. Mas ao voltarem para o lugar de origem familiar, percebem que nunca escaparam de todo do destino que os cerca.
O escritor Ronaldo Correira de Brito nasceu em Saboeiro, no Ceará, em 1951. Morador de Recife, é médico e escritor, sendo conhecido por suas peças teatrais. Além disso, também publicou contos, romances e crônicas, vencendo diversos prêmios com sua obra.