Ao comentar movimento de caminhoneiros, Bolsonaro diz que 'não pode ir para o tudo ou nada'

A declaração foi dada nesta sexta-feira (10), no Palácio do Alvorada

Presidente falando
Legenda: Bolsonaro espera que a greve dos caminhoneiros seja encerrada até domingo
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Pressionado por apoiadores após “carta à nação” na qual diz que ameaças ao Supremo Tribunal Federal (STF) durante os atos de 7 de setembro ocorreram no “calor do momento”, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) negou ter recuado e disse que não dá para “ir para o tudo ou nada”. As informações são do O Globo

A declaração foi dada nesta sexta-feira (10), no Palácio do Alvorada. O chefe do Executivo acrescentou que espera pelo fim da greve dos caminhoneiros até o próximo dia 12. Na quarta-feira (8), ele mandou áudio para a categoria para pedir que as rodovias fossem desbloqueadas. 

“Você quando quer matar um verme, às vezes mata a vaca. Até domingo, se ficar parado, a gente vai sentir, mas se passar disso, complica a economia do Brasil. Ninguém tá recuando. Não pode ir pro tudo ou nada”, justificou a bolsonaristas. 

Nesta quinta, Bolsonaro já havia afirmado que as manifestações não poderiam passar de domingo, sob pena de prejudicar o abastecimento nacional. E já tinha buscado abrandar os efeitos sobre apoiadores de sua "carta de recuo". Hoje, ele confirmou que o ex-presidente Michel Temer editou o documento.

Apesar de a possível mudança de posicionamento ter causado desalento em parte dos aliados, ao ser questionado por um apoiador se a suposta mudança de postura poderia resultar na soltura do deputado preso Daniel Silveira (PSL-RJ), o presidente se mostrou incomodado e disse que, sobre algumas coisas, não poderia comentar. "Tem coisas que não posso falar com você".

Apoiadores decepcionados com o presidente 

Após a publicação da carta, o pastor Silas Malafaia também criticou o recuo do presidente da República e disse que o ministro Alexandre de Moraes "continua a ser um ditador".

"Continuo aliado, mas não alienado! Bolsonaro pode colocar a nota que quiser, Alexandre de Moraes continua a ser um ditador da toga que rasgou a Constituição e prendeu gente inocente. Minhas convicções são inegociáveis", escreveu em redes sociais.

Ao jornal Folha de S.Paulo, Malafaia diz ainda não falou com o presidente a respeito, mas fez uma suposição.

"Como Temer é quem indicou Alexandre, quer dizer, tem uma comunhão muito grande – estou supondo, hein? –, pode ser um acordo: Bolsonaro dá um passo atrás para Alexandre de Moraes encerrar esses inquéritos. Estou supondo, tá? Se não for isso, aí vou dizer pra você que o presidente vai ficar em maus lençóis com a base dele", apontou.

O blogueiro bolsonarista Allan Santos foi outro aliado a se manifestar nas redes sociais:

"A realidade: a nota foi horrorosa e uma confissão de bravata. A mentira: que desejo ver o presidente fora do poder. A lição: não defenda seu sentimento contra a realidade, mesmo que isso custe caro, cumpra o que você promete".