BNB: novo presidente quer focar em logística, saúde e educação

Alexandre Borges Cabral também quer abrir oportunidades de reconstruir cadeias produtivas no Nordeste no período após a pandemia. Ele toma posse do cargo na manhã de hoje (2), na sede do BNB, em Fortaleza

Novo presidente do BNB, Alexandre Garcia Cabral
Legenda: O nome do novo presidente teria sido indicado pelo deputado federal Júnior Mano (PL)

Eleito ontem (1º) pelo Conselho de Administração do Banco do Nordeste (BNB) como novo presidente da Instituição, Alexandre Borges Cabral disse que tem como um dos focos de sua gestão o mercado de logística, os serviços, além da integração produtiva entre diversos setores, como agropecuária e indústria. Cabral chegou, ontem à noite, a Fortaleza, onde toma posse no cargo na manhã de hoje (2), na sede do banco, na Capital. Ele assume o lugar de Romildo Rolim.

"O banco é a grande instituição de desenvolvimento da região. Temos a expectativa de atuar em algumas falhas de mercado: infraestrutura logística, setor de serviços com foco nas carências como saúde e educação, além de integração produtiva, quer seja no setor agropecuário, quer na indústria", afirmou.

'Minha indicação foi técnica', afirma novo presidente do BNB

Segundo ele, o Nordeste vai ter muitas oportunidades de retomar cadeias produtivas no período pós-pandemia e de reforçar as políticas econômicas para micro e pequenas empresas nordestinas.

"Acredito que o mundo pós-pandemia vai abrir muitas oportunidades de reconstruir cadeias produtivas no Nordeste brasileiro. Trará grandes oportunidades para micro e pequenos negócios, que já é um dos focos do banco. E temos certeza de conseguir alcançar todas essas frentes contando com o apoio do qualificado corpo de funcionários do Banco do Nordeste, um excelente time do qual faço parte há mais de 30 anos".

O nome do novo presidente teria sido indicado pelo deputado federal Júnior Mano (PL), eleito no Ceará, e membro do grupo político batizado de Centrão, cuja aproximação com o presidente Jair Bolsonaro tem sido visível nos últimos dias. Na última quinta-feira (28), Bolsonaro assegurou que não havia negociação para entrega de ministérios, bancos públicos ou empresas estatais em troca de apoio político.

O então presidente Romildo Rolim, também funcionário de carreira do BNB, estava no cargo desde 27 de dezembro de 2017. Rumores sobre a troca da presidência do banco surgiram desde a posse de Bolsonaro, em janeiro do ano passado. Fontes ouvidas pela reportagem disseram que não havia qualquer rumor de substituição no BNB ao longo da última semana.

Perfil

Profissional com 34 anos de experiência na área financeira e funcionário de carreira do BNB, Cabral foi também presidente da Casa da Moeda do Brasil (2016-2019) e coordenador da área de Atração de Investimentos do Governo do Estado do Ceará (2004-2007). Recentemente, atuava como executivo no Escritório de Promoção e Atração de Investimentos e Relacionamento Institucional do Banco do Nordeste no Rio de Janeiro.

Alexandre Cabral é administrador, formado pela Universidade Estadual do Ceará, com MBA pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais, curso de Avaliação Financeira e Econômica de Projetos Industriais, pela Universidad de Los Andes, na Colômbia, e especialização nas áreas de Crédito Rural, Crédito Industrial e Crédito à Infraestrutura, pelo Banco do Nordeste.

Balanço

Em 2019, os aportes da instituição com recursos próprios e do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) geraram ou mantiveram 618,2 mil empregos no Ceará. Ao todo, foram aplicados R$ 8,2 bilhões no Estado, distribuídos em 1,79 milhão de operações, um crescimento de 7% em financiamentos.

O volume aplicado no Ceará no ano passado representa 20% do total desprendido pelo BNB em todo a região de atuação do banco, que inclui os estados do Nordeste e norte de Minas Gerais e do Espírito Santo (R$ 42,16 bilhões).

A instituição aplicou mais de R$ 4,1 bilhões do FNE no Ceará, em mais de 75 mil operações em 2019. Cerca de 64% dos recursos do Fundo foram para micros, pequenas ou pequenas-médias empresas. As médias e grandes empresas tiveram os 36% restantes.