Setor empresarial aguarda planos para retomar atividade

Em conversa com empresários, o médico Claudio Lottenberg, presidente do conselho do Hospital Albert Einstein e presidente do Lide Saúde, disse que é preciso pensar planos considerando a realidade de cada estado

Legenda: Lideranças debateram caminhos para lidar com a crise provocada pela pandemia de Covid-19

Com a expectativa de que o pico de casos do coronavírus no País ocorra já nos próximos dias, setores empresariais estudam planos de ação para a saída da quarentena e para o retorno das atividades conforme as demandas específicas de cada setor. Durante uma live promovida pelo Lide Ceará, na tarde de ontem (30), o médico Claudio Lottenberg, presidente do conselho do Hospital Albert Einstein e presidente do Lide Saúde, disse que é preciso pensar planos considerando a realidade de cada estado e municípios levando em consideração, por exemplo, fatores como densidade populacional, disponibilidade de médicos e de leitos por habitante.

Para Lottenberg, no entanto, as medidas deveriam seguir alguns aspectos fundamentais como uma política nacional para realização de testes em massa, por meio do SUS e de farmácias; o uso de máscaras; regras de distanciamento social, em vez do isolamento; e uso de telemedicina. "Com a curva atingindo o pico nos próximos dias, o ministro da Saúde deveria apresentar um plano para a reabertura junto com os governadores, liberando pequenos comércios, pessoas com menos de 60 anos sem comorbidades. E, ao mesmo tempo, monitorando a capacidade instalada de UTIs", disse.

Durante a live, cujo tema era "A Crise: Saúde, Política e Economia. Como enfrentar?", Lottenberg ressaltou, no entanto, que falta governança por parte do Governo Federal para orientar estados e municípios na questão da saúde. "Isso tudo vai depender das condições que nós temos em cada região do País. Acho que a gente fugiu das questões mais estruturantes, entramos em um debate político e perdemos o foco das coisas que já poderíamos ter feito".

Para Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo e presidente da IBÁ, os impactos econômicos do coronavírus no Brasil podem se agravar ainda mais pela “falta de coordenação” e pela “falta de diálogo” entre os poderes do governo central e dos estados e prefeituras.

“O Brasil entrou na crise como um dos países mais endividados do mundo. Tínhamos um tempo para nos preparar e não usamos bem o tempo”, disse. “A atual crise é muito mais potente se comparada a qualquer crise que nós vivemos e tem um aspecto econômico, social e político”.

Durante o evento, Hartung também criticou a falta de diálogo entre os poderes. “Vejo que há um olhar para as eleições de 2022. Mas em uma crise como essa é preciso que os líderes estejam juntos”.

A live do Lide Ceará que contou com a participação dos empresários Beto Studart, presidente do grupo BSPAR, Deusmar Queirós, presidente do conselho da rede de farmácias Pague Menos, Lauro Fiúza, diretor financeiro e sócio da Servtec, dentre outros convidados.

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