Bolsa volta a patamar anterior à pandemia; dólar despenca 3,2%

Com alta de 2,743%, a 91.046 pontos, Ibovespa retoma nível pré-pandemia

Legenda: Ibovespa fechou no maior patamar desde um dia antes de a OMS anunciar a pandemia
Foto: Foto: Divulgação

A Bolsa brasileira voltou aos 91 mil pontos ontem (2) devido ao otimismo de investidores com a reabertura das economias globais após paralisações nas atividades de modo a conter o avanço da Covid-19.

O Ibovespa fechou em alta de 2,743%, a 91.046 pontos, o maior patamar desde 10 de março, um dia antes da Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar que havia uma pandemia do novo coronavírus em curso no mundo, com a sua disseminação em todos os continentes.

O apetite por risco também se refletiu no dólar, que despencou 3,22%, a R$ 5,2130, menor valor desde 14 de abril - antes de Luiz Henrique Mandetta (ex-ministro da Saúde) e Sergio Moro (ex-ministro da Justiça) deixarem o Governo de Jair Bolsonaro.

Essa é a mais forte desvalorização percentual diária desde 8 de junho de 2018, quando o dólar desabou 5,5%. "A queda da Bolsa em março criou várias oportunidades de compra, com empresas mais baratas que seu patrimônio. Agora, com a flexibilização da quarentena, vemos a volta de algumas atividades do comércio, materializando a retomada. Mas é uma expectativa de melhora da economia e não, necessariamente, algo que já tenha ocorrido", pondera Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.

Reabertura

Apesar da onda de protestos nos Estados Unidos e no Brasil, investidores repercutem a reabertura de Europa e EUA, ao passo que o número de novos casos da doença desacelera nessas regiões.

Também contribui para o viés positivo o novo pacote de estímulo que está sendo desenhado pelo governo alemão, de cerca de 100 bilhões de euros, e a compra, segundo a Bloomberg, de soja americana por chineses.

Tensões recentes entre os poderes Executivo e Judiciário no Brasil foram apontadas por analistas como fator de impulso para o dólar, que acumula alta de 30% contra o real em 2020. As incertezas políticas, somadas a um ambiente de juros baixos e crescimento fraco, levaram o dólar a R$ 5,90 em 13 de maio. Desde então, a moeda recua 11,7%.