Carta aberta ao Ano Novo: 2026, abra as asas sobre nós
A quem interessa a desmoralização de nossas instituições? – eis uma pergunta, mais uma, para a qual, infelizmente, não há resposta até este momento.
Bom dia, senhor Ano Novo! Estamos todos apostando todas as nossas fichas em você, 2026. Não nos frustre. Ajude-nos a resolver pelo menos os nossos maiores problemas nacionais, incluindo o da crise moral que, de uns meses para cá, se abateu sobre toda a estrutura político-administrativa do país, incluindo – imagine! – o Poder Judiciário. A quem interessa a desmoralização de nossas instituições? – eis uma pergunta, mais uma, para a qual, infelizmente, não há resposta até este momento.
Ontem – último dia do inolvidável 2025, marcado por vários escândalos, como o do INSS e o do Banco Master, sem falar no das emendas parlamentares – esta coluna, na hora do almoço, juntou a fome da curiosidade com a vontade de comer opiniões e colher informações e comentários.
À mesa de um famoso buteco da Aldeota, sentaram-se este colunista e dois empresários – os mesmos que duas semanas atrás, no mesmo endereço etílico-gastronômico, opinaram sobre temas da economia. Eles derramaram suas reclamações “contra o que se passa”, e o senhor, aguardado Ano Novo, precisa de informar-se a respeito.
Os empresários, logo no início da conversa, concordaram em que, apesar de todo o esforço da Procuradoria Geral da República e da Polícia Federal, a corrupção, como um monólito, não cede um milímetro. Pelo contrário, ela amplia, agora na velocidade do frevo, a sua presença em diferentes setores da vida brasileira, para o que passou a contar, de uns anos para cá, com a incrível colaboração do Crime Organizado (assim mesmo, com letras maiúsculas, formando a sigla CO) cujos braços chegaram à Avenida Faria Lima, sede do Sistema Financeiro Brasileiro.
Por meio de fintechs, o CO – que trocou os arriscados assaltos a bancos por algo mais discreto, sofisticado e sem risco – atua no mercado oferecendo crédito a juros baixos, no que lava dinheiro de origem ilícita. O CO é, também, entre outras coisas, de acordo com investigações da Polícia Federal, um distribuidor de combustíveis com filiais em quase todo o país, sendo dono de postos de gasolina em grandes cidades das várias regiões da geografia brasileira.
Um dos empresários suscitou a questão da origem do CO. Quem o chefia? Quem compõe o seu organograma e como ele opera?
“Não há dúvida, depois de tantas operações e de minuciosas investigações, de que a Polícia Federal sabe o nome, o endereço, o CPF, o tipo sanguíneo, a naturalidade e a nacionalidade dos líderes do CO. O que nos estranha é a falta de divulgação desses preciosos detalhes. Mas eu tenho a certeza de que a PF e o Ministério Público ainda não divulgaram a identidade dos chefes do CO porque prosseguem aprofundando as investigações. Daqui a pouco, podem anotar, a PF revelará tudo o que sabe, e esses chefes serão presos. Se eles serão julgados e condenados, aí é outra história”, expôs o empresário.
O outro empresário concordou com a tese, acrescentando, todavia, sua desconfiança quanto ao que se passa na questão do Banco Master, liquidado pelo Banco Central no último mês de setembro.
“O Supremo Tribunal Federal poderá anular a liquidação do Master, se o ministro Dias Toffoli, que analisará o relatório da delegada Janaina Palazzo, da PF, que ouviu na terça-feira, 30/12, individualmente, o dono do Master, Daniel Vorcaro; o presidente do Banco BRB, Paulo Henrique Costa; e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino; e depois fez uma acareação entre os dois primeiros, cujos depoimentos apresentaram divergências. Dessa análise, sairá a decisão de Toffoli sobre o futuro do Banco Master, que por enquanto segue liquidado, devendo cerca de R$ 12 bilhões a Deus e ao mundo”, disse o outro empresário.
Senhor 2026, veja aí como está o nosso país. O que os empresários disseram acima abordou apenas uma questão da cena econômica e política brasileira. Entenda, caro Ano Novo, que o escândalo do INSS, como o do Master, envolve gente muito importante, e põe importante nisso, do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, pelo menos é o que têm dito, quase diariamente, matérias do O Globo, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo, insinuando que nada deverá acontecer com seus responsáveis. O andar da carruagem mostra a mesma insinuação.
Ano Novo, abra suas asas sobre o Brasil e sobre os que o governam, sobre quem elabora suas leis e, principalmente, sobre os ministros do STF, aos quais cabe julgar a respeito do que é certo e errado, do que é honesto e desonesto, do que ético e aético.
A elaboração desta coluna, a primeira de 2026, foi em sua homenagem, senhor Ano Novo. Não nos decepcione!
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