Quanto custa em média imigrar para Estados Unidos, Canadá e Portugal? Especialistas dão dicas

Os valores e pré-requisitos dependem de cada país e também da intenção do imigrante. Existem várias opções de vistos

Escrito por Heloisa Vasconcelos, heloisa.vasconcelos@svm.com.br

Negócios
Legenda: Thainá Vasconcelos mora em Portugal desde o início de 2020
Foto: Arquivo pessoal

Morar fora do país é um sonho de muitos brasileiros, seja para vivenciar outras culturas, estudar ou conseguir melhores oportunidades de emprego. Quem quer conseguir um visto de residência precisa passar por um processo burocrático, que é diferente de acordo com a legislação de cada país. 

Além de reunir documentação, também é necessário desembolsar uma quantia que pode ser bastante considerável. Os valores começam por volta de R$ 930 e podem chegar a R$ 154 mil, dependendo do país. 

O processo até o visto definitivo também pode demorar até 3 anos. A facilidade para conseguir a aprovação para morar no país pode depender de fatores como qualificação profissional, renda declarada e fluência de idiomas. 

Nesta matéria, o Diário do Nordeste traz os detalhes para a imigração para Canadá, Estados Unidos e Portugal, alguns dos destinos mais buscados por brasileiros e cearenses. 

Portugal 

Comparado com outros países, Portugal tem um acesso relativamente fácil para os brasileiros, tanto em termos de documentação exigida como com relação aos custos para a mudança.  

Conforme a CEO da Ei! Assessoria Migratória, Gilda Pereira, o custo burocrático para tirar o visto no consulado é de 100 €. E, já estando no país, é necessário solicitar uma autorização de residência, que custa por volta de 60 €. 

Pereira lista que existem diferentes tipos de vistos que o imigrante pode conseguir, como trabalho, profissional altamente qualificado, imigrante empreendedor ou trabalhador independente. O prazo de emissão do visto é de 60 dias por parte dos consulados – com exceção do visto altamente qualificado, cujo prazo é de 30 dias. 

O visto é válido apenas por 4 meses e, chegando em Portugal, tem que ser mudado para uma autorização de residência. Tem que comprovar que consegue manter todas as condições do visto que foi pedido. Se foi de estudo, tem que demonstrar que está matriculado. Se foi de trabalho, precisa mostrar um contrato de trabalho. Assim que funciona
Gilda Pereira
CEO da Ei! Assessoria Migratória

Normalmente, o processamento de autorização de residência demora mais que 4 meses, mas o imigrante não fica ilegal durante o período excedente.  

Não é necessária a comprovação de renda para permanecer no país, exceto para o visto de rendimentos próprios. Nesse caso, é necessário comprovar renda mensal igual ou maior que o salário mínimo nacional e poupança equivalente a 1 ano do salário mínimo nacional. 

Para quem vem para Portugal com família, apenas um dos membros precisa ter o visto aprovado antes de sair do Brasil. Filhos e cônjuge podem viajar ao comprovar vínculo com o imigrante. 

Entrar com visto de turista 

Uma opção comumente utilizada por brasileiros é entrar no país apenas com visto de turista e só então buscar a autorização de permanência. Foi o que fez a atendente Thainá Vasconcelos, de 25 anos. 

Legenda: A brasileira conseguiu emprego em Portugal e aguarda aprovação de residência
Foto: Arquivo pessoal

A brasileira foi para Portugal no início de 2020, na intenção de conseguir um emprego e tentar, já no país, a autorização de residência. Ela não esperava pela pandemia. 

Eu tinha trazido só 700 euros e fiquei 3 meses sem trabalhar por causa da quarentena, porque estava tudo fechado. Até as coisas voltarem ao normal eu só tinha mais 60 euros, estava quase voltando para o Brasil sem nada, quando eu arranjei um trabalho
Thainá Vasconcelos
atendente e imigrante

Hoje ela trabalha como atendente em um posto de gasolina e aguarda há 7 meses pela autorização de residência. Nesse meio tempo, ela não está exatamente na ilegalidade, mas tem algumas restrições. 

“Não tive nenhum problema porque como já dei entrada nos documentos, trabalho, tenho conta no banco. Tem lugares que para trabalhar pede documento [número de inscrição, semelhante ao CPF], como não tenho não consigo trabalho”, relata. 

Conforme Gilda Pereira, essa possibilidade de imigração é possível, mas não é a mais recomendada. 

“Se a pessoa entrar e depois conseguir um emprego, é possível fazer um procedimento para legalizar a pessoa. Agora esse procedimento chega a levar dois anos e causa alguns constrangimentos na vida normal da pessoa, ela não consegue fazer a troca da carta de condição, não consegue obter número de saúde. Perdem a mobilidade, não podem sair de Portugal porque se não o processo volta à estaca zero”, coloca. 

Canadá 

Ao contrário de Portugal, a imigração para o Canadá costuma envolver custos maiores e exige diversos pré-requisitos. De acordo com a consultora de imigração da agência canadense GoNorth, Renata Oliveira, os custos para a imigração começam em C$ 13 mil (por volta de R$ 52,4 mil). 

O valor pode ser ainda mais alto para quem vai para o país com visto de estudante, já que, nesse caso, também é necessário pagar a universidade. Renata calcula que os custos são de no mínimo C$ 15 mil pela graduação (ou R$ 60,4 mil). 

“Se você quer imigrar tem que se organizar financeiramente, guardar o máximo de dinheiro que puder mesmo que não for gastar o dinheiro todo. Você precisa comprovar para ter o visto aprovado e chegar no país com segurança”, chama atenção. 

O país tem uma espécie de “competição”, em que os interessados em imigrar ganham pontos que aumentam a probabilidade de aprovação dependendo de fluência de idiomas, experiência ou qualificação profissional. 

Por causa disso, Renata Oliveira, recomenda que o planejamento deve começar o quanto antes. 

O Canadá busca qualificados, mas tem que ser pessoas com nível de inglês ou francês, experiência profissional. E, mesmo tendo tudo isso não está havendo convites do governo para quem não está no Canadá
Renata Oliveira
consultora de imigração da GoNorth

Ela detalha que o país oferece diversos programas de imigração, sendo o mais buscado deles o Express Entry, que possibilita a imigração em até 6 meses. Nele, o imigrante não precisa ter vínculos com o Canadá, mas precisa somar pontos para sair na frente na competição. 

“Como é uma competição, tem que focar no inglês e francês, o segundo idioma dá mais pontos. Tem que ter no mínimo um ano de experiência profissional, um nível educacional para ganhar mais pontos. Se a pessoa tem experiência profissional dentro do Canadá, vai pontuar mais. Vínculos com o Canadá, como uma oferta de trabalho, também dão mais pontos. Ter irmão ou cunhado no Canadá ganha pontos. É uma soma de fatores”, enumera. 

Planejamento 

A arquiteta e estagiária de desenvolvimento de software Caroline Nogueira, de 29 anos, planeja uma mudança de país desde 2018. O plano é que ela e seu marido viajem para o Canadá em janeiro de 2024. 

O casal pretende ir para o país com o visto de estudos. Para conseguir uma chance maior de emprego no Canadá, Caroline realizou uma transição de carreira e pretende atuar na área de tecnologia, mais demandada. 

O processo é um pouco cansativo. A gente começa com a ideia de um lugar, mas às vezes acaba não dando certo, tem que ter um plano B, um plano C e até um plano D. A gente já imaginou morar em várias cidades do Canadá, mudando de ideia no planejamento. É um processo que é bem lento, tem a questão financeira também que para ir para estudar não é barato, tem que juntar um certo dinheiro. Tem a questão da língua, que a gente tem que ir para lá com o máximo que a gente conseguir de inglês
Caroline Nogueira
arquiteta e estagiária de desenvolvimento de software

No Canadá desde agosto de 2021, o planejamento para imigrar faz parte de uma vida toda para a estudante de pós-graduação Ingrid Oliveira, de 26 anos. O processo para a imigração precisou de uma economia de recursos desde quando ela era estagiária na graduação. 

Legenda: Ingrid chegou ao Canadá em agosto do ano passado
Foto: Arquivo pessoal

Mesmo com todo o planejamento, a pandemia adiou por um tempo o sonho de mudar de país. 

“Era para eu ter vindo em abril de 2021 e tive que adiar meu curso, só pude vir em agosto por causa da pandemia. Meu visto atrasou muito, passei uns 8 meses esperando visto sair sem nenhuma previsão de data. Foi muito angustiante, essas coisas de visto a gente nunca sabe quando vai ser negado ou aprovado”, lembra. 

A escolha pelo visto de estudante veio pela possibilidade de, após ele, ter maior probabilidade de continuar no país por ter um diploma canadense. Hoje, a jovem estuda e tem um emprego de meio período para se manter. 

“A adaptação está sendo bem tranquila porque eu sempre quis vir para cá. Meu trajeto todo até o momento de agora para mim é muito natural, me sinto muito em casa. É como se a minha vida toda eu estivesse caminhando para vir para cá”, conta. 

Estados Unidos 

O Estados Unidos possibilita uma das maiores variedades de vistos, o que torna a imigração longe de ser uma receita de bolo. Existem mais de 180 opções de vistos e uma consultoria pode ser importante para definir qual a melhor opção para o imigrante de acordo com cada pré-requisito. 

O consultor especializado da agência de imigração Morar-EUA, Roberto Spighel, explica que os custos para imigração podem partir de US$ 5 mil (R$ 25,6 mil na cotação atual) e podem alcançar até os US$ 30 mil (R$ 154,7 mil) a depender do tipo de visto e do número de pessoas na família. 

Segundo ele, o visto ideal deve ser avaliado caso a caso. Existem opções cuja emissão demora de 2 a 3 meses e outras cuja espera até a liberação para o país pode durar até 3 anos. 

Para o especialista em Direito Internacional e CEO da empresa de consultoria internacional Leão Group, Leonardo Leão, não existe visto fácil. 

Não existe visto fácil, existe visto adequado. As pessoas tendem a se basear no caso de vizinho, amigo, e isso é o maior erro. Uma nuance no perfil profissional pode mudar no que vai ser pedido diante da lei imigratória
Leonardo Leão
especialista em Direito Internacional e CEO da Leão Group

O primeiro passo para a imigração, conforme o especialista, é buscar uma consultoria para que se identifique para qual visto a aplicação é mais adequada. Reunida a documentação necessária, basta pagar as taxas do consulado e esperar a aprovação. 

Roberto Spighel considera que o mercado de trabalho americano é uma das maiores oportunidades para quem quer imigrar. Quem se encaixa nos pré-requisitos pode conseguir boas ofertas de emprego, segundo ele. 

Pontos de atenção 

A legislação imigratória americana exige que quem quer imigrar preste bastante atenção para que detalhes não impliquem na negativa do visto.  

As barreiras são muito sutis, mas muito perigosas. Primeiro você tem que trabalhar com profissionais que saibam o que estão fazendo, porque a lei americana é muito clara e eles são bem pragmáticos. Tem que ter profissionais sérios e nunca mentir. No caso da imigração, quando for constatada uma fraude ou uma mentira, isso é um problema grande
Roberto Spighel
consultor especializado da Morar-EUA

Leonardo Leão acrescenta que as intenções do imigrante devem ser claras logo no momento da solicitação do visto. É preciso se atentar também para permissões e proibições de cada tipo de visto. 

“O visto de estudante tem uma maior quantidade de disponibilidade. Mas ele não é mais fácil, você precisa comprovar que o período de estudos nos Estados Unidos vai agregar na sua carreira no Brasil, visto de estudante não é para aquela pessoa que tem intenção de estudar lá e ficar. Se você demonstrar isso na sua entrevista no consulado americano eles vão negar o visto e podem inclusive cancelar visto de turismo se você tiver”, exemplifica. 

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