Prefeitura delimita área de Parque Tecnológico

Empresas de tecnologia e informação que se instalarem na área poderão usufruir de isenções fiscais

Escrito por
Yohanna Pinheiro - Repórter producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 19:39)
Legenda: Um dos empreendimentos a se instalar na Praia do Futuro é o data center e a estação de cabos submarinos de fibra ótica da Angola Cables

O poligonal do Parque Tecnológico e Criativo de Fortaleza, na Praia do Futuro, terá cerca de 3,85 quilômetros quadrados, conforme decreto publicado no Diário Oficial do Município no último dia 30 de junho. A área deve abrigar prioritariamente empresas de tecnologia da informação e da comunicação, entre os quais o data center e a estação de cabos submarinos de fibra ótica da Angola Cables, que deverão receber incentivos fiscais para investir na Capital.

Os empreendedores identificados pela Prefeitura com perfil para se instalar no parque receberão abatimento de até 60% do Imposto Sobre Serviço (ISS) e até 100% do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis Inter-Vivos (ITBI), de acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico de Fortaleza, Robinson de Castro.

O titular apontou que não será necessário, em um primeiro momento, realizar desapropriações para permitir que negócios sejam instalados na região. "Se houver necessidade e existirem propriedades em áreas de interesse público nessa poligonal, aí sim podem ser realizadas desapropriações", explicou Castro. Ele avalia que a medida contribuirá para tornar a Capital um hub de telecomunicações.

"Dada a nossa localização geográfica privilegiada (para a instalação de um hub de telecomunicações), a população poderá ter acesso a uma internet mais rápida e mais barata, além de também serem atraídos novos negócios para a cidade que utilizam a transmissão de dados", ressaltou o secretário. "Fortaleza se propõe a ser um polo de tecnologia, voltado para o armazenamento e transmissão de dados".

Potencial

Com expectativa de abrigar 18 cabos submarinos de fibra óptica, Fortaleza desponta como importante ponto de transferência de dados de alto tráfego de informações, conectando o País à América do Norte, América Central, Europa e África. No mês passado, foram iniciadas a construção do empreendimento que reúne o centro de processamento de dados (data center) da Angola Cables e a estação de cabos submarinos de fibra ótica na Praia do Futuro.

Os equipamentos irão conectar as partes submarina e terrestre dos sistemas de cabos Monet, previsto para entrar em operação até o primeiro semestre de 2017, e Sacs (South Atlantic Cable System), que deverá operar em 2018. Já o centro de processamento e armazenamento integrado no sistema de cabos funcionará, a partir do primeiro semestre de 2017, na área de três mil metros quadrados cedidos na região por meio de parceria com a Prefeitura.

Obra que se encontra em estágio mais avançado, o cabo Monet interligará Miami, Fortaleza e Santos, terá mais de dez mil quilômetros e capacidade de comunicação de pelo menos 60 terabytes por segundo (Tbps), em seis pares de fibra, sendo duas da Angola Cables. Além da empresa africana, o cabo também conta com aportes do Google, da Antel (Uruguai) e da Algar Telecom (Brasil).

O cabo Sacs, por sua vez, vai ligar Fortaleza à Luanda, em Angola, por meio de um cabo submarino de fibras óticas de cerca de 6 mil quilômetros. Com implementação prevista para 2017 e operação para o ano seguinte, a obra terá capacidade de comunicação de pelo menos 40 Tbps e será um investimento 100% da Angola Cables.

Oportunidades

Além dos projetos da Angola Cables, outros cabos também estão sendo prospectados para a Capital cearense. Em junho, a empresa chinesa Huawei fez uma primeira visita à Fortaleza e apresentou a intenção de trazer um cabo da China, passando por Camarões, na África. Outro projeto, mais avançado, trará um cabo interligando a Kribi, no Camarões. A empresa Camtel já se planeja para iniciar a execução, mas não há previsão.

Ainda em processo de planejamento, representantes da portuguesa Telebrasil visitaram a Capital em maio em busca do local exato onde deverá ficar o cabo que ligará Fortaleza à Lisboa. Há ainda outros projetos em estudo, como o de um cabo que ligaria a capital a Nova York, nos Estados Unidos, e outro também ao país, via América Central.

Amazon

O Estado do Ceará ainda prospecta a vinda de um data center da Amazon, uma das maiores empresas de e-commerce do mundo, conforme o Diário do Nordeste publicou com exclusividade no dia 9 de junho. A Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice) negocia com a multinacional norte-americana a chegada de programas educacionais de fomento ao empreendedorismo, que podem envolver a implantação do centro na Capital cearense.

dsa

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