Empresas gastarão mais tempo e dinheiro só para pagar imposto

Algumas delas poderão fechar se não se adaptarem à fase de transição, que roda duas máquinas fiscais ao mesmo tempo, alerta o IBPT

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 09:10)
Legenda: O IBPT adverte as empresas para as dificuldades da atual fase de transição da Reforma Tributária. Há 3 desafios a serem vencidos
Foto: Thiago Gadelha / SVM
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Com o início da fase de testes da Reforma Tributária em janeiro deste ano, o Brasil entra, oficialmente, em um cenário de "duplo sistema" - que promete sobrecarregar a estrutura operacional das empresas. De acordo com o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), Gilberto Luiz do Amaral, o país enfrentará em 2026 o maior custo de conformidade, que é o gasto de tempo e dinheiro para pagar impostos, já registrado na história. 

Desde o último mês de janeiro, as empresas estão a conviver com a apuração dos tributos atuais (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) simultaneamente à nova alíquota de teste de 1% (referente à CBS federal e ao IBS estadual/municipal). 

Amaral lista os três desafios críticos de 2026. Segundo ele, o primeiro é o custo do duplo Sistema. 

“Nós não estamos apenas trocando um sistema por outro; estamos forçando as empresas a manter duas máquinas fiscais rodando ao mesmo tempo. Isso exige novos softwares, treinamentos de equipes e um monitoramento constante para evitar bitributação", afirma o presidente do IBPT. 

O segundo desafio é a Revolução do Split Payment. Trata-se da implementação do pagamento imediato do tributo no ato da transação bancária, o que altera drasticamente o fluxo de caixa. E é neste ponto que o IBPT alerta que empresas que não adaptarem sua gestão financeira podem sofrer crises de liquidez já neste primeiro semestre. 

O terceiro desafio, na análise do Instituto, é a incerteza no setor de serviços.  

“Com a nova sistemática de créditos, o setor de serviços, que é o maior empregador do país, inicia o ano sob pressão para decidir entre absorver o aumento da carga ou repassá-la integralmente ao consumidor final”, diz Gilberto Luiz do Amaral. 

Assim, para auxiliar o mercado e a imprensa a navegarem neste novo mar de normas, o IBPT intensificou o uso de sua base de dados e algoritmos de Inteligência Fiscal. O objetivo é dar transparência aos números que, muitas vezes, ficam ocultos sob a complexidade técnica da transição. 

"A Reforma Tributária é necessária, mas o 'pedágio' operacional de 2026 será pesado. O empresário brasileiro é um sobrevivente, mas este ano ele precisará de tecnologia e informação precisa para não sucumbir à burocracia do período de teste", concluiu o presidente do IBPT. 

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