Mesmo na pandemia, Ceará gerou 1,43% mais empregos que em 2019

De janeiro a novembro, o Estado apresenta saldo positivo de 16,2 mil postos de trabalho, contra 15,9 mil em igual período do ano passado, segundo Caged. Ceará chega ao quinto mês seguido de mais admissões que demissões

Legenda: Em novembro, o comércio liderou a geração de postos de trabalho formais no Estado, sendo responsável por 5,9 mil vagas
Foto: José Leomar

Além de ter recuperado todos os empregos perdidos durante a pandemia em outubro, o mercado de trabalho formal no Ceará já apresenta melhor desempenho no acumulado do ano até novembro que em igual período do ano passado. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem (23) pelo Ministério da Economia, o Estado apresentou um saldo de 16,4 mil novas vagas formais em novembro, o quinto mês de saldo positivo - no ano, foram criadas 1.047 vagas.

O secretário do Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Estado, Maia Júnior, comemora os números e ressalta que o novo saldo positivo fortalece a tendência de recuperação da economia local este ano. "Foi um presente de Natal pra gente. É um resultado muito bom, bem acima das expectativas iniciais previstas, que consolida a recuperação da nossa economia durante esse ano. É muito bom não só pelo número, mas também pela certa estabilidade da recuperação em relação ao mês anterior", afirma.

Ele ainda ressalta o desempenho melhor que o ano passado no acumulado de janeiro a novembro. "É um dado bastante relevante, porque mesmo com percalço da pandemia, o Ceará conseguiu realmente surpreender. Outro aspecto relevante é a liderança regional, que o Ceará está na frente de todos os outros, inclusive Pernambuco e Bahia que têm economias mais robustas.

Mesmo com uma economia menor, estamos tendo mais poder de reação e de geração de empregos do que essas outras mais consolidadas", destaca. O saldo do Ceará em novembro, segundo o Caged, foi o maior do Nordeste, bem à frente da Bahia (13,8 mil) e de Pernambuco (13,8 mil), e a sétima do País, perdendo apenas para São Paulo (138,4 mil), Santa Catarina (33 mil), Minas Gerais (32,8 mil), Rio de Janeiro (32,6 mil), Paraná (29,8 mil) e Rio Grande do Sul (29,7 mil).

Atividades

Maia Júnior ainda acredita que dezembro deva ter um desempenho satisfatório, embora menor que o de novembro por sazonalidades históricas. "Apesar de ter uma ativação do comércio em dezembro, temos uma queda na agricultura, justamente por ser o entreposto entre a safra anterior e a próxima, e na indústria, pela tradição das férias coletivas", pontua.

Em novembro, o comércio liderou a geração de postos de trabalho formais no Estado, sendo responsável por 5,9 mil vagas, seguido de serviços (5,7 mil) e indústria (3,5 mil). Também contribuíram a construção (1 mil) e a agropecuária (103), embora em menor escala que os demais.

"O desafio agora é a gente ver como vai se comportar as reformas em 2021, como vai ficar a questão fiscal do País, porque dependemos muito ainda da questão federativa, não caminhamos só. É trabalhar para repetir o bom resultado que surpreendentemente vamos ter esse ano", afirma Maia Júnior.

Sazonalidade

Para o professor do curso de Economia Ecológica da Universidade Federal do Ceará (UFC), Aécio Alves de Oliveira, ainda é cedo para falar em uma tendência de crescimento por conta dos efeitos sazonais de fim de ano. "É uma recuperação, mas ainda temos muitas contratações temporárias, tanto que comércio e serviços estão em destaque. No início do ano, podemos voltar a ter mais desligamentos que admissões", pondera.

Ele também indica que a segunda onda de contaminação preocupa, tendo em vista que novas restrições podem frustrar as boas expectativas do setor produtivo, impactando o mercado de trabalho.

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