Mercado imobiliário deve retomar ritmo de alta pré-pandemia em 2021

Redução das taxas de juros dos bancos e lançamento do programa Casa Verde e Amarela, substituto do Minha Casa, Minha Vida, já gera melhores projeções de mercado para os investidores e consumidores

Legenda: Cortes na Selic e redução dos juros imobiliários tornaram crédito acessível a mais famílias e diminuiu valor das parcelas
Foto: Thiago Gadelha

O mercado imobiliário no Ceará deverá retomar o ritmo de crescimento com mais intensidade visto antes da pandemia no próximo ano, em meio a um cenário favorável se desenhando com redução dos juros e lançamento do programa Casa Verde e Amarela, que substituirá o Minha Casa, Minha Vida. A aposta é do empresário e ex-diretor tesoureiro do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci), Armando Cavalcante.

“Neste ano não acredito mais em uma reação significativa, mas já devemos entrar bem em 2021. Vamos ter uma reabilitação do mercado imobiliário”, prevê. Ele destaca que, com o corte na Selic e as consequentes reduções dos juros imobiliários em bancos públicos e privados, as parcelas dos financiamentos ficaram menores, incluindo famílias que antes não conseguiam ter acesso ao crédito.

A facilidade já tem impulsionado as contratações, mesmo em meio às dificuldades econômicas agravadas pela pandemia. Segundo a Associação Brasileira das Entidades e Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o Ceará já está no terceiro mês seguido de crescimento nos financiamentos. 

Em julho, foram 601 imóveis, correspondentes a mais de R$ 159 milhões. Os valores correspondem a um crescimento de 25% em unidades e de 26% em valores financiados em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, o cearense já financiou 3.196 unidades (15%), movimentando R$ 771,9 milhões (9%).

Do ponto de vista do consumidor, Cavalcante aponta que o cenário irá continuar melhorando. “Basta ver o mercado de aluguel. Está em uma situação dificílima. Os inquilinos estão todos renegociando a dívida, e o Governo ainda proibiu de fazer despejo até outubro por conta da pandemia”, diz.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Ceará (Sinduscon-CE), Patriolino Dias, revela que o próprio isolamento social favoreceu a compra de novos imóveis. “As pessoas ficaram em casa e viram que precisavam trocar de imóvel, ir para um maior, numa localidade diferente”, pontua.

Conforme projeção da instituição, o Ceará deve ter R$ 1,4 bilhão de Valor Geral de Vendas (VGV) em lançamentos ainda neste ano. “Com a saída significativa nos últimos meses, em 2021 é possível que tenhamos até uma falta de algumas tipologias. Porque o tempo médio entre o lançamento e a entrega é de 42 meses”, destaca o presidente. Ele acrescenta que o momento é o ideal para a compra de imóveis, uma vez que as construtoras estão dando melhores condições para zerar o estoque, aliado aos baixos juros.

Casa Verde e Amarela
Cavalcante aponta que, mesmo ainda não estando em vigor, o novo programa habitacional do Governo Federal gera perspectiva de bons negócios, na ótica do investidor do ramo. “É um alento para o investidor que vive ansioso, em busca de uma válvula de escape para continuar no mercado. Dá uma nova visão para sair dessa pandemia e dessa agonia de venda baixa, de mercado indeciso”, afirma.

O Casa Verde e Amarela traz um foco maior nas regiões Norte e Nordeste, que terão taxa de juros de 4,25% para cotistas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)ante 4,5% das demais localidades. O objetivo é de atender 1,6 milhão de famílias de baixa renda com o financiamento habitacional até 2024, um incremento de 350 mil, segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR).

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