Mercado de trabalho do 5G: quais oportunidades a tecnologia vai gerar? Veja salários e cursos

Conexão 5G, que deve chegar em julho deste ano, deve ampliar demanda por profissionais da área de telecomunicações e informática nos próximos anos

Escrito por Lívia Carvalho, livia.carvalho@svm.com.br

Negócios
Legenda: Estudante André Moura quer trabalhar com desenvolvimento de software
Foto: Thiago Gadelha/SVM

Com as portas abertas para a conexão 5G, o Brasil agora precisa investir na capacitação de profissionais qualificados para atuar no setor. A grande aposta do setor das telecomunicações, que já vem crescendo exponencialmente nos últimos anos, deve proporcionar a criação de milhares de vagas de emprego em diversas funções.  

De acordo com um estudo realizado pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais (Brasscom), até 2025 o setor de tecnologia vai demandar 797 mil profissionais. As tecnologias maduras, Big Data & Analytics, Nuvem e Web Mobile serão as que mais demandarão novos profissionais nesses cinco anos. 

Muitas dessas funções serão possibilitadas pela chegada do 5G ao Brasil - a previsão é de que a tecnologia chegue até julho deste ano nas capitais brasileiras. Contudo, há um desequilíbrio entre o número de formados e a demanda, por isso, a estimativa é de que haja um déficit anual de 106 mil vagas.  

A pesquisa mostra ainda que o saldo de empregos formais, até setembro de 2021, superou em 183% o resultado de 2020. Em nove meses do ano passado, o setor gerou mais de 123 mil vagas, ante 43,6 mil de 2020. 

Além disso, o setor é atrativo por ser um dos melhores pagadores. A remuneração média do subsetor de serviços de alto valor agregado é de R$ 5,8 mil, ou seja, 2,9 vezes superior ao salário médio nacional de R$ 2.001, conforme informações do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). 

Demanda vai ser ampla 

O presidente-executivo da Conexis Brasil Digital, Marcos Ferrari, explica que o crescimento desse mercado se dá pela mudança na forma de comunicação. Antes, o foco das telecomunicações era na telefonia, hoje, se expande para as aplicações (ferramentas de realidade virtual e aumentada, internet das coisas, etc).  

Em cima dessa plataforma existem vários negócios sendo realizados, vários setores atuando no que hoje ainda é o 4G. O 5G vai expandir essa possibilidade de aplicações, não só o volume de aplicações como também a qualidade das aplicações. O volume de emprego já vem aumentando, a tendência agora é ser ainda maior”.  
Marcos Ferrari
presidente-executivo da Conexis

Por ser uma nova tecnologia a ser implantada, especialistas projetam a necessidade de profissionais para diversas funções, que vão desde um trabalho mais braçal, como montagem de estrutura, de antenas, instalação de torres, entre outras, a atividades que carecem de maior qualificação e conhecimento.  

“Vai ser preciso pessoal para abrir o buraco na rua pra passar a fibra ótica, pessoal pra passar os cabos, um trabalho mais braçal mesmo, além dos profissionais de alto nível como engenheiros que projetam redes, porque elas vão precisar dialogar entre si”, afirma o diretor de Relações Institucionais da Brasscom, Sergio Sgobbi.  

Quais funções vão ser demandadas 

Com isso, a expectativa é de que algumas funções sejam criadas. Outras já existentes terão aumento de demanda. De acordo com Ferrari, atividades que envolvem o tratamento de dados devem ser destaques, pois não é a disponibilidade de informação que é o problema, mas sim a filtragem dela.  

“O 5G nada mais faz do que transformar a sociedade numa economia de dados. São outras habilidades que vêm já na gênese da economia da tecnologia da informação e comunicação, mas que agora explode. Cada vez mais necessárias nas novas aplicações que vão ser possíveis com o 5G”, aponta Ferrari. 

Legenda: No laboratório, alunos vão poder aprender mais sobre o 5G e fibra ótica
Foto: Thiago Gadelha/SVM

Dessa forma, analistas de dados, cientistas de dados, especialistas em Big Data, por exemplo, vão ser cada vez mais demandados. Bem como os cargos relacionados à segurança da informação e proteção de dados.  

"Vai ter uma geração de dados gigantesca com a chegada da IoT (internet das coisas), vamos ter sérios problemas relacionados à segurança, privacidade, então é uma área que vai crescer. A área de ciência de dados, machine learning e desenvolvedores de aplicações pra mobile”, detalha o professor do Mestrado e Doutorado em Informática Aplicada da Universidade de Fortaleza, Raimir Holanda. 

Além disso, engenheiros de construção de redes, administradores de rede e técnicos em telecomunicações também se destacam.  

Outra função destacada por Sgobbi é o administrador de redes. “Essa tecnologia vai demandar gerenciamentos extremamente complexos. Então, o profissional gerencia essa rede do ponto de vista dessa construção, dessa inteligência, pode ser uma inteligência artificial, esses caras já são e serão muito mais valorizados”. 

Veja cargos demandados pelo 5G 

  • Engenheiros para construções de redes; 
  • Engenheiros eletricistas; 
  • Engenheiros no geral; 
  • Técnicos em telecomunicações; 
  • Administradores de redes; 
  • Analistas de dados; 
  • Cientistas de dados;  
  • Especialistas em Big Data;  
  • Especialistas em Marketing Digital; 
  • Especialistas em IoT (internet das coisas); 
  • Segurança da Informação; 
  • Desenvolvedores de software e aplicações.  

Oportunidades para quem inicia 

Há um ano e meio cursando o nível médio e técnico de Informática no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), André Moura, de 16 anos, é um dos estudantes que já começam a se preparar para atuar no setor antevendo as oportunidades que o mercado de trabalho vai oferecer.  

Eu penso em trabalhar na área de programação, que vai abrir muitas oportunidades. Fiz um curso de extensão que o IFCE ofertou e gostei bastante, não tinha tanto conhecimento e me trouxe muitos conteúdos interessantes. Os campos de atuação do 5G são muito legais, trabalhar com essa tecnologia vai me possibilitar fazer coisas ainda mais inovadoras com relação ao software”.
André Moura
estudante

estudante 5G tecnologia
Legenda: Estudante André Moura
Foto: Thiago Gadelha

Com um semestre recém iniciado, a expectativa agora é para uma disciplina de redes. “A informática trabalha junto com as telecomunicações, são áreas bem conjuntas”, explica. 

No início deste mês, o IFCE anunciou uma parceria com a Huawei, empresa de tecnologia chinesa, para instalação de um centro de formação e capacitação relacionada às tecnologias de fibra ótica e 5G. A iniciativa deverá formar cerca de 5 mil jovens até o fim de 2022, certificando-os para operar as tecnologias da empresa asiática. 

O presidente do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho do Ceará (IDT), Vladyson Viana, ressalta que estas são boas oportunidades para jovens que buscam o primeiro emprego ou uma recolocação no mercado de trabalho.  

“A área de telecomunicações tem pouca oferta de mão de obra ainda, então nós vamos precisar qualificar, aperfeiçoar a mão de obra existente pra dar conta dessas demandas, é fundamental que os jovens invistam em qualificação profissional nesse setor, porque com certeza vão surgir boas oportunidade”.  

Falta de investimento deve ser obstáculo 

Apesar do mercado ser promissor, os especialistas apontam que a falta de investimentos dos Governos deve ser um obstáculo para que o potencial da tecnologia seja aproveitado plenamente. Para o diretor da Brasscom, a lacuna estudantil, tanto nas escolas quanto nas universidades, é um dos principais problemas.  

Demora você formar um técnico por mais trivial que seja a função, por isso, já deveria ter gente nos bancos escolares sendo formado. Infelizmente, não tivemos essa programação, criou-se estruturas de gerenciamento de 5G, mas não há dinheiro pra formação de recursos humanos”. 
Sergio Sgobbi
diretor da Brasscom

Sgobbi alerta ainda para a falta de regulamentação nos municípios que a instalação possa ser realizada. Dos 5570 municípios brasileiros, apenas 50 têm legislações adequadas para recepção da tecnologia 5G, conforme o diretor. Destes, oito são capitais. 

“O cronograma para as capitais é junho, ou seja, nós estamos a quatro meses de entrada do 5G e não temos legislação pra recepcionar essa infraestrutura e isso é uma responsabilidade do município, porque é quem faz a legislação do uso e ocupação do solo”, detalha.   

Fortaleza, por exemplo, pode se destacar, já que, desde 2017, tem legislação totalmente adaptada à Lei Geral de Antenas e pode ser a primeira capital da região Nordeste a receber a conexão 5G. A expectativa é que até o fim de 2022 o ritmo de instalação das antenas por aqui deve ser destaque.  

Legenda: Laboratório no IFCE vai capacitar 5 mil alunos
Foto: Thiago Gadelha/SVM

O presidente-executivo da Conexis acrescenta que as lacunas de informação se expandem ainda para a população em geral, uma vez que apenas 20% dos brasileiros têm habilidades básicas para atuar com as novas tecnologias, como enviar um e-mail, copiar e mover arquivos, ou mesmo usar um computador ou smartphone.   

"Essas habilidades são porta de entrada básica para começar a atuar no mercado de trabalho que vai vir com o 5G. Então, é preciso que o governo faça um programa, um planejamento educacional que vise às habilidades portadoras do futuro", diz. 

De acordo com Ferrari, para atuar neste mercado, além das habilidades básicas, vão ser necessários conhecimentos de matemática, de tecnologia da informação e comunicação, de dados.

Onde se capacitar?

Desse modo, universidades, institutos e escolas de cursos de extensão já começam a se movimentar para atender à demanda. Na Universidade de Fortaleza, por exemplo, o professor Raimir explica que já são ofertados dois cursos de graduação na área: Ciências da Computação e Engenharia de Computação. 

Também é ofertada pós-graduação em Informática Aplicada para preencher esse espaços de formação de profissionais capacitados que, como o próprio nome diz, trabalham com as aplicações possíveis da tecnologia.  

Formamos mestres e doutores para atenderem a essa demanda, totalmente alinhado com o mercado. Desde 2007 temos um parque tecnológico disponível para os estudantes desenvolverem projetos de inovação. Esse foi o desenho que a Unifor desenvolveu para atender a essa demanda".
Raimir Holanda
professor da Unifor

Pelo Brasil, cursos online também são encontrados que abordam desde o básico a arquitetura de redes do 5G. Veja algumas opções:

Fundamentos de Sistemas de Comunicações 5G na PUC-RIO

De 07/03 a 27/04 

Investimento: R$ 1.064

Aulas ao vivo para graduados em engenharia, matemática, física, ciência da computação, profissionais de empresas de telecomunicações e afins. 

Este curso aborda os requisitos, as principais tecnologias e a provisão de serviços dos sistemas de comunicações sem fio 5G. Além disso, serão discutidas as oportunidades de negócios e desenvolvimento na área com a ajuda de exemplos e estudos de casos.

Trilha: 5G e IoT - Tendências e Aplicações na Inatel Online

Investimento total: R$ 599,70

O curso é voltado para técnicos, engenheiros e profissionais da área de Telecomunicações em geral. São quatro cursos sendo um deles gratuito. As aulas são assíncronas e online. 

HCIA-5G - Industria de aplicações – HUAWEI no Mundo Senai

Investimento: R$ 28,50

O curso online é voltado para quem tem conhecimentos básicos em informática a partir de 16 anos. 100% da carga horária do curso é ofertada na modalidade a Distância - EaD (online), ou seja, sem aula presencial. 

SDN: Tecnologia, 5G & Transformação Digital na Udemy

Investimento: R$ 39,90

Este curso foi criado para ajudá-lo a entender o SDN, seus componentes, sua arquitetura, como ele contribui para a solução de problemas e dificuldades do modelo de redes atual e viabiliza a automação e transformação das redes de IT e Telecomunicações. Contempla no currículo o 5G.