Energia nas residências cearenses deverá ser 100% renovável em até 10 anos

A produção solar deverá ser a matriz de base para a transição energética, conforme a diretora presidente da Enel Distribuição Ceará

Escrito por Redação,

Negócios
Legenda: Energia solar deve ser a matriz que irá possibilitar a transição do fornecimento para fontes renováveis.
Foto: Shutterstock

A energia fornecida para as residências cearenses deverá ser totalmente renovável nos próximos dez anos. Essa é a meta de descarbonização do Grupo Enel, antecipada em cerca de dez anos. A informação é da diretora presidente da Enel Distribuição Ceará, Márcia Sandra.

Sandra classificou a substituição das fontes de energia poluentes como "necessária e urgente" e defendeu a parceria público-privada para possibilitar essa transformação.

Ela ainda pontuou que, diante do enorme potencial a ser explorado especialmente no Nordeste, a matriz solar deverá ser a fonte base para o fornecimento nos próximos anos.

"A solar é o que a gente tem de maior capacidade na matriz. A energia solar, sem dúvida, alavanca já que nossa maior força é o sol. Mas agora com o híbrido, é importante também associar: ter durante o dia o sol e à noite, a energia do vento", pontuou.

Mobilidade urbana

No aspecto da mobilidade urbana, Sandra ressaltou que as mudanças já estão em curso, de forma que os atores envolvidos precisam se organizar para viabilizar a nova realidade requerida para frear o aquecimento global.

"Falando de mobilidade elétrica, que não é mais um tema futuro, é presente na nossa vida, precisamos convencer a sociedade, a população, que ela pode deixar de ser um simples consumidor de energia e utilizar sua bateria sobre rodas para fazer esse movimento em um momento que a rede mais precisa de energia", destacou.

A diretora presidente da Enel Distribuição Ceará ainda argumentou que as montadoras automobilísticas presentes no País, associadas com o potencial de energia renovável, gera um diferencial para o País nessa transição.

Diferenciais locais

O vice-prefeito de Fortaleza, Élcio Batista, reforçou a necessidade da utilização de fontes de energia limpa no segmento do transporte, que é um dos maiores emissores de gases poluentes.

Segundo ele, desde a gestão do prefeito Roberto Claudio, a Capital tem assinado acordos nacionais e internacionais visando zerar ou neutralizar as emissões de poluentes.

"Esses compromissos internacionais são a base para que a partir disso a gente estabeleça prazos e que a gente crie condições para alcançar essa transição em Fortaleza", afirmou.

Além disso, ele lembra que o Fortaleza 2040 já prevê a mudança da matriz energética e a utilização da mobilidade híbrida.

Conforme o vice-prefeito, o município cearense possui todas as condições necessárias para liderar a transição entre as capitais brasileiras.

Isso porque Fortaleza é uma das pioneiras nas fontes eólica e solar, detendo ainda protagonismo regional e nacional na produção dessas duas matrizes.

O hub de hidrogênio verde é outro diferencial, conforme Batista, que deve contribuir para essa saída na frente.

"É muito importante que a população seja cada vez mais informada dos impactos do aquecimento global. Nós estamos vendo o que está ocorrendo na Bahia, nos Estados Unidos. O impacto é em vidas que foram perdidas, mas também na economia, porque você precisa reconstruir esses lugares. Com o aquecimento global, teremos ainda mais eventos extremos", alertou.

O vice-prefeito também ressaltou que a população mais pobre também é a mais vulnerável aos episódios de desequilíbrio ambiental causados pela poluição.

"Então, a gente precisa demonstrar, evidenciar para toda a sociedade os impactos que isso tem na nossa vida, para que as pessoas possam não só compreender, mas agir em direção a essa grande transição que a gente precisa ter", acrescentou.

Ônibus elétricos

Delfina Pontes, gerente de produtos B2B da Enel X - braço do Grupo Enel que promove soluções energéticas visando essa transição - revela que, apesar do investimento inicial mais elevado, os ônibus elétricos reduzem os custos com combustível em cerca de 70%.

A empresa possui cerca de 1,8 mil veículos em operação na malha pública do Chile, Colômbia, Espanha, Argentina e Estados Unidos.

Ela ainda ressalta que a satisfação do cliente com o serviço, levando em consideração a redução do barulho, o conforto do veículo e a natureza renovável, aumentou 88%.

Cerca de 39% dos usuários participantes da pesquisa ainda se demonstraram dispostos a esperar cinco minutos a mais para embarcar em um ônibus elétrico.

Pontes também esclarece que a transição da frota não implica necessariamente em aumento das tarifas para o cliente final, uma vez que a redução nos custos de combustível e manutenção são diminuídos consideravelmente.


Allisson Martins

O Agronegócio e os Derivativos

Allisson Martins
24 de Maio de 2022