Crédito de carbono: como funciona a tecnologia para compensar emissão do gás poluente
Proposta é viabilizar que empresas e pessoas físicas reduzam o impacto das atividades nas mudanças climáticas globais
Com a necessidade de frear os desgastes ambientais, cada vez mais novas tecnologias surgem para tentar minimizar os impactos sofridos pelo meio-ambiente pela ação humana. Uma dessas iniciativas é a compensação de carbono na tentativa de reduzir a emissão do gás que provoca o efeito estufa.
A prática, que começou a ser difundida no final da década de 1990, consiste na compra de créditos de carbono para, como o próprio nome diz, compensar a emissão do gás na atmosfera, o que pode ser feito tanto por empresas quanto por pessoas físicas.
“O crédito de carbono é um contrato digital que equivale a uma tonelada de carbono que deixou de ser emitida na atmosfera”, explica Fernanda Castilho, gerente geral da MOSS, plataforma brasileira criada em 2020 para compra e venda de crédito de carbono.
Veja também
De acordo com relatório divulgado em maio deste ano pelo Banco Mundial, estratégias de precificação de carbono movimentaram US$ 53 milhões em 2020, quase 18% a mais que no ano anterior. O relatório anual indica ainda que cerca de 21 bilhões de toneladas foram emitidas entre 2013 e 2019.
“Para que a gente consiga atingir a meta estabelecia no acordo de Paris – tratado firmado em 2016 por 195 países com o objetivo de reduzir essa emissão –, de que a temperatura aumente com o limite máximo de 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais, a gente precisa conseguir reduzir essas emissões”.
Como reduzir a emissão
Para que as empresas consigam reduzir essas emissões, Castilho pontua ser necessário investir em novas tecnologias, novos processos menos poluentes. "Mas isso leva tempo, então enquanto isso não é possível, a maneira mais fácil de ajudar nessa questão é por meio da compensação”.
"A gente criou a MOSS justamente para facilitar o acesso a esses créditos de carbono, de uma forma a democratizar o ativo para que as empresas e pessoas físicas também façam a sua parte e façam essas compensações”, acrescenta.
Com a empresa, os contratos digitais são colocados em blockchain, ou seja, um sistema que permite o rastreamento de transações, o que promove mais segurança para o envio e recebimento de informações por meio da tokenização desses créditos.
Como as empresas podem adquirir créditos
Para adquirir créditos, é necessário buscar alguma empresa que forneça o serviço. No caso da MOSS, a gerente explica que basta entrar em contato por meio do site e então a empresa retorna o contato com o interessado.
"A partir daí, no caso das empresas, a gente vai fazer um inventário, um cálculo de quanto foi a sua pegada nos últimos anos e identificar a necessidade. Com isso, é calculado quando créditos vão ser necessários”, diz.
De acordo com Castilho, o portfólio da MOSS inclui projetos para 73 empresas e pelo menos 90% delas são brasileiras. “Nós não queremos só trazer essa solução para o Brasil, queremos levar essa solução para o mundo. Então, a gente também tem trabalhado com empresas nos Estados Unidos, Europa”.
Com isso, mais de 869 mil toneladas de CO₂ já foram compensados desde o início da atuação em março de 2020.
Compensação participativa
Em uma dessas parcerias com a aérea Gol, a companhia passou a oferecer aos clientes a possibilidade de realizarem a compensação de carbono de suas viagens.
Ao comprar a passagem para voos internacionais ou nacionais, o passageiro será redirecionado para uma página em que possibilita a compra do crédito de carbono referente ao trecho.
No mês de agosto, por exemplo, a 29.ª edição do Rally dos Sertões também vai contar com a tecnologia, compensando a emissão da frota. A estimativa é de que sejam neutralizadas 2 mil toneladas de CO₂ para a edição deste ano.
A empresa também atua com o incentivo à preservação da Amazônia. Só em 2020, mais de R$ 55 milhões, valor equivalente a 700 mil toneladas de créditos de carbono, foram enviadas a projetos selecionados da região.
“É essencial que as empresas, de uma forma geral, comecem a prestar mais atenção nas condições sustentáveis, tomar mais medidas, reduzir, se compensar. As empresas têm mesmo que começar a focar em novas tecnologias, pensar na redução e, com isso, você tem o outro lado positivo também, que é a geração de criação de empregos, fomentando a economia”, destaca Castilho.