Com voos remarcados por causa do avanço da Ômicron, passageiros levam até 8h para chegar ao destino

Viajantes consultados pela reportagem relataram não enfrentar dificuldades em remarcar passagens

Escrito por Heloisa Vasconcelos, heloisa.vasconcelos@svm.com.br

Negócios
Legenda: Com 8 horas de conexão, a médica Raissa Vasconcelos saiu do aeroporto para passear em Belém
Foto: Arquivo pessoal

O novo surto de casos de Covid-19 e Influenza aumentou a demanda por remarcações de voo, seja partindo de passageiros infectados ou devido a cancelamentos por parte das companhias aéreas.  

Passageiros com voos cancelados consultados pela reportagem do Diário do Nordeste relataram não haver problemas no procedimento. No entanto, os viajantes reclamaram das opções.

Em alguns casos, o passageiro teve de enfrentar conexões de até 8 horas antes de chegar no destino. É o caso da médica Raissa Vasconcelos de 25 anos. Ela conta que uma das opções propostas pela companhia levava 21 horas para chegar a São Paulo, cujo voo direto dura em média 3h30.  

Ela foi comunicada que seu voo para São Paulo pela Azul havia sido cancelado às vésperas da viagem. Segundo Raissa, a companhia aérea informou a mudança na malha aérea por e-mail, disponibilizando um link para remarcação ou reembolso do valor total. Não foi dada uma justificativa pelo remanejamento. 

Legenda: O procedimento de remarcação deve ser feito por meio dos canais telefônicos ou digitais da companhia aérea
Foto: Kid Júnior

Todo o processo ocorreu de forma online. Como não podia desistir da viagem em razão de uma prova, ela optou por pegar um voo mais longo para não perder a data. Raissa conta ainda que a companhia ofereceu um crédito de R$ 500 pelos transtornos causados.

Eu tive que remarcar e só deram opção de voos para o mesmo dia, mas todos os voos eram com 8, 9 horas de conexão, ou com mais de uma conexão. A gente escolheu um voo que saia mais ou menos no mesmo horário, que ia para Belém, ficava 8 horas e só então ia para São Paulo".
Raissa Vasconcelos
médica

A advogada Melyssa Diniz, de 25 anos, iria para São Paulo no dia 18 de janeiro, mas também teve o voo cancelado pela Gol. A companhia informou que o cancelamento ocorreu devido à necessidade de remanejamento da tripulação devido a casos de Covid-19. 

“Eu recebi o e-mail da companhia aérea e eles me direcionaram para o site. Eu tinha a opção de aceitar a opção que eles me deram ou escolher um novo voo. Tinha uma gama de possibilidades desde que fosse o mesmo trecho”, relata. 

A viagem acabou sendo adiada para fevereiro e, conforme a advogada, não houve problemas para realizar a remarcação.  

“A empresa não colocou nenhum empecilho, na verdade foi bem prático. Eu me surpreendi porque trabalho com reembolso de passagens e são os casos que mais existem para entrar na justiça”, diz a advogada. 

Cancelamentos

Conforme a Latam Brasil, 925 voos já foram cancelados neste ano, até a última quarta-feira (26), representando 4% dos voos domésticos e internacionais de janeiro. A Azul não divulgou o número de voos cancelados.

Já a Gol informou que não houve cancelamentos devido à situação sanitária até o momento, mesmo a reportagem constatando por relato de passageiro que houve cancelamento. 

A Resolução nº 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que voltou em vigor no início deste ano, estabelece que o cancelamento por parte da companhia aérea deve ser informado com antecedência mínima de 72 horas no caso de voos domésticos e de 24 horas em voos internacionais.

O passageiro tem direito a remarcação sem multas ou cobranças adicionais, independente da tarifa comprada e pode também optar por reembolso integral ou crédito. 

No caso de desistência da viagem por parte do passageiro, o documento não prevê obrigatoriedade da remarcação. A depender do tipo de bilhete, podem incorrer encargos e multas e o valor pode não ser reembolsável. 

Em nota, a Gol e a Latam afirmaram que estão realizando remarcações de forma gratuita para os passageiros que apresentarem teste positivo para Covid-19. A Azul informou que os clientes estão sendo atendidos de acordo com as regras da Resolução nº 400. 

O que dizem as companhias 

Em nota, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) reiterou a importância de os passageiros estarem atento sobre a situação dos voos diante do avanço do contágio das doenças entre os colaboradores das empresas. Segundo a associação, 100% das tripulações das empresas associadas estão vacinados contra Covid-19. 

A Abear destaca que as suas associadas não cobrarão multas para remarcação de voos nos casos de cancelamentos motivados por diagnóstico de Covid-19 entre seus tripulantes
Associação Brasileira das Empresas Aéreas

Também por meio de nota, a Gol afirmou que não houve ainda cancelamento de voos, mas que a empresa está atenta ao aumento de casos de Covid e Influenza e que os funcionários infectados estão sendo afastados das funções. 

No caso de clientes com teste positivo de Covid, é possível optar por manter o valor da passagem em crédito com isenção de taxa de cancelamento ou remarcar o voo sem custos adicionais, respeitando a validade do bilhete e mediante disponibilidade de assentos. No caso de reembolso em dinheiro, taxas e multas podem ser aplicadas. 

Foto: Kid Júnior

A Latam lamentou os cancelamentos e afirmou não estar “medindo esforços para comunicar diariamente a todos com a maior antecedência possível”. A companhia também possibilita a remarcação para clientes positivados com Covid-19. 

“A flexibilidade é assegurada mediante a apresentação de teste RT-PCR positivo ou declaração simples de contato próximo ou documento da autoridade de saúde local. Nestes casos, o cliente poderá remarcar o voo para 14 dias após o diagnóstico da doença. Se desejar remarcar para antes desse período, precisará apresentar novo teste RT-PCR negativo para viajar”, estabelece. 

A Azul informou em nota que alguns dos voos de janeiro estão sendo reprogramados e que foi registrado um aumento no número de dispensas médicas entre os tripulantes. 

“É importante ressaltar que mais de 90% das operações da companhia estão funcionando normalmente e que os clientes impactados estão sendo notificados das alterações, reacomodados em outros voos da própria companhia e recebendo toda a assistência necessária conforme prevê a resolução 400 da Anac”, destaca. 

Direito do consumidor 

Também em nota, a Anac pontuou que não há cobrança de penalidades aos passageiros no caso de alterações programadas, atrasos e cancelamentos de voos por parte da companhia aérea.  

“Se um dos casos mencionados ocorrer, o passageiro poderá optar pela reacomodação em outro voo na primeira oportunidade, pela remarcação da passagem para outra data de sua conveniência, conforme disponibilidade de voo e assento da empresa e dentro da vigência do contrato, ou pelo reembolso integral ou pelo crédito integral”, coloca. 

A agência orienta que, em caso de problemas antes, durante ou após o voo, a recomendação é que o passageiro busque primeiramente os canais de atendimento eletrônico e telefônico da própria empresa aérea anotando os números de protocolo, se possível, ou, se for o caso, da agência de viagens onde a passagem foi comprada. 

“Caso não receba uma solução e entenda que teve os seus direitos de transporte desrespeitados, ele poderá registrar uma reclamação na plataforma Consumidor.gov.br”, recomenda. 


Mario Mesquita

Comércio exterior do Nordeste

Mario Mesquita
26 de Maio de 2022