Ceará deve assinar mais 8 memorandos do hub de hidrogênio verde até o fim de maio

Informação foi relevada pelo co-coordenador do grupo de trabalho do hub no Intersolar Summit Brasil Nordeste 2022

Escrito por Lívia Carvalho, livia.carvalho@svm.com.br

Negócios
Legenda: Constatino revelou que novos memorandos serão assinados
Foto: Divulgação/Nicolás Leiva

Com 17 memorandos de entendimento já assinados para o hub de hidrogênio verde (H2V), o Ceará deve fechar parceria de investimento privado com mais oito empresas até o fim de maio. Ainda nesta sexta-feira (29), quatro documentos devem ser assinados pela governadora Izolda Cela.  

A informação foi divulgada pelo analista Constantino Frate que integra o Grupo de Trabalho do hub durante participação no Intersolar Summit Brasil Nordeste 2022. O evento aconteceu nesta semana na Capital cearense.  

“O Ceará está assumindo o protagonismo da produção de hidrogênio verde no mundo, em uma oportunidade e um momento de atração de investimentos, em que teremos um potencial para produção de 8 GW de eletrólise”, destaca.  

O Summit tem caráter regional, com destaque para o estado do Ceará, e antecipa os temas nacionais que serão ampliados na Conferência Intersolar South America 2022. Durante os dois dias de evento, foram abordadas as principais tendências e o panorama da produção de energia solar fotovoltaica no estado e no Nordeste.  

Alternativa de economia  

Palestrante do tema “A Fonte Solar Fotovoltaica no Ceará”, o presidente da Câmara Setorial de Energias da Adece (Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará), Joaquim Rolim, abordou sobre o panorama do setor no estado, as oportunidades e desafios.  

Rolim destacou ainda a necessidade de investimentos em energias renováveis além de apontar como uma alternativa para o consumidor frente aos altos custos com energia elétrica, especialmente após o reajuste médio de quase 25% da Enel Ceará.  

É muito preocupante para o consumidor. Para o setor produtivo, por exemplo, fica difícil de encontrar formas de como absorver esse novo custo, que foi muito acima do esperado. As alternativas que a gente visualiza são a geração própria de energia, que tem um retorno entre quatro a cinco anos, além do mercado livre para aqueles que consomem mais energia”.  
Joaquim Rolim
presidente da Câmara Setorial de Energia da Adece

O coordenador de Atração de Empreendimentos Industriais Estruturantes da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Ceará (Sedet), Sérgio Araújo, ressaltou as características que fazem o estado se destacar no setor.  

“Temos muito potencial solar e eólico. A ambiência de negócios também está pronta, o que atrai investimentos. Temos uma infraestrutura muito forte”. 

De acordo com Araújo, o hub de H2V deve impulsionar esse mercado. O coordenador revelou ainda que, na semana passada, a Sedet fez uma reunião com uma empresa para produzir a água que será utilizada na produção do hidrogênio verde por meio do reúso.  

Legenda: Evento traz principais temas sobre energia solar fotovoltaica
Foto: Divulgação/Nicolás Leiva

Veja as empresas que já assinaram memorando de entendimento com o Governo do Estado: 

  • Enegix Energy
  • White Martins
  • Qair
  • Fortescue
  • Eneva
  • Diferencial
  • Hytron
  • H2helium
  • Neoenergia
  • Engie
  • Transhydrogen Alliance
  • Linde
  • Total Eren
  • AES Brasil
  • Cactus Energia Verde
  • Casa dos Ventos 
  • H2 Green Power 

Marco Legal  

O presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia, apontou a importância da sanção da Lei 14.300 de 2022 para garantir a segurança jurídica de quem atua com a geração distribuída.  

"A Lei veio no momento em que o setor precisava resolver um impasse regulatório por conta de uma tentativa da Aneel de realizar uma cobrança sobre a energia solar e outras fontes renováveis de geração distribuída de quase 60%. Se aquilo tivesse acontecido, seria um desastre para o avanço da energia solar e para outras fontes renováveis que os próprios consumidores investiriam", pontua.  

Sauaia explica ainda que o marco legal também inova, legislando acerca de novas formas de modelos de negócios e novas tecnologias relacionadas às energias renováveis. Para ele, o investimento na produção é uma forma de economia para o consumidor.  

Quanto mais energia os consumidores gerarem por conta própria, mais condição eles vão ter de se proteger contra esses reajustes e ainda das bandeiras tarifárias, e vão poder ter segurança e autonomia energética”.  
Rodrigo Sauaia
presidente-executivo da Absolar