Cabotagem: Porto do Pecém é mercado estratégico para líder de mercado

Diretor executivo da Aliança, empresa líder em cabotagem no Brasil e subsidiária da Maersk, revela que o Ceará é alvo de investimentos a curto e longo prazo

Cais do porto do Pecém
Legenda: Segundo o Ministério da Infraestrutura, cerca de 11% da carga brasileira é transportada através de cabotagem
Foto: Carlos Marlon

A evolução do transporte de cargas tem reforçado a necessidade do desenvolvimento de modais para além do rodoviário no Brasil. Com a crescente demanda, a cabotagem - transporte de carga entre portos do País - avançou em ritmo superior a dois dígitos nos últimos anos. Por sua posição estratégica, o Porto do Pecém é considerado um dos mercados mais importantes por empresas do setor.

A Aliança Navegação e Logística, empresa pertencente ao conglomerado Maersk, é uma das que tem expandido a atuação no Ceará. O diretor-executivo da Aliança, Marcus Voloch, ressalta que o Pecém é um dos mercados em que a empresa mais cresce e que se tornou um porto de transbordo do Norte e Nordeste, uma espécie de hub.

A gente descarrega toda a carga no Pecém para depois transbordar para os demais portos do Norte. É um mercado super importante para gente"
Marcus Voloch
Diretor executivo da Aliança

Apesar da importância, o executivo aponta alguns entraves ainda existentes, como a dificuldade de movimentação da mercadoria do cais para o pátio. "Carece de mais investimentos. Como o cais fica no mar, essa movimentação para o pátio demora, temos alguns atrasos constantes, o que precisa de mais investimento em capacidade", detalha Voloch.

Ainda assim, ele revela que vem discutindo as questões localmente e que as reivindicações tem sido atendidas. A empresa, a partir da ATM, operadora de contêineres e outro braço da Maersk, tem realizado investimentos de curto e longo prazo para atender o crescimento no Pecém.

"O acordo com Roterdã é algo que deve ajudar nesse zoneamento, organização do Porto. É algo que a gente espera que traga mais celeridade para essas operações em geral", destaca.

Segundo o Ministério da Infraestrutura, cerca de 11% da carga brasileira é transportada através de cabotagem, sendo cerca de 5% a 6% em contêineres. Dessa fatia, a Aliança concentra 53% do mercado nacional.

Em 2020, a empresa transportou 342,5 mil TEUs, unidade correspondente a um contêiner de 20 pés de comprimento, uma leve queda de 1% em relação a 2019, resultado considerado satisfatório pelo diretor tendo em vista toda a problemática desencadeada pela pandemia.

Expansão do varejo

Entre os segmentos que mais cresceram se destacam o de metais e o varejo, com expansão de 25% e de 20%, respectivamente, no ano passado. Voloch considera o varejo o novo principal mercado de cabotagem no Brasil, que antes era voltado, principalmente, para o setor industrial.

"Hoje, temos muito mais bens de consumo sendo transportados. A cabotagem já está na casa de todo mundo, porque transportamos tudo que pode ser encontrado no supermercado, por exemplo. A gente finalmente conquistou o varejista e atacadista com custos mais competitivos", avalia.

Ele revela ainda que acordos com duas grandes empresas de e-commerce foram fechados recentemente para transferência de estoque do Sudeste para os demais centros de distribuição do País.

"A renda vai crescendo e as pessoas consomem mais, fazendo com que mais mercadoria precise girar. A expansão da nossa atuação é nesses mercados e tentando sair do óbvio. O Norte e Nordeste são importadores de muitos produtos do Sul e Sudeste, mas o que eles produzem que é consumido nessas regiões também? Temos tentado fazer o caminho inverso, esse match entre o que sobe e o que desce de volta, até porque otimiza custos, transitamos menos com contêineres vazios", esclarece o diretor-executivo.

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