Brasil tem potencial para produzir hidrogênio verde com menor custo no mundo, avalia especialista

A qualidade e a quantidade das energias renováveis colocam o Brasil na frente. Nordeste tem destaque dentro do país

Legenda: Além dos benefícios que devem ser criados, hidrogênio verde deve ter classificação específica para tributação pelo ICMS no Ceará
Foto: Shutterstock

O Brasil tem o potencial de produzir o hidrogênio verde mais barato do mundo e acelerar o crescimento econômico exportando o material para outros países. E o Nordeste, sobretudo o Ceará, tem chance de ter destaque nessa iniciativa. 

A constatação é do consultor de energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis do Ceará, Jurandir Picanço, em live realizada nesta terça-feira (3) pelo Conselho Regional de Economia Ceará (Corecon-CE). 

Para Picanço, a qualidade e a abundância das fontes de energia renováveis presentes no país, principalmente no Nordeste, tem potencial de baratear a geração de hidrogênio verde. 

“O Brasil é o país que tem o potencial de produzir hidrogênio verde com menor custo devido à qualidade das energias renováveis”, disse.  

A secretária executiva da Industria no Governo do Estado, Roseane Medeiros, também presente do debate, acrescentou que o Ceará deve ter papel central na produção e exportação dessa tecnologia. 

“O Ceará reúne as melhores condições no Brasil para a instalação de parques de hidrogênio verde. Apesar de outros estados serem também bem localizados, não tem um porto completo como o nosso”, destacou. 

Produção de energias renováveis 

De acordo com Picanço, o Nordeste pode ser uma região importante na produção da nova tecnologia por ter um potencial de energias renováveis muito acima do necessário.  

As energias renováveis são peças-chave para a produção do hidrogênio verde, já que a extração da substância deve ser feita por meio do uso de fontes de energias limpas. E o Brasil está bem, tendo capacidade de 880 GW só de energia eólica. 

O fator de capacidade eólico do Nordeste, que é um paralelo do quanto de energia consegue ser produzida em relação à capacidade de um equipamento em condições ideais, é maior do que o do mundo.  

O índice é de 43,3% no Nordeste e de 40,8% no Brasil, enquanto a média mundial é de 34%, segundo dados do Atlas Brasileiro de Energia Elétrico de 2013, citados na apresentação de Picanço. 

O Nordeste também se destaca com relação ao potencial de produção de energia solar. A radiação solar é de 5,5 kWh/m².dia na região, enquanto no Brasil é de 4,9 kWh/m².dia.  

Outros países expoentes no hidrogênio verde têm números menores, tendo a China potencial de 4,6 kWh/m².dia e a Alemanha de 2,9 kWh/m².dia, segundo dados de diversas fontes apresentados pelo especialista.  

Vantagens do Ceará 

O plano do Governo do Estado é tornar o Ceará protagonista na produção da energia limpa. Segundo Roseane Medeiros, a ideia é, além dos parques de hidrogênio verde, atrair toda a cadeia de produção de energias renováveis.  

Ela cita a parceria do governo com o Porto de Roterdã, que será peça importante para a exportação de hidrogênio para a Europa, a ZPE Ceará e a garantia de segurança hídrica como alguns pontos atrativos do estado. 

O Ceará fechou memorando de entendimento com três empresas internacionais, a Enegix e a Fortescue, da Austrália e a Qair, da França. Só a Enegix trará um investimento de US$ 5,4 bilhões. 

“Em breve vamos estar anunciando outros memorandos de investimentos. O governo do estado não é investidor, mas tem que investir na infraestrutura”, afirmou a secretária.  

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