BBB, No Limite, Show do Milhão: veja como os prêmios perderam valor ao longo do tempo

Para manter o mesmo poder de compra, programas de TV teriam que ter reajustes de até 270% no valor da premiação

juliette emocionada ao ganhar BBB
Legenda: Mesmo o prêmio pago a Juliette já sofreu desvalorização do início do ano para cá
Foto: Divulgação/ Globo

Quem ganhou o Show do Milhão em 1999, quando o programa foi lançado, sairia com bem mais dinheiro no bolso do que alguém que ganhasse o mesmo prêmio hoje. Apesar de o valor ser o mesmo nominalmente, o poder de compra é reduzido consideravelmente ao longo dos anos devido à inflação.

Segundo cálculos feitos pelo economista Wandemberg Almeida, conselheiro do Conselho Regional de Economia Ceará (Corecon-CE), o prêmio do Show do Milhão deveria subir em 270%, para R$ 3,7 milhões, para manter o poder de compra do felizardo que ganhasse o milhão na época do lançamento. 

O mesmo acontece com o prêmio de outros reality shows, como No Limite e Big Brother Brasil.

Até o prêmio de Juliette já perdeu valor do início do ano para cá. De acordo com Wandemberg, o prêmio deveria ser reajustado em R$ 85 mil para garantir o mesmo poder de compra. 

Big Brother Brasil 

Quando surgiu, em 2002, o prêmio do BBB era de R$ 500 mil. O valor foi ajustado para R$ 1 milhão em 2005 e, posteriormente, para R$ 1,5 milhão em 2010, a última atualização. 

O montante de R$ 1,5 milhão pago a Marcelo Dourado em 2010 hoje "valeria" apenas R$ 770 mil caso o ganhador tivesse apenas guardado o prêmio embaixo do colchão, sem investir em nenhum fundo ajustado pela inflação. 

“Se atualizar para agosto de 2021, de acordo com o IPCA, o prêmio deveria ser de R$ 2,92 milhões. Perceba que praticamente quase que tem que dobrar o valor. Tem uma falta de correção de 11 anos desse valor original”, projeta Wandemberg. 

Em 2010, o prêmio do BBB permitiria ao ganhador comprar 15 casas, conforme os cálculos do economista. Sem a correção, o número hoje diminui para 8. 

No Limite 

Quem vencesse todos os desafios do No Limite em 2000, ano de lançamento do reality show, levava para casa o prêmio de R$ 300 mil. Paula Amorim, que venceu a edição deste ano, ganhou R$ 500 mil. 

Mas, para garantir o mesmo poder de compra, o prêmio deveria ser reajustado em 250,91%, alcançando o R$ 1,05 milhão. 

“Para que haja uma continuidade desses prêmios, seria necessária uma correção de valores, porque ao longo do tempo vou perdendo poder de compra. 100 reais antigamente não valem o mesmo que hoje”, resume o economista. 

Quem Quer Ser Um Milionário 

Desde que estreou em 2017 a comando do apresentador Luciano Hulk, o Quem Quer Ser Um Milionário ainda não agraciou ninguém com o prêmio principal. 

Para corrigir o prêmio de 2017, hoje a pergunta do milhão deveria pagar R$ 1,23 milhão para quem respondesse todas as perguntas corretas.  

Luta contra a inflação 

Para manter o poder de compra, os ganhadores dos realities devem investir o prêmio em um fundo corrigido pelo menos pelo IPCA. Mesmo quem jogasse o dinheiro na poupança acabaria no prejuízo. 

Hoje o rendimento da poupança, que é atrelado à Selic, está em 3,675% ao ano, enquanto o último Boletim Focus prevê a inflação em 8% ao final do ano, mais que o dobro do rendimento. 

Quero receber conteúdos exclusivos sobre negócios