Banco Central pode elevar juros nesta quarta (27) ao maior nível em quatro anos

A flexibilização do teto de gastos por decisão do governo gerou reação negativa e pode contribuir com a alta dos juros

Legenda: Banco Central deve aumentar ainda mais a taxa de juro
Foto: Raphael Ribeiro

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve elevar as taxas dos juros nesta quarta-feira, segundo estimativa do mercado financeiro. As informações são do G1. O anúncio da decisão deve ser realizado após às 18h. 

A expectativa é de que a taxa básica seja elevada dos atuais 6,25% para 7,5% ao ano, resultando em um aumento de 1,25 ponto percentual.

Caso seja essa a decisão, a taxa Selic atingirá o maior patamar em quatro anos. Em outubro de 2017, antes de cair para 7,5%, estava em 8,25% ao ano. 

Prévia da inflação de outubro e "furo" no teto de gastos

Com a aceleração divulgada na prévia da inflação de outubro, alguns bancos passaram a estimar um aumento até maior do que 1,5 ponto no encontro do Copom desta semana. Sendo assim, o juro passará a ficar maior do que o registrado no início do governo Bolsonaro, em janeiro de 2019 (6,5% ao ano).

Nos dois últimos encontros do Copom, a elevação dos juros foi de um ponto percentual. 

Agora, a situação pode ser diferente de acordo com o mercado, que passou a prever uma elevação maior após o ministro da Economia, Paulo Guedes, ter admitido "furar" o teto de gastos com o objetivo de ampliar a proteção social, por meio do Auxílio Brasil, programa social sucessor do Bolsa Família.

Taxa Selic no ritmo de alta

As instituições bancárias passaram a prever aceleração no ritmo de alta da Selic (a taxa básica da economia) e níveis mais altos no fim de 2021 e 2022, segundo o Relatório de Mercado Focus, prevendo uma deterioração econômica devido à perda de credibilidade da âncora fiscal.

Para este ano, a estimativa subiu de 8,25% para 8,75%, o que supõe uma aceleração no passo de alta de juros, até setembro em 1 ponto porcentual, ainda este ano.

Há um mês, a mediana era de 8,25%. Já a estimativa para o fim de 2022 passou de 8,75% para 9,50%, uma das mudanças mais bruscas da história da pesquisa de uma semana para a outra. Há quatro semanas, estava em 8,50%.

Estagflação brasileira

Por definição básica, o cenário de estagflação é classificado por uma economia estagnada, aliada a alto nível de desemprego e inflação crescente. 

Baseado nos levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o mercado elevou a expectativa da inflação em 2021 de 7,11% para 7,27%.

Enquanto isso, o Produto Interno Bruto (PIBdo País recuou 0,1% no segundo trimestre, também de acordo com o IBGE.

Além disso, o Instituto ainda aponta que o número de desempregados no Brasil – dados da última sexta-feira (30) – é de 14,76 milhões, o que representa 14,6% da população no primeiro trimestre de 2021. 

Com esse cenário, a perspectiva de Ricardo Coimbra, presidente do Conselho Regional de Economia Ceará (Corecon-CE), é que o Brasil, sim, está em um cenário de estagflação, o que pode elevar ainda mais a pressão sobre a economia. 

Com a redução dos níveis de atividade econômica aliada ao aumento de preços de produtos importantes, principalmente ligados à alimentação, a perspectiva é de que a população, em geral, tem problemas graves de passar pela crise até que haja uma mudança de postura do Governo Federal. 

"Esse momento do segundo trimestre mostra essa situação (de estagflação), mas podemos ter uma recuperação lenta ainda em 2021, só que isso vai depender das ações do Governo Federal, e o setor produtivo está tendo a sensibilidade de que não é o processo que está se desenhando", disse. 

"O que se espera é que esse ano tenhamos um crescimento da economia, com recuperação pelo resultado de queda do ano passado. Mas o Banco Central está com postura que vai forçar um cenário nao tão positivo para o ano que vem. Podemos ter um crescimento de 1% e 1,5% e se a inflação se mantiver, vamos ter um problema muito grande", completou Coimbra. 

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