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Com expansão de redes, setor atacadista de alimentos do Ceará cresce vendas acima da média nacional

Atacarejos tiveram crescimento de vendas maior que setor de supermercados e hipermercados

Escrito por
Mariana Lemos mariana.lemos@svm.com.br
foto de corredor de supermercado atacarejo
Legenda: Setor atacadista de alimentos no Ceará cresceu vendas em 6,7% em 2024
Foto: Kid Júnior

Com a expansão das redes de atacarejo e a chegada de novos players no Ceará, o setor registra alta no volume de vendas e foge da curva nacional. Ao longo de 2024, o atacado especializado em alimentos no Ceará teve acréscimo de 6,7% nas vendas.

Já no Brasil, o setor atacadista alimentício registrou queda de 7,1% nas vendas de janeiro a dezembro. Os dados são de levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece). 

A performance dos atacados foi superior a dos hipermercados e supermercados, setor que teve alta de 5,4% nas vendas. Alexsandre Lira Cavalcante, analista da Política Públicas do Ipece, aponta que o resultado tem base na abertura de novos atacarejos em Fortaleza e cidades no interior.

“O grupo Mateus, por exemplo, tem expandido suas atividades aqui no Ceará, são só em Fortaleza, como na Região Metropolitana e em cidades do interior do estado. O Ceará tem sido puxado muito pelas vendas do comércio”, analisa.

O especialista aponta que a ampliação do campo de atuação é uma estratégia das redes para ocupar espaços de grandes contingente populacional. 'Onde tem pessoas, tem consumo' é uma das máximas seguidas pelas varejistas.

TRANSFERÊNCIA DE COMPRAS PARA SUPERMERCADOS

O fenômeno de expansão dos atacarejos está ligado a alguns fatores econômicos, aponta Ulysses Reis, especialista em varejo e professor da Strong Business School. Em períodos de inflação, há uma transferência de compras de lojas especializadas para esse tipo de negócio, segundo o especialista. 

“Outra razão é o fator chamado reduflação, que é quando os fornecedores reduzem o tamanho dos produtos vendidos. Nos supermercados, você vai ter chocolate com a menor gramatura, sabão em pó com quantidade menor. A reduflação faz com que a gramatura do produto diminua, mas o preço se mantenha”, complementa. 

O especialista analisa ainda que as redes cearenses têm uma percepção melhor da realidade de consumo e conseguiram ajustar seus investimentos ao longo de 2024, viabilizando preços melhores aos consumidores. 

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“No sudeste, algumas grandes redes se planejaram para um consumo muito grande e compraram estoques exagerados no ano passado. Acreditaram que o consumo ia se manter da mesma forma, o que foi um erro. Os atacadistas no Ceará se preparam mais para negociações, com compras sem exagero e flexibilidade para manter o mercado”, aponta. 

Esse tipo de negócio se beneficia também das baixas taxas de desemprego, já que as famílias mais pobres canalizam grande parte da renda para a alimentação, aponta Alexsandre Lira Cavalcante. 

“E esses setores estão gerando emprego, impactando na geração de emprego do Estado. A abertura de novas lojas alimenta a geração de emprego, que gera mais renda, que alimenta o comércio. Então uma coisa leva a outra”, explica o analista do Ipece.  

VENDAS NO VAREJO CEARENSE CRESCEM 7,8%

As vendas no varejo cearense cresceram 7,8% ao longo de 2024. O Ipece destaca que, assim como no setor atacadista alimentício, também houve descolamento da trajetória de vendas estadual do varejo nacional, que registrou alta 4,7%.

Foi o segundo melhor resultado para o varejo cearense nos últimos cinco anos. O setor registra 35 meses consecutivos de crescimento, desde fevereiro de 2022. 

No acumulado de 2024, o setor de artigos farmacêuticos, médicos, ortopedia e de perfumaria do Ceará foi o que mais cresceu em volume de vendas, com alta de 17,9%. 

Em seguida, aparece o varejo de materiais de construção, que registrou alta de 14,5% nas vendas. O comportamento também é bastante diferente do nacional, que registrou alta de 4,7%.

Das catorze atividades monitoradas pelo IBGE e consideradas pelo Ipece na análise, doze registraram variação positiva. Apenas os setores de equipamentos e materiais para escritório e de livros, jornais, revistas e papelaria tiveram queda nas vendas. 

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