ArcelorMittal Pecém mira Polo Automotivo no Ceará para superar tombo após tarifaço
Diversificação dos produtos para além de placas de aço é um dos focos da empresa.
A ArcelorMittal Pecém, uma das principais produtoras de aço do Brasil, encerrará o exercício financeiro de 2025 com prejuízo. A informação foi confirmada por Erick Torres, CEO da companhia, em entrevista ao Diário do Nordeste durante a I Feira da Indústria da Fiec, nessa terça-feira (10).
O executivo não detalhou as cifras do balanço, mas ponderou que o resultado da ArcelorMittal Pecém mal chegou a 30% do histórico recente da companhia.
Em questão de estabilidade de processo, o nosso desempenho ano passado foi excepcional. Foi um dos melhores que a gente atingiu. O resultado financeiro teve um impacto muito forte, que trouxe para a gente o resultado que não chegou a um terço do que a gente fez nos outros anos. Acredito que esse ano a gente está se movimentando, mas o cenário hoje ainda é muito desafiador".
O impacto do tarifaço na receita
Um dos motivos elencados pelo executivo da empresa foi a sobretaxação do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos siderúrgicos brasileiros, que chegou a casa dos 50%.
Mais de 30% da produção da ArcelorMittal Pecém tem como destino o país norte-americano, conforme Erick Torres.
"Temos hoje de 1 milhão a 1,3 milhão de tonelada que produzimos para os EUA e que obviamente foram impactados, havendo uma perda de natural de receita. A empresa se mobilizou, trouxe várias alternativas para reduzir custos e se manter competitivo — e conseguimos. O ano de 2025 foi muito desafiador, mas conseguimos vencer", observou.
Polo Automotivo do Ceará pode receber aço da ArcelorMittal
Para diversificar a produção siderúrgica no Estado e buscar mercados de maior valor agregado, Erick Torres comentou o interesse da empresa em fornecer materiais especializados para o Polo Automotivo do Ceará (Pace), em Horizonte.
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O CEO da ArcelorMittal frisou que a unidade da multinacional no Pecém tem "projetos em estudo na diversificação do nosso portfólio de produtos, mediante inclusive até os cenários políticos geopolíticos que a gente vem vivendo", que dependem ainda de aprovação da sede europeia.
"É muito importante a diversificação mais até do que a ampliação. Quando falo diversificar, é trazer alternativa para não produzir somente placa, mas sim outros produtos que gerem maior valor agregado, e façam com que a gente tenha mais rentabilidade e seja ainda mais um local onde a empresa foque em continuar desenvolvendo", pontuou.
Até o momento, a General Motors, sob a marca Chevrolet no Brasil, é quem está produzindo automóveis no Pace; eles, no entanto, já chegam semi-montados, com o processo industrial apenas de finalização aqui no Estado.
Erick Torres deixou claro que o desenvolvimento do Polo Automotivo é uma excelente oportunidade para o crescimento da cadeia siderúrgica cearense, mas condicionou o fornecimento do aço a um estudo detalhado do uso dos materiais por parte dos montadores.
"Precisamos verificar como está o acesso ao conteúdo nacional nessas empresas, ou seja, o quanto as montadoras estão usando o aço do Brasil. O objetivo é não só alimentar essas empresas com o aço nacional, mas criar uma estratégia que torne essa operação viável para a nossa companhia", defendeu.
"A ArcelorMittal Pecém tem uma condição muito concreta. Hoje, 40% dos nossos produtos são de aço de alto valor agregado, mas isso ainda está no produtos das placas. A discussão que precisamos ter é a oportunidade de continuar diversificando os produtos para produtos que trazem maior valor agregado, como bobinas", complementou Torres.